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Quioshi Goto |
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Erosão de 250 metros de extensão na quadra 2 da rua José Pinelli, no Distrito Industrial 2, ameaça empresas em seu entorno |
Se nada for feito e chover forte, algumas empresas do Distrito Industrial 2, em Bauru, podem “cair” dentro de uma erosão de 250 metros de extensão, 10 metros de largura e 7 de profundidade, localizada na quadra 2 da rua José Pinelli. O município afirma que 78% do desgaste teria se formado em decorrência das fortes chuvas do último mês e procurou ajuda da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp).
De acordo com o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, a erosão, além de colocar em risco algumas empresas próximas, ameaça uma linha de transmissão. “Se ela for atingida, cerca de 10 cidades da região poderão ficar no escuro”, alerta. Outro problema é que, se chover muito forte, o secretário reforça que o desgaste também poderá “engolir” um trecho da linha férrea. Não bastando tudo isso, o córrego do entorno da erosão está assoreado.
O Distrito Industrial 2 começou a crescer rapidamente e o poder público não colocou em prática nenhum projeto de infraestrutura. Diante disso, as águas pluviais da região foram parar no fim da rua José Pinelli e deu origem à erosão. Para resolver o problema, seria necessário implantar galerias pluviais, esgoto, guias e sarjetas de calçadas, além de asfalto. É uma obra orçada em cerca de R$ 4,5 milhões, dinheiro que a prefeitura não tem.
No entanto, os problemas do bairro não são de hoje. Tanto que, em 2003, o então titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e atual diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino, criou um projeto de infraestrutura para o local, mas até agora, não saiu do papel. “Desenvolvi a iniciativa, porque a erosão existe há 15 anos e sabia que aumentaria no decorrer do tempo”, defende Malandrino.
Questionado sobre o fato de o projeto do atual diretor do Ciesp não ser colocado em prática, o chefe de gabinete e também ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Arnaldo Ribeiro, afirma que chegou a cobrar a Secretaria Municipal de Obras para dar início à ação. Já Sidnei Rodrigues, titular da pasta, alega que desconhece a iniciativa desenvolvida por Malandrino e informa que ele mesmo criou um projeto assim que assumiu a Obras, em 2013.
Inclusive, o secretário participou de algumas reuniões junto ao Ciesp e reiterou que a prefeitura não possui recurso para a execução da obra. “Portanto, ficou acertado entre as partes a necessidade de buscar apoio dos governos estadual ou federal”, revela. Rodrigues acrescenta ainda que a prefeitura aguarda a abertura de inscrição por parte do Ministério das Cidades para angariar o valor.
Secretário sugere projeto provisório
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Arquivo/João Rosan |
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Sidnei: “Não vamos esperar a resposta da Codasp para agir” |
Por enquanto, a prefeitura aguarda uma resposta da Codasp a respeito de uma parceria no sentido de fornecer o maquinário e a terra para a recuperação da erosão. Nessa sexta (3), técnicos da companhia foram até o local e pediram o levantamento topográfico para a Secretaria Municipal de Obras, cuja equipe técnica deverá correr contra o tempo para entregar o documento à instituição até a próxima sexta-feira.
Na última terça-feira, o chefe de gabinete, a titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Lázara Maria Gomes Gazzetta, e o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) estiveram reunidos com o presidente da Codasp, Toshio Misato, para pedir ajuda. Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado adianta que a companhia ainda está analisando a proposta da prefeitura.
Enquanto isso, não dá para esperar. Sidnei Rodrigues pretende colocar em prática um projeto provisório para conter a vasão d’água dos locais mais afetados. A ideia é, a partir da próxima segunda-feira, dar início à implantação de duas caixas de amortização, uma próxima às empresas mais afetadas e outra à linha de transmissão. “É um projeto de engenharia avaliado por dois profissionais da área”, pontua.
O secretário explica que a água captada será despejada em duas caixas, que reduzirão a velocidade do líquido. O processo não irá intensificar a erosão, já que a água estará sem força para tanto. “Se a Codasp aceitar a parceria, ela pode dar continuidade à obra. Caso contrário, acertaremos a recuperação do desgaste com a Semma e depositaremos resíduos inertes da construção. Depois, faremos a cobertura e o plantio da vegetação”, defende.
Outro passo será pedir autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para desassorear o trecho comprometido do córrego e fazer a desobstrução de areia embaixo da linha férrea.
“Precisamos retirar a areia para que a água volte a fluir em períodos de fortes chuvas. Feito isso, o problema da erosão será resolvido de forma temporária.
O ideal seria uma obra de infraestrutura generalizada, mas a prefeitura não tem dinheiro”, finaliza o secretário.