09 de julho de 2026
Geral

Alta do combustível afeta finanças domésticas e altera rotina familiar

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 16 min

Malavolta Jr.

É preciso juntar muito mais moedas para pagar um litro de combustível; moto substitui carro

A onda e a sistematização do aumento de preços dos combustíveis no Brasil, apesar da cotação do barril do petróleo ter despencado nas bolsas no mercado mundial, não só afetam a rotina de muitos bauruenses nos deslocamentos do dia a dia como estão mexendo, inclusive, com o sentimento de sedução pelo automóvel. Não é que as pessoas deixaram de “amar” a vedete do capitalismo industrial, mas sim que o sentimento de desejo e liberdade nos deslocamentos ofertados pelo carro está afetando diretamente outro ingrediente da “relação”: o bolso.


Famílias inteiras estão, ainda que pela dor da escalada dessa despesa ao final de cada mês, aprendendo que o ‘novo membro’ da família que estaciona suas quatro rodas na garagem até aceita tomar frio e chuva ou esturricar no calor, mas não “está nem aí” para o dono quando apresenta sua fatura. Não por acaso, quem tem um automóvel reconhece, há tempos, que ter um Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores) significa gastar mais até que a chegada de um novo filho.


De outro lado, se a despesa com o abastecimento do veículo ficou mais salgada para as famílias de classe média alta - que em geral contam com mais de um possante na garagem para atender aos anseios de mobilidade de pais, mães e filhos - o efeito é ainda mais devastador para a realidade dos orçamentos das camadas sociais que recentemente ascenderam na pirâmide social.


Os milhares de incluídos com a melhora na condição socioeconômica, o que contempla a chamada nova classe média de patamar C para os tecnocratas de plantão nos governos, caíram bem mais cedo “na real”. Na vida crua do cotidiano, os que já sobreviviam com orçamentos apertados mas tiveram, enfim, a chance de adquirir um carro popular, ainda que financiado, perceberam que “andar motorizado pesa por demais no bolso”.


Novos tempos


Assim, sucessivamente na roleta dos custos, cada participante de sua trincheira na escadaria da pirâmide de renda foi se adaptando aos “novos tempos”. O ruim é que esta onda de aperto e cortes agora vem mais dolorosa, porque não atinge somente as contas mensais de energia elétrica e itens essenciais da cesta de alimentação, por exemplo. Ela exige que o possante saia cada vez menos da garagem. E ele está triste tal qual o dono, e enferrujando de vontade de rosnar os cavalos do motor.


Mas o grito aqui é de realidade. Para os que estão mais na base da pirâmide, o jeito está sendo voltar aos velhos tempos. Uns retomaram a rotina de pegar o “buzão”, outros tentam remediar com a “bizinha” de duas rodas, alguns apertam o pedal na magrela - ‘bicicletar’ é bom para o corpo e o ambiente - e outra parcela ainda está “ilhada”, sem alternativa à mobilidade urbana, sem lenço, sem documento e sem dinheiro para o constitucional “ir e vir”, a não ser com as próprias canelas.


E o “filhão” mais bem cuidado da casa - um tirano para a moçada que acaba de fazer 18 anos e correu eufórica para “tirar a CNH” - também está abrindo a cabeça do moleque de que o pai “não está regulando o carango”. É que o “trem é beberrão e leva uma grana lascada” para dar um rolê ou paquerar por aí...


Assim, a belezura que brilha aos raios do sol por ter mais cera sobre sua ‘pele’ de lata do que blush no rosto da gatinha, que o rapaz curte com o som no último volume, ainda traz no porta-luvas o carnê do IPVA, o canhoto do DPVAT, a troca de óleo periódica e o providencial seguro. Vai que algum invejoso dá uma “beliscada” em sua carcaça. Na moral: são riscos demais, em trocadilho, para o playboy bancar na rua!


Reino do automóvel


A busca por uma mudança de paradigma no sistema de transporte no Brasil deve ser uma busca incansável, tanto por parte das autoridades quanto pela própria sociedade. A observação é de Archimedes Raia Júnior, professor na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutor em engenharia de transportes pela USP.  “Esta mudança se faz absolutamente necessária pelo fato de que não mais é aceitável que o reinado do transporte motorizado individual se sobreponha ao coletivo, considerado sustentável”, diz.  Pelo menos é o que está escrito, lembra o professor, no Plano Nacional de Mobilidade Sustentável.


Afinal, os impactos do transporte por automóvel e motos são muito grandes: consumo de combustíveis fósseis não renováveis, poluição do ar e sonora, sérias doenças respiratórias, congestionamentos e consumo de solo, que também não é renovável. “Enfim, não há mais espaço para receber a “enxurrada” de veículos todos os dias nas ruas. A migração para o transporte coletivo (de qualidade) vem ocorrendo nos países desenvolvidos e, quer queiramos ou não, vai ocorrer também no Brasil. O modelo atual não se manterá por muito mais tempo”, adverte Raia.


Antes essencial, carro se transforma em acessório

Divulgação

Eliabe usa moto para trabalhar: gasolina “corroeu” as finanças

Transformar o carro em acessório, ao invés de essencial, tem sido uma experiência comum a muitas pessoas nas relações de mobilidade. Não são poucos os casos de trabalhadores que aposentaram literalmente o possante de quatro rodas para adotar os pedais como “solução”.


A alta no preço dos combustíveis e o peso pelo custeio e manutenção do carro no orçamento da família também levou bauruenses a voltar para o sistema de transporte coletivo. O auxiliar Eliabe Tayar conta que a medida já foi adotada por vários de seus colegas. “Alguns dos meus colegas estão indo para o trabalho de ônibus. Para muita gente, mesmo usar a moto para ir trabalhar é muito pesado. Então o transporte coletivo, que já foi eliminado por muita gente, voltou a ser a opção mais barata, mais prática”, fala.


Tayar lembra que o efeito sobre as despesas fixas tem sido sentido por todos. “Para quem tem carro a situação está muito pior, porque o custo da gasolina é bem maior que o que foi aplicado no reajuste dos salários nos últimos anos. A maior parte das pessoas não faz conta, mas sente sim no bolso. Eu mesmo enchia o tanque de minha moto com R$ 20,00. Agora eu consigo abastecer só a metade do tanque com o mesmo valor. Tem de juntar muito mais moedas para conseguir o mesmo tanto de combustível para a moto”, opina.


A conta dos combustíveis na vida das pessoas exigiu nova postura também no setor de gerenciamento público do transporte. Na Emdurb, que gerencia o sistema viário, foi detectada há algum tempo a adoção cada vez maior de bicicletas elétricas, movidas a bateria, na área urbana.


O gerente e engenheiro do setor de trânsito da Emdurb, Nélson Augusto Neto, então levou à presidência da empresa municipal a necessidade de regulamentar, com a criação de lei pela Câmara Municipal de Bauru, esse tipo de transporte.


Uma lei estabeleceu em Bauru, no final do ano passado, a obrigatoriedade de cadastramento e licenciamento desse tipo de bicicleta.

Uso de etanol cresce 50% na região


Na outra ponta, as vendas de gasolina nos 400 postos sob domínio do Sincopetro caíram pela metade no comparativo feito com o ano passado


Os efeitos diretos no bolso do consumidor fizeram as vendas de etanol crescerem 50% neste ano, no comparativo com o mesmo período de 2014, e na outra ponta, a compra da gasolina caiu também pela metade nos postos de Bauru e região. No mercado paulista de combustíveis, aliás, a presença maciça de usinas de açúcar e álcool em todas as regiões tem literalmente “salvado a lavoura”, como se diz no campo.


A avaliação é do vice-presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Antônio Reghine. A organização representa 400 postos em uma área de cobertura que vai de Botucatu a Penápolis. “Para o mesmo período dos primeiros meses do ano passado, a venda de etanol na bomba subiu 50% e a da gasolina caiu 50%.

O Estado de São Paulo protege o preço do etanol em razão da existência de grande oferta da produção, pois temos a maioria das usinas no Estado. Em Santa Catarina, Rio de Janeiro e Norte e Nordeste a situação é bem ruim e lá os preços são bem maiores do que aqui, porque tem pouca cana próxima do mercado consumidor”, comenta.


Reghine acrescenta, nesse raciocínio, o fato do governo federal ter retomado a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) e PIS/Cofins que atingiu R$ 0,22 por litro para a gasolina. Já no caso do álcool, a oferta em volume capaz de suportar a demanda reduz o efeito. “A safra nas usinas começa agora e a tecnologia e técnicas empregadas no campo expandiram a produção até novembro. O preço do etanol vai se manter atrativo até o final do ano. Já na gasolina, mesmo com a adição de 27% de álcool na mistura, o fator Petrobras continua pressionando o preço pra cima”, aborda.


Segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), do governo estadual, a plantação de cana atinge 5,5 milhões de hectares em São Paulo, gerando produção em 2014 de 401,2 milhões de toneladas com mecanização de 84,8% na colheita. É um terço de toda a área agricultável paulista.


Mar de usinas


Para sustentar a análise do representante do Sincopetro, conforme a associação Nova Cana, só o Estado conta com registro de 176 usinas, em um total de 228 no Sudeste. “Tem usina de cana e álcool espalhada pelo Estado todo, o que garante oferta e preço final”, diz. O Sul conta com apenas 32 unidades registradas, o Rio de Janeiro com quatro, o Espírito Santo com seis, Minas Gerais com 42, o Centro-Oeste 70, o Norte do País com apenas quatro e o Nordeste 74.


Aliás, Paraná, São Paulo, Goiás, Minas e Mato Grosso do Sul juntos respondem por 85% do volume de álcool hidratado no País. “Pode anotar que o preço do álcool não terá sobressaltos até novembro, porque não há sinais de problema de oferta”, reforça Reghine. Nos municípios paulistas a presença do “mar de usinas” também reduz o impacto do custo do frete para o produto. “Em São Paulo isso representa entre R$ 0,2 e R$ 0,3 por litro, porque tem cana pra todo lado”, destaca.


Revólver do tanque ‘baleia’ rotina do consumidor


Cada um tem um “sentimento” e uma relação com seu bolso ao falar sobre os efeitos do preço dos combustíveis no cotidiano. O fato é que a continha da gasolina está causando reviravolta em todas as frentes. No Estado de São Paulo, por sorte sazonal, o efeito ainda é menor sobre a economia das famílias do que em outras paragens brasileiras. Por aqui, “estamos cercados de usinas de álcool”, que tem segurado, e muito, a onda da escalada de preços no setor.


Antes de ouvir a voz das ruas, uma avaliação preliminar do doutor em doutor em engenharia de transportes pela USP, Archimedes Raia Júnior: “Tem sido e continua sendo sempre um sonho de qualquer brasileiro ter o seu carro, mesmo que isso custe reduzir até a comida da mesa. Mas com os altos custos de combustíveis e manutenção, ficam também comprometidas a manutenção e a regularidade dos veículos, podendo aumentar ainda mais o risco de acidentes e suas consequências”.


O preço dos combustíveis levou a corretora de imóveis Marlene Garcia Nunes a mudar o comportamento com o veículo em duas situações. Ela conta que ligar o ar condicionado no carro agora só em situações de muito calor. Além disso, depurou o planejamento para as visitas a imóveis, conciliando a agenda.


“Uso muito menos o aparelho de ar condicionado do carro e faço planejamento do meu trajeto. Sou corretora de imóveis, rodo dia todo, então estou agendando visitas por região. Conciliar a agenda ou reagendar visitas que não deram certo para horários e endereços próximos de locais já marcados faz toda a diferença no final do mês.”


João Oliveira, operário em uma empresa instalada no Distrito Industrial, foi ainda mais radical. No seu caso, por extrema necessidade. “O orçamento apertou de tal jeito que o carro primeiro deu lugar a uma moto, mais econômica. Mas as coisas não estão fáceis, então a moto fica em casa e faço o trajeto até o trabalho de bicicleta, todo dia. Tive de cortar a despesa com gasolina porque não estava conseguindo bancar”, cita.


Mãe de dois filhos, a motorista para todas as horas da família Liliane Rodrigues foi direto ao ponto, enquanto entregava o “trintão” para alguns litros a mais no tanque de seu Gol, na última quinta-feira: “Não dá para bancar a ‘mãetorista’ sem regras mais. ‘Tá’ pesando muito no bolso e eu uso o carro pra tudo, pra levar filhos na escola, para ir ao trabalho, atender a mãe, ir ao mercado”.


O frentista que a atendeu, Luiz Carlos do Prado, confirma que gasolina agora não irrita somente os olhos. “Dói no bolso e muito. O povo está reclamando muito do preço dos combustíveis.”

Sindicato critica diferença de preços


O vice-presidente regional do Sincopetro em Bauru diz que a distribuição de usinas e o custo reduzido do frete não justificam grandes variações

Preços médios

Cidade (R$/litro)  Gasolina comum   Etanol 

Ribeirão Preto          3,38                    2,28

Bauru                          3,20                    1,80 Marília                         3,19                    1,99

Franca                        3,29                    2,19

Para o vice-presidente regional do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), José Antônio Reghine, a distribuição de usinas e a incidência reduzida do custo do frete sobre os produtos não justifica grandes diferenças de preços entre postos na região e mesmo no Estado.


“Essas diferenças pontuais que aparecem de R$ 0,10 por litro têm origem na guerra de preços. Um ou outro posto, conforme seu caixa e estoque, entra mais agressivo no mercado para tentar atrair ou manter clientes. Mas em matéria de mercado e de custo do produto, as margens não justificam isso. E não tem nada de cartel, é política de preço nivelada mesmo para a maioria dos proprietários”, sustenta.


Segundo ele, alguns empresários “saem dando tiro pra todo lado, reduzindo o preço para guerrear no mercado. Faz parte. Mas os custos fixos são iguais em frete, funcionários, água, luz, telefone e impostos. Então, o que acontece em cada bairro de cada cidade é que a margem do preço cobrado é balizada pela ação do vizinho. Se o concorrente da praça baixa R$ 0,02 o litro, o outro vai atrás, senão o cliente muda de lugar, não tem jeito”, opina.


Em matéria de comportamento de consumo, o vice-presidente regional do Sincopetro considera que há dois clientes típicos. “O sujeito que só entra no posto pra completar o tanque continua fazendo isso. E ele usa isso como forma de acompanhar quanto o carro consome e quanto pesa encher o tanque no bolso. Quem compra fatiado continua fazendo ainda mais isso com o aumento no custo da gasolina por exemplo”, avalia.


Mas Reghine não vê efeito em abastecer “picado”. “A sensação pode ser só psicológica, porque para o bolso não resolve nada. E se o consumidor precisa do carro vai ter de voltar ao posto mais vezes pra abastecer. E colocar R$ 10,00, R$ 20,00 não resolve e mantém o carro rodando muito perto do limite, o que com o tempo gera problemas com bomba do tanque”, lembra.


Em outras cidades, aliás, a mudança de comportamento no abastecimento se repete. De Ribeirão Preto, a arquiteta Marina Castanheira diz que reduziu a quantidade de vezes em que usa o carro. “Normalmente saio ou de ônibus ou a pé, se o lugar for relativamente perto. Quanto aos preços, acredito que hoje nas cidades vizinhas está igual ao valor cobrado em Ribeirão”.


Por lá, Castanheira conta que ainda existem muitas usinas na região, embora a falência também tenha atingido algumas unidades. De Ribeirão, mas morando em Bauru, a jornalista Ivys Silva conta que o preço aqui é menor do que em sua terra natal. “Sempre completo o tanque em Bauru antes de viajar para Ribeirão, e se estou lá só coloco álcool o suficiente para chegar em Bauru. E viajo todo final de semana, o que me levou a dividir o custo do combustível com amigos”, menciona.


De Marília, Alex Aguiar de Carvalho cita que ainda não alterou a rotina em razão dos preços. “Não tive grandes mudanças na rotina, embora tenha usado um pouco mais a moto do que o carro, mas não tenho deixado de ir aos lugares a que costumava ir”, fala.


Sobre o preço, ele considera que em Marília o combustível está com valor “um pouco mais baixo do que em cidades próximas a que costumo ir. Há diferença de apenas 10 a 15 centavos o litro”.


O advogado Luiz Alberto Lago Júnior mudou sua relação com o transporte em Franca. “Passei a usar mais a moto e menos o carro. O combustível em Franca é o mais caro da região. Batatais está a 40 km daqui e lá o preço do litro é cerca de 15% mais barato.”

Com mais peso no orçamento, o jeito é adequar

Malavolta Jr.

Gerente de posto Rafael Milan: “Álcool segura as pontas no volume final de vendas”

Basta encostar em um posto de combustível que os consumidores vão, um a um, comentando sobre as dificuldades com o tanque do carro. Ninguém se arriscou a comemorar a onda de preços. E por motivos óbvios: despesa em alta!


O administrador Guilherme Garcia considera que abastecer o carro está bem mais salgado que antes. “Estou dando uma maneirada. Está bem mais salgado e eu trabalho com o carro, dependo dele”, diz.


O gerente de posto Rafael Milan confirma que o “álcool segura as pontas no

Malavolta Jr.

O administrador Guilherme Garcia considera que abastecer o carro está bem mais salgado

volume final de vendas”. “Como o preço do álcool continua bem mais baixo que a gasolina, quem tem carro flex põe quase sempre álcool. Aqui as vendas de álcool aumentaram em 30% e da gasolina caíram 30%. E quem abastecia fatiado continua fatiando ainda mais. O ‘deizão’ é cada vez mais comum”, comenta.

Malavolta Jr.

O eletricista João Roberto Pires vai cobrar a corrida para pedidos de orçamento distantes

O eletricista João Roberto Pires diz que agora vai cobrar a corrida para pedidos de orçamento distantes de sua casa. “Com R$ 50,00 eu rodava a semana inteira para fazer serviço. Agora dá para três dias só. Eu vou começar a cobrar a visita para pedidos de orçamento em locais distantes, senão nem compensa ir fazer o orçamento”, observa.


A dona de casa e cuidadora Claúdia de Souza lamenta: “Está bem dolorido abastecer e eu ainda venho muitas vezes de Piratininga para Bauru porque tenho um irmão especial que faz tratamento em Bauru. O jeito agora é ligar o motor para fazer o estritamente necessário”.

Malavolta Jr.

Claúdia: “Está bem dolorido abastecer e eu ainda venho muitas vezes de Piratininga”

Eliane Mussi resume a essência da “nova onda”: “Otimização! Faço uma lista de coisas que preciso cumprir. Deixo um dia somente para essas coisas: supermercado, pagar contas, comprar água, remédios, etc... Coisas que posso fazer perto de casa, faço caminhando... Ar condicionado, nem pensar”, finaliza.

Elaine Martins se apoia na linha mais “naturalista”. “Estamos usando mais etanol e indo à caça de preços mais baixos. E, sempre que for possível ir a pé, deixamos o carro na garagem”.


Pra fechar o balanço, o jornalista Sérgio Bento dá seu recado muito bem intencionado: “Procure o melhor preço, pois existem diferenças significativas de um posto para outro. Aproveite a ‘onda verde’ nas avenidas. Ou seja, se observar sinal fechado (vermelho) ao longe, diminua a marcha para passar na boa. A diferença ocorre porque o veículo gasta mais combustível para sair da inércia para o movimento (sem falar no gasto parado até o sinal abrir)”.