É engraçado como a democratização da educação pode levar a tantos antagonismos!
Há algumas décadas, a escola era considerada a única detentora do saber e os professores meros transmissores de conhecimento. Não era permitido aos pais e muito menos aos alunos, nenhum tipo de questionamento. Hoje (felizmente!) a coisa mudou. Grande parte das escolas trabalha com uma gestão participativa, onde pais e alunos podem e devem opinar. Porém, esta mesma escola democrática que escuta e dialoga com os pais, acaba ouvindo de muitos deles um discurso saudosista, nostálgico, propondo o retorno à escola do passado, quase sempre iniciado pelo bom e velho "no meu tempo era assim."
Os tempos mudaram, caro pai! E seu filho não é mais a criança do seu tempo. O acesso à informação não tem comparação com o seu, com o nosso tempo. Demorávamos às vezes mais de um dia para conseguirmos uma determinada informação. Esta mesma informação, o jovem de hoje tem em menos de 10 segundos, literalmente, na palma da sua mão, com o celular. Como negar esta tecnologia? Como negar isto e querer que eles vivam como nós vivemos? Os tempos são outros. As informações são muito mais rápidas, embora muito menos confiáveis. Cabe ao professor orientar de que forma ele deve utilizar estas informações e as novas tecnologias.
A escola de antigamente era a escola excludente, que não respeitava as diferenças. O aluno que apresentava um ritmo diferente, às vezes um pouco mais lento, era estigmatizado, excluído e muitas vezes banido do ambiente escolar através de sucessivas reprovações. A criança que passava por um trauma, como por exemplo, a perda de alguém da família, era muitas vezes reprovada por alguns décimos, carregando para sempre o estigma de repetente. Não se levava em conta aspectos sociais e familiares como se faz na escola de hoje. Será que realmente é essa a educação que você quer?
De repente, vale pensar se o problema realmente está na escola de hoje. Ou "apenas" na escola de hoje. Ainda que ela tenha um longo caminho a percorrer rumo à perfeição, será que o problema não está também na sua casa?
Hoje, nós professores, percebemos em grande parte dos pais, uma posição muito mais de afronta do que de parceria. E pais que não acreditam na escola, terão filhos que também não acreditarão. É fato! E como ensinar uma criança que já chega ao ambiente escolar duvidando da qualidade da educação que lhe é oferecida?
O discurso ouvido em casa é vivenciado diariamente na escola na forma de indisciplina e de negação às normas de convivência e dos preceitos pedagógicos que levam a uma qualidade de ensino.
É preciso que você, pai, acredite na escola e mostre a seu filho a importância dela. É preciso que você cobre responsabilidade e resultados positivos por parte de seu filho. E também dos professores, é direito seu. Porém, mais que nunca, é preciso que você pare de ir à escola apenas para reclamar. Reclamar que seu filho não deve ficar na equipe que a professora escolheu para o seminário. Ou que a avaliação estava muito difícil. Ou que na lista de material pediram caderno azul e você quer colorido.
É cada vez mais importante que você entenda que a educação só terá excelência se caminharmos juntos. Pais, filhos, funcionários e toda a equipe pedagógica. Falando todos uma mesma língua. Sem saudosismo nem nostalgia e com um olhar para o futuro. Afinal é para isso que estamos trabalhando. E com a sua parceria, poderemos sim ser a Pátria Educadora!
A autora é professora professora do ensino fundamental e médio da rede Sesi, de José
Bonifácio (SP)