10 de julho de 2026
Política

"Fora Dilma" terá novo ato em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

 Malavolta Jr.

Gabriel Machado Loureiro, Rodolfo Peres e Paulo Eduardo Ladeira estão à frente da organização do movimento em Bauru

Após mais de 10 mil pessoas se concentrarem na avenida Getúlio Vargas pedindo a saída da presidente Dilma Rousseff (PT) no dia 15 de março, um novo ato está agendado para o próximo domingo em todo o Brasil, e novamente haverá manifestações em Bauru, informam os dirigentes dos grupos Direita Bauru e Juventude Bauru, que estão à frente do evento.


Desta vez, a meta é reunir 30 mil pessoas a partir das 9h do dia 12 de abril, mais uma vez com concentração em frente à sede da Polícia Federal, na avenida Getúlio Vargas. “Agora, a ideia é que cada pessoa que foi no ato de 15 de março volte e leve mais dois ou três conhecidos, familiares ou amigos”, explica Gabriel Machado Loureiro, do Grupo ‘Direita Bauru’. Em todo o Brasil, foram cerca de 2 milhões de manifestantes no dia 15 passado, e a estimativa é que desta vez este número salte para 8 milhões.


Quem também está na organização do ato na cidade é o grupo ‘Juventude Bauru’. Integrantes do movimento, Rodolfo Peres e Paulo Eduardo Ladeira comentam como serão as ações. “A concentração começa às 9h, e o ato vai até as 12h. A gente entende que as pessoas que foram no mês passado não podem se acomodar e achar que já fizeram sua parte. Tem que voltar para a rua e levar mais gente. O movimento é pela saída da presidente Dilma e também pelo combate à corrupção em todos os níveis: federal, estadual e municipal, em qualquer parte do País, e por conta da instabilidade política e econômica”, pontua Peres. O grupo entende que há ainda um esgotamento da esquerda no Brasil.


“É importante frisar que a manifestação acontece em um domingo que é para o trabalhador poder participar, porque quem trabalha não tem como fazer esse tipo de ato durante a semana. Teremos novamente mais um carro de som também, pelo menos”, completa. Os organizadores pedem ainda que as pessoas confirmem presença através da página do evento no Facebook (Passeata pela renúncia de Dilma Rousseff - Bauru). “Isso ajuda para que tenhamos uma noção de quantos devem ir, o que é importante para o policiamento. É importante destacar que no primeiro ato não houve nenhum tipo de violência, foi totalmente pacífico”, frisa.


Sem militarismo


Questionados se o ato é favorável à intervenção militar no Brasil, como alguns cartazes sugeriram no ato de março, os organizadores repudiam. “Não é uma posição nossa, muito pelo contrário. Somos a favor da liberdade de expressão e da democracia, de nossa parte somos contra qualquer tipo de intervenção militar no País. No dia 15 o que houve foram manifestações isoladas de algumas pessoas pedindo isso, mas de forma alguma representa o pensamento da maioria”, argumenta Loureiro.


Para a manifestação do próximo domingo, os organizadores solicitaram ao Departamento de Água e Esgoto (DAE) que o Município forneça água aos participantes, como ocorre em outros eventos na cidade. Sobre o fato do protesto ter novamente a Getúlio Vargas como cenário, eles justificam. “É uma via que já fica fechada parcialmente aos domingos pela manhã, então não vamos atrapalhar o trânsito. Não queremos atrapalhar a vida de quem não quer participar do ato, seria complicado interditar a Nações Unidas, Rodrigues Alves ou Duque de Caxias”, explica Ladeira.


Desta vez, eles pedem ainda que as pessoas levem apitos, buzinas e cornetas, pois houve dificuldade em distribuir esse tipo de material no primeiro ato. Há ainda a recomendação para que os participantes vistam apenas as cores da bandeira do Brasil (verde, amarelo, azul e branco). “O movimento é apartidário e é livre para quem quiser participar a favor da saída da Dilma e pelo fim da corrupção. Mas até por ser apartidário, o uso de qualquer adereço com símbolos de partidos não é bem vindo”, afirma Loureiro.


Abaixo-assinado


Os organizadores  confirmam que farão uma panfletagem no Calçadão no sábado, véspera do ato, durante a manhã. “O objetivo é que todos possam participar, independente de onde morem, da profissão. É um ato contra o que vem acontecendo no governo do País”, explica Peres.


Em âmbito nacional, está sendo organizado também um abaixo-assinado, com objetivo de recolher um milhão de assinaturas, para ser entregue ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB/RJ), para que se abra processo de impeachment contra a presidente.


Juristas de todo o Brasil divergem sobre a legalidade de pedido de impeachment, uma vez que não existem provas efetivas diretas contra a presidente nos casos de corrupção, mas sim de outros membros que fizeram parte do governo, e estas irregularidades teriam que ocorrer no atual mandato presidencial. O que também não impede que cidadãos se organizem pedindo a saída de um governante.


“É importante frisar que a presidente tem um apoio popular muito baixo, basta ver a última pesquisa do Ibope”, aponta Ladeira. Ele se refere à pesquisa publicada na última semana, em que a aprovação do governo Dilma é de 12% dos entrevistados, contra 23% que consideram o governo regular e 64% que o consideram ruim/péssimo.


Na ata da organização local da manifestação do dia 12 de abril, os integrantes citam que a passeata pede ainda a investigação de todos os políticos envolvidos na Operação Lava Jato, mais rigor na aplicação da Lei da Ficha Limpa e o início de uma reforma política apenas quando a Ficha Limpa estiver sendo cumprida de fato. O grupo pede ainda uma posição concreta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre os escândalos de corrupção no País.