10 de julho de 2026
Regional

Grupo denuncia apologia ao estupro para CPI das Universidades

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Assessoria Unesp/Divulgação

Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu, onde foi apontada denúncia sobre apologia ao estupro, não recebeu a denúncia

As músicas entoadas em faculdades que fazem apologia ao estupro foram denunciadas na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Universidades, na Assembleia Legislativa de São Paulo. O relatório foi divulgado no início de março.


Apesar da repercussão negativa, integrantes da bateria da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) continuam comercializando livretos que contêm letras com teor homofóbico e ofensivo às mulheres, segundo a denúncia. A afirmação foi feita por Marina Barbosa, do Coletivo Genis - que representa meninas dos 11 cursos da universidade -, em entrevista concedida à Rádio Brasil Atual. Procurada pela reportagem do JC nessa terça-feira (31) à tarde, ela preferiu não falar do assunto, alegando que vem enfrentando problemas em razão de sua declaração à imprensa.


Na entrevista, entretanto, Marina afirma que no caderno de hinos da bateria da faculdade ainda contém letras que fazem apologia ao estupro. Uma das canções, por exemplo, chama-se “Gozo Pirata”.


“A primeira estrofe fala em estuprar piranhas riquinhas que estudam nessas escolinhas. Depois disso só piora. Muitas letras são machistas, pornográficas, homofóbicas e bem agressivas. Os livretos são vendidos pelos integrantes da bateria. Qualquer um que vai ao ensaio pode comprá-los por R$ 5,00”, disse à repórter da rádio.


Marina contou ainda durante a entrevista que não esperava mudanças rápidas após a CPI. “É mais fácil atingir outros alunos do que os que já estão institucionalizados e queiram defender fortemente uma tradição”.  


Ela critica a falta de punição e os constantes atos de “apologia aberta ao estupro” dentro da faculdade. “Acontece direto, seja em mensagens de grupo da turma, com piadas. Mas está tão naturalizado que as pessoas não conseguem enxergar. Todos se espantam no começo, mas depois vira graça e começam a ver que não é tão ruim assim, inclusive as meninas que fazem parte da bateria”, apontou durante a entrevista.  


Apoio


Marina comentou que, após a CPI, houve avanço no sentido institucional. “Tivemos uma rede de apoio das nossas denúncias vindo da reitoria, que foi bastante efetivo às nossas demandas. Com relação aos alunos, começamos a abrir um diálogo e quebrar alguns paradigmas”, disse.  


O JC tentou contato com a delegada Simone Tuono, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Botucatu, para comentar as denúncias, mas não obteve retorno até essa terça. A reportagem também não conseguiu localizar no mesmo dia ninguém da bateria da Unesp para discutir o assunto.


Universidade alega não ter recebido nenhuma denúncia formal do caso


Por meio de assessoria de comunicação, a Faculdade da Unesp - do câmpus de Botucatu - esclareceu que não recebeu qualquer denúncia formal envolvendo constrangimentos em decorrência do grito de guerra que estaria sendo usado por alunos da instituição. 


Disse ainda que “repudia qualquer tipo de violência ou ação preconceituosa, dentro e fora de suas dependências. Prova disso é que criou, no início deste mês, um Grupo de Trabalho (GT) de Prevenção da Violência”.


Sobre o projeto, a instituição explica que, com a participação de docentes, alunos e servidores técnico-acadêmicos de diferentes unidades da universidade, o GT estabeleceu a criação de quatro subgrupos que iniciaram os seus trabalhos na Prevenção da Violência da Unesp: Formação de Profissionais para Atuação na Área; Conscientização da Comunidade e Divulgação das Ações; Estabelecimeno de Marco Regulatório e de Ações de Fomento a Direitos Humanos; e Acompanhamento do Desempenho Acadêmico.