08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Perversidade a pretexto do bem


| Tempo de leitura: 3 min

Quando uma pessoa diz que uma mulher está ?prenha? todo mundo estranha, se assusta muito com a expressão. Não é sem motivo: prenhez é o nome que se dá à gestação em animais. Em humanos o termo utilizado para o período de gestação é gravidez. As pessoas já não sabem nem distinguir isso! (Sim, hoje vi uma pessoa dizer que a gata estava ?grávida? e a filha ?prenha? - e nem percebe a diferença: maravilhoso método Paulo Freire de educação!). Notando isso se vê o quanto a sociedade está doente em atribuir comportamentos, características, humores, anseios, termos e até valores humanos a animais! Pessoas já não têm mais face ou rosto e sim ?cara?, ?fuça?! Crianças e idosos, quando não são substituídos por animais, são tratados como cachorros, enquanto os cães são cuidados como se fossem filhos. Viram até ?família?.

Um gemido de um policial militar sendo executado na frente da esposa e dos filhos pequenos é tomado como um miado, ao passo que um cachorro morto (desnecessariamente, não se negue) é visto obsessivamente como uma voz (cães não falam, só latem, crianças) que clama eternamente do além por vingança, por um estupro moral e psíquico da acusada de tê-lo matado, por um estupro moral de seus vizinhos e familiares. É visto como uma voz clamando por uma Ku-Klux-Klan coletiva para se vingar de um ato individual (estilo Boko Haram, convenhamos).

Essa gente consegue ter menos juízo que a desajuizada, pois se esta aparenta ter valores falhos, os primeiros têm demonstrado de forma acintosa os terem totalmente invertidos, o que é igualmente desumano, misantropo. São faces da mesma moeda abjeta, animalesca. O menos animal nessa história é próprio desafortunado cachorro. A histeria tem sido tamanha a ponto de alguns se arrogarem no direito e posição de erigirem o dedo até a Deus (!), em riste, exigindo (!) que este não perdoe, que faça isso, que aja assim ou assado, que despeje vingança e ódio sob a Terra, um dilúvio eterno de calamidades sobre a investigada, etc!

Quer dizer, nem um, nem os outros conhecem nem os papéis, deveres e direitos dos seres humanos, nem seus responsabilidades sobre os animais; uns não sabem da importância desses para os homens, outros não sabem da de Deus para os homens e nem dos homens para Deus. Não conhecem nem a natureza, nem o Homem e menos ainda a Deus.

Ora, Deus perdoa a quem quer, quando e também como quiser. Deus é Deus, autônomo, não um realizador de desejinhos perversos de vocês, maldosinhos que se escondem por trás de uma ?bondade animal?. O facínora crucificado com Cristo não foi perdoado no último instante? Ora, não sabem que muitos destes últimos serão os primeiros e muitos dos primeiros, que alardeiam sua pretensa bondade que socorre aos animais, que são idealistas (etc), mas que não perdoam e não aceitam que se perdoe, muitos destes ficarão de fora do reino. E não sou eu quem diz. É o Cristo. A acusada teria feito o que fez em nome de si mesma. Alguns de vocês têm feito o mal e nome de Deus. É mole?

Senhores, cuidem dos animais. Mas sobretudo amem ao próximo, amem a Deus e o amem na figura do próximo, sua irmã Karla. Anseiem por uma justiça adequada (já está havendo um inquérito, tudo certinho). Anseiem pela recuperação da implicada e sobretudo pela de vocês mesmos, promotores de estupros morais coletivo de uma família e vizinhança inteira, geração perversa! Ambas faces da mesma moeda. Pessoas que preferem que o mal sempre gere mais mal.

Camila Alvarenga