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Éder Azevedo |
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No fim de semana, apenas 45% do volume de lixo esperado foi destinado ao aterro sanitário |
Os servidores públicos municipais da Prefeitura de Bauru, DAE e Funprev decidiram, na manhã dessa segunda-feira (30), interromper a greve iniciada na última terça-feira (24). O futuro do movimento dos trabalhadores da Emdurb, porém, será definido em assembleia marcada para as 7h30 desta terça-feira (31). O órgão é responsável pela coleta de lixo e a paralisação da categoria já resulta em, pelo menos, 1,3 milhão de quilos de resíduos espalhados pelas calçadas da cidade.
Em condições normais, o serviço retira das vias públicas 300 mil quilos de lixo por dia. Estimativa da Emdurb aponta que, desde a última terça-feira, quando a greve teve início, até o fim de semana, 1,5 milhão de quilos deveriam ter sido destinados ao aterro sanitário pela coleta orgânica. O montante recolhido, no entanto, foi de apenas 184,3 mil quilos: 12% do total.
Desde sexta-feira, os coletores têm cumprido decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mantendo nas ruas pelo menos 70% das equipes do serviço. Até então, a paralisação era integral.
Apesar disso, o volume de lixo coletado ficou aquém do esperado, segundo a Emdurb. Na sexta, as equipes da tarde e da noite recolheram apenas 47% da quantidade esperada. No sábado, o índice foi ainda menor, de 45%.
A Emdurb ainda não divulgou os números de ontem, referentes às equipes vespertina e noturna. Pela manhã, a coleta orgânica destinou 92,6 mil quilos de lixo ao aterro, apenas 57% da média.
Esses fatores explicam a frustração em parte da população, que nutria expectativas em torno do fim do lixo acumulado nos bairros nos quais o poder público divulgou que o serviço seria executado nos últimos dias.
O volume de lixo recolhido pela coleta seletiva também não alcançou a média. Nos últimos quatro dias, foram 7.769 quilos. Em condições normais, esse número chegaria a cerca de 30.000 quilos.
FORÇA-TAREFA
Presidente da Emdurb, Nico Mondelli acredita que os coletores deliberarão pelo fim da greve na assembleia desta manhã. Ele deixa claro, contudo, que o retorno de 100% dos trabalhadores não implicará na solução imediata para o acúmulo de lixo nas ruas.
“Se fizerem duas viagens, ou seja, trabalhassem em dobro, conseguiríamos resolver tudo entre quatro e cinco dias. Sem dúvida, os coletores terão que cumprir horas extras; talvez umas três por dia”, estima.
De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, se não houver intercorrências ou quebra de caminhões de lixo, a demanda deve ser sanada em até 10 dias.
Mais vazamentos
O crônico problema de vazamentos nas redes de água e esgoto de Bauru também se agravou ao longo dos cinco dias de paralisação dos servidores do DAE. Estimativa da autarquia aponta que até 175 consertos deixaram de ser feito no período, o que representa 87% da média esperada.
Durante a greve, cruzaram os braços dez encanadores do setor de manutenção. Cada dupla resolveria cerca de sete vazamentos por dia.
No quadro geral dos 725 servidores do DAE, em média, 55 aderiram à paralisação entre a terça e a sexta-feira da semana passada. Na manhã de hoje, quando a assembleia do funcionalismo deliberou pelo fim da greve, esse número caiu para 32.
Descumprimento na Saúde
Nessa segunda, mesmo após o fim da greve, 483 servidores municipais não trabalharam. Numericamente, as secretarias mais afetadas foram a Educação (228) e a Saúde (83).
A assessoria de imprensa da prefeitura informa ainda que, nessa segunda-feira, as unidades básicas do Centro, Geisel e Mary Dota não cumpriram a exigência de que trabalhassem pelo menos 70% dos funcionários.
Nas unidades de urgência e emergência, nas quais o efetivo deveria ser de 100%, houve paralisações no PS Central, no Samu e nas UPAs Bela Vista e Ipiranga.
Sindicato retomará negociação com a administração municipal em maio
Asuspensão da greve dos servidores da prefeitura foi deliberada por 142 votos. Outros 62 funcionários desejavam a continuidade do movimento, que teve início há uma semana, na terça-feira passada. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru (Sinserm) continuará organizando manifestações até o dia 8 de maio, data agendada para o início de novas negociações.
O prazo foi solicitado pelo próprio prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). Até lá, o governo terá fechado o balanço da arrecadação no primeiro quadrimestre de 2015. A possibilidade de novas propostas financeiras dependerá, justamente, dos resultados orçamentários apurados até lá.
A administração já encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei que oferece abono de R$ 55,00 para todos os servidores ativos e inativos, a partir de março, e outro de R$ 30,00, a partir de abril, para aqueles com remuneração mensal de até R$ 2.300,00.
O valor do vale-compras, concedido apenas para os funcionários da ativa, passará de R$ 285,00 para R$ 310,00. Já o vale-refeição será transformado em abono não incorporável. O benefício, cujo valor aumentará de R$ 220,00 para R$ 300,00, contemplará ativos, aposentados e pensionistas que ganham até R$ 2.300,00.
Para os inativos, o valor passará a ser pago a partir de 30 de abril. Para os demais, a extinção do cartão e o início do pagamento do benefício em pecúnia deve acontecer, no máximo, até o mês de junho; medida criticada pelo sindicato.
NOVAS EXIGÊNCIAS
Durante a sessão legislativa dessa segunda, o Sinserm ainda solicitou que, por emendas ao projeto de lei, o teto salarial para garantir o direito ao vale-refeição deixe de existir ou salte para R$ 3.200,00.
Consultado pelo Jornal da Cidade, o secretário municipal de Finanças, Marcos Garcia, afirmou que, por conta das limitações no caixa da prefeitura, essa reivindicação deve ser discutida somente após a retomada das negociações, em maio.
Júlio Cesar Teixeira de Carvalho, advogado do sindicato, explica que a categoria quer ainda a supressão do artigo que concede o “simbólico” reajuste salarial de 0,01% para os servidores.
“Também precisa ficar claro na redação do projeto que os abonos [de R$ 55,00 e R$ 30,00] são extensivos aos aposentados. Outro ponto a ser acrescentado é o que fixa a data de 8 maio para a reabertura das negociações”, diz ele.
A entidade solicita ainda a convocação de uma audiência pública antes da votação do projeto.
ACORDO
A diretoria do Sinserm protocolou, junto à chefia de Gabinete do prefeito Rodrigo Agostinho, ofício comunicando a suspensão do movimento a partir de hoje e solicitando reunião para a discussão dos termos do acordo de greve, que deverá ser homologado junto ao Poder Judiciário.
A entidade adianta que não aceitará qualquer prejuízo aos servidores que aderiram às paralisações. Em nota ao JC, a prefeitura pontuou que se compromete a não propor ação judicial contra o sindicato em razão da greve nem promover descontos salariais. A administração, por sua vez, não afasta, em caso de necessidade, a possibilidade de exigir a reposição dos dias parados, inclusive, em escolas da rede.
“Os compromissos ora assumidos serão arcados pelo município, salvo medida judicial em que se determine por parte da prefeitura qualquer obrigação de fazer”, informa o comunicado.