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João Rosan |
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Nathália Maluf Pires e Gulit Augusto Silva, funcionários da oficina ortopédica da Apae, produzem órteses |
Conhecidas por seus trabalhos assistenciais em diversas áreas e atendimento a famílias carentes, muitas instituições filantrópicas bauruenses mantêm oficinas em suas dependências, que produzem para a geração de renda. São itens que vão desde o artesanato e marcenaria, até a produção de órteses e próteses ortopédicas.
Quando o assunto são as oficinas ortopédicas, destacam-se a Sorri e a Apae, com profissionais qualificados que produzem órteses, próteses e equipamentos de locomoção, como cadeiras de rodas (com adequações posturais), próteses para membros inferiores e superiores, coletes, andadores, cadeiras de banho, muletas, talas e posicionadores, sapatos ortopédicos e palmilhas. Todos esses equipamentos são individualizados e adequados para cada pessoa, de acordo com suas medidas e forma de uso.
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João Rosan |
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“Nossa oficina produz cerca de 80 equipamentos ortopédicos por mês”, comenta o gerente administrativo da Unidade de Saúde da Apae, Álvaro Carvalho Munhoz |
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) é a mais antiga das entidades beneficentes de Bauru (a Apae completou 50 anos em janeiro) e abriga a oficina ortopédica desde 2003. Segundo o gerente administrativo da Unidade de Saúde da fundação, Álvaro Carvalho Munhoz, a oficina produz cerca de 80 equipamentos ortopédicos por mês.
A maior parte dos aparelhos atende pacientes do SUS, já que a oficina é componente da Atenção Especializada da Rede de Atenção à Pessoa com Deficiência, integrante do Plano Viver Sem Limite do governo federal. O mesmo acontece com a Sorri (As duas entidades fazem parte da rede gerenciada pela Secretaria de Saúde de Bauru a partir do novo convênio e credenciamento de ambas como Centros Especializados em Reabilitação (CER) pelo Ministério da Saúde, e integram a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) de Atenção à Pessoa Com Deficiência na região).
Financeiro e assistencial
Ainda de acordo com Munhoz, a renda obtida pela oficina ortopédica ajuda no orçamento da entidade, porém, mais do que isso, é importante porque os assistidos pela instituição são beneficiados pela produção. A oficina ortopédica da Apae conta com 11 funcionários.
Além de oferecer qualidade, baratear os custos e promover a socialização estão entre os objetivos do trabalho desenvolvido na oficina, como conta o coordenador da produção, Sandro Augusto Godiano.
“Uma peça nova que estamos produzindo é o cantinho protetor para brincar na areia. Normalmente, a peça é importada e não custa barato, mas estamos produzindo com um material mais acessível e de igual qualidade. O protetor central (removível para adaptação de acordo com o tamanho do usuário) é feito com cano de PVC e revestido”, comenta.
Qualidade
Segundo Munhoz, da Apae, a produção também pode ser comercializada fora dos convênios, por particulares. “Há quem não queira esperar pela autorização e liberação da Secretaria da Saúde, o que pode levar mais de 40 dias, no caso de uma cadeira de rodas, por exemplo. Já vendemos equipamentos para clientes de Minas Gerais e Brasília. Um de nossos pacientes é trazido para Bauru de jatinho pelo avô, que não abre mão da qualidade dos equipamentos da nossa oficina. Acreditamos que a qualidade e o prazo fazem a diferença. Os pacientes precisam dos equipamentos para ontem”.
Estesiômetro é patenteado e comercializado também no Exterior
Desenvolvido pela Sorri, aparelho identifica a perda de sensibilidade
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Éder Azevedo |
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Aparelho identifica a perda de sensibilidade cutânea |
Produzido desde 1991 e patenteado pela Sorri-Bauru, o estesiômetro é um conjunto que possibilita identificar a perda de sensibilidade cutânea, o que permite avaliar o grau de evolução de doenças como diabetes e hanseníase, além de auxiliar na prevenção de lesões e risco de amputação. Reconhecido e comprovado pelo Ministério da Saúde, o kit é distribuído e comercializado em todo o Brasil. Também já foi vendido para países como Holanda, Suíça, Estados Unidos, Nova Zelândia, Inglaterra, Portugal, Austrália e diversas localidades da África e Ásia.
O estojo contém seis instrumentos utilizados por médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, podólogos e enfermeiros. Segundo o responsável técnico, Renato Giancoli Busnardo, a entidade produz cerca de 1.500 conjuntos por mês do produto. “O destino são os hospitais, centros de reabilitação, clínicas médicas e lojas especializadas na revenda de produtos hospitalares”, enumera.
O dinheiro arrecadado com a venda do aparelho é revertido para os programas de reabilitação proporcionados pela instituição.
Produzidos nas instituições, aparelhos têm custo menor
A oficina ortopédica da Sorri produz, em média, 300 equipamentos por mês. São órteses, próteses, adequações em cadeiras de rodas e outros equipamentos que possibilitam maior independência para seus usuários. Boa parte da produção é destinada aos pacientes da entidade e, quando produzidos na instituição, os equipamentos têm os custos reduzidos, segundo Renato Giancoli Busnardo, responsável técnico pelo andador reverso, uma das produções da oficina.
“Além de baratear os custos, as peças são feitas de acordo com a necessidade de quem vai usá-la. O andador reverso, por exemplo, fica atrás da criança e facilita o equilíbrio, a postura e a locomoção. Pode ser usado por adultos e crianças”, defende.
De acordo com a supervisora de tecnologia assistiva, Luciana Marçal da Silva, a verba gerada pela oficina ortopédica é muito importante para os programas assistenciais da entidade. “Os municípios que não são contemplados com os programas do Centro Especializado em Reabilitação (CER), do Ministério da Saúde, podem adquirir os equipamentos com a venda particular.
Além dos artigos contemplados no programa da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) de Atenção à Pessoa Com Deficiência na região, a Sorri ainda desenvolve, produz e oferece diversos produtos para auxiliar na independência e movimentos dos deficientes físicos. Teclados adaptados para computadores, sapatos ortopédicos, talheres especiais, copos, pratos, escova de cabelos, cortadores de unhas e adaptador para lápis estão entre eles. Tudo é pensado para aumentar a independência de crianças e adultos com deficiências e necessidades especiais.
“No caso da cadeira de rodas, vale lembrar que elas são modernas, possuem rodinhas antitombo e outras adaptações. Adquirimos a estrutura metálica pronta e realizamos a adequação postural, seguindo a necessidade de cada indivíduo”, explica.
Entre bonecos de tecido, jogos de madeira e outras belezas artesanais
Peças confeccionadas em tecido e madeira também geram renda para entidades; maioria é vendida em feiras
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Éder Azevedo |
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Jogos e brinquedos são produzidos na oficina de marcenaria do Projeto Girassol e vendidos em feiras |
Bastante comuns nas entidades assistenciais de Bauru são as peças de artesanato produzidas para aumentar a verba dessas organizações. Em muitos casos, as feiras de artesanato da cidade são as vitrines de tais trabalhos.
Pedaços de tecido, linha e agulha ganham vida na oficina do projeto Girassol e se transformam em bonecos e almofadas animadas. Da sede do projeto mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), no bairro Fortunato Rocha Lima, as peças encantam e são vendidas em feiras de artesanato, como a Festa do Amor e Caridade (Festac) e Feiramor, promovidas pela União das Sociedades Espíritas (USE) de Bauru e região.
Além da oficina de tecido, o projeto mantém uma oficina de madeira, guiada pelo artista plástico e professor Gastão Carvalho Debreix, em uma parceria mantida pela Secretaria Municipal de Cultura. São brinquedos e jogos educativos que incentivam a criatividade.
Valorosos
De acordo com a assistente social e administradora do projeto Girassol, Kelly Tavares, o dinheiro obtido com a venda do artesanato produzido pelas oficinas é revertido em passeios para os alunos e compra de bens permanentes.
“É uma renda bastante importante para o projeto, sim. Mas não conseguimos produzir muito, porque os alunos, com idades entre 12 e 14 anos, confeccionam as peças de acordo com o seu tempo. Mas a próxima feira será na Festac e está marcada para maio. Queremos levar aproximadamente 100 bonecos e 30 peças de madeira”, projeta.
‘Tecidos que viram renda’
Na Sorri, também há oficinas de artesanato cujas peças produzidas se transformam em atração e são vendidas em exposições e feiras de artesanato.
Há seis meses, a dona de casa Kátia Andréa Rodrigues aproveita o tempo de atendimento do filho de 7 anos na Sorri para aprender corte e costura. “Ele passa por atendimentos de fisioterapia, psicologia e faz teatro e artesanato. Enquanto espero, aprendo. Entrei sem a menor noção sobre a costura, e já aprendi a fazer saia, bolsa. É uma maneira de aprender para produzir em casa e aumentar nossa renda”.
Já a educadora social Éster Leite Araújo Sales ressalta a importância dos cursos não apenas para produzir peças, que são vendidas à comunidade em prol da Sorri, mas pelo valor social que as atividades têm ao ensinarem uma profissão. “O mesmo ocorre com as oficinas de artesanato e culinária”, enfatiza.