A pesquisa CNI/Ibope divulgada na última semana apontou que a aprovação da presidente Dilma Rousseff caiu 33 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior encomendada nos mesmos moldes. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), Dilma iniciou “seu segundo mandato com o pior índice de popularidade do seu governo”.
Se a gente conversar com o eleitor, de fato, em muitos cantos há descontentamento. Seria normal, já que o final de seu primeiro mandato não foi uma unanimidade, e ela venceu o segundo por uma pequena margem contra Aécio Neves. Mas muitos, também, dos eleitores que votaram nela estão mostrando descontentamento por causa das turbulências e apertos econômicos. Está difícil para o governo Dilma cumprir suas promessas de campanha. Resultado: a insatisfação é grande, como comprova a pesquisa (leia abaixo).
Nome constrangedor
Mas não é só o governo da presidente que “paga o pato”. Constrangidas, mulheres que têm o mesmo nome da presidente estão num momento difícil de carregar esse fardo. Três delas assumem que estão sendo vítimas de piadinhas, e dão conselhos para a “xará ilustre” melhorar na condução do País. O JC foi ouvi-las, de forma bem-humorada. E como atrás de toda brincadeira existe um fundo de verdade, que os conselhos sejam ouvidos. Confira!
A advogada fala sobre o efeito ‘inferno astral’
Mãe de “dois filhos lindos”, casada com o atual presidente da Subseção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a também advogada Dilma de Marchi reage com bom humor à comparação e às piadinhas que a envolvem.
“Funcionários públicos já me pediram aumento, já me pediram para eu assinar projeto de lei, e assim vai”, diz, reconhecendo que a visão atual é de que “tudo é culpa da Dilma”.
Às vezes ela até antecipa a conversa se eximindo da culpa e dizendo que “não tenho nada a ver com aquela situação”. E conta uma historinha: “Dia desses entrei na sala de audiência quando percebi a apregoação de uma audiência mencionando o partido do PT, já indaguei em tom de brincadeira se eu seria útil”... Claro, todos riram.
Pressões
Dilma deveria administrar a casa Brasil como uma superempresária. “Esperamos que governe como presidente de um país que é”. E não deveria, em hipótese alguma, ter seu nome envolvido em qualquer tipo de corrupção ou prática de crime.
Mas ela concorda que a presidente vive um inferno astral. E tem consciência também de que a presidente enfrenta muitos problemas e pressões. “Cada um sabe do fardo que carrega, entretanto, eu falaria pra ela que a pressão faz parte do cargo que ela escolheu e, com certeza, ela optando pela reeleição deveria saber e estar acostumada com isso”, diz, referindo-se às pressões vindas de outros setores políticos como o Congresso Nacional.
“Este não é um bom momento para ela e nem para o partido, mas também acredito que é reflexo dos seus próprios atos, porque parece que foi omissa em muitos”, diz, sem deixar de escapar uma crítica.
A cantora e empresária acha que há fragilidade
Com a questão da omissão, concorda outra Dilma, a cantora, empresária e dona de bar Dilma Rosângela Munhoz, para quem é evidente que a presidente Dilma forte, corajosa, “se perdeu”.
Dilma Rosângela, inclusive, estranha o comportamento da presidente de aparentemente ceder a pressões políticas, porque havia construído em sua mente uma imagem de uma mulher mais séria, centrada, cabia a ela as rédeas da condução política e econômica do país. Para a empresária, a presidente era uma mulher “que sabia o que queria, não fazia concessões, batia muito no peito”. Esse é um item que a deixa intrigada.
Hoje, para a empresária, a presidente não teria que dar bola para as pressões. “Imagino que a pressão seja grande, mas ela não tem que sofrer nem ceder por isso. Ela sabe o que é certo e o que é errado. Tem que fazer o certo e ficar firme”. E complementa: “Se existe essa pressão, fatores alheios, é porque ela permite”, analisa.
Investir na educação
Neste momento Dilma Rosângela está preocupada com o futuro dos jovens, com a educação. “O estudo tem que estar em primeiro lugar. Quem estuda e trabalha tem menos tempo de fazer maldade. Deveríamos ter mais faculdade e menos presídios”. Indignada, ela lembra que hoje em dia, “no País se rouba por pouco, se mata por nada, os educadores não são valorizados, já não têm a mesma firmeza. Investir mais na educação em primeiro lugar”.
Aliás, como educação também é algo que vem de berço, com educação ela refuta as piadinhas de que é vítima, “algumas de muito mau gosto”. No máximo se permite reproduzir o que diz um grupo de clientes do seu bar que promete fazer uma “vaquinha” para pagar um processo para ela trocar de nome, conta já com bom humor.
A aposentada pede a Deus luz para Dilma
Para Dilma Paes Alzani, aposentada como secretária, as piadas sim, muitas vezes, chegam até a ser desagradáveis. Mas há as compensações. “Quem me conhece fala - ah, sim, nessa Dilma eu votaria, eu acreditaria”. Mas esta Dilma lembra um episódio chato durante a Copa do Mundo, quando a presidente foi vaiada.
“Nesse episódio, em que o público em um só coro a ofendeu, eu não conseguia ouvir essas ofensas. Sei inclusive que não era comigo, mas era meu nome”.
Com um casal de filhos e um casal de netos, a aposentadoria não deixou Dilma Alzani acomodada. Ao contrário. Tem inúmeras atividades. “Procuro sempre ajudar quem precisa”. Bastante religiosa, é catequista, coordenadora dos coroinhas e faz parte de um grupo de viúvas da comunidade, além de ser atuante no grupo Suavidade da Luso, por isso, escuta vários tipos de opiniões.
É esse lado mais dinâmico, preocupando-se com o próximo, que a aposentada Dilma Alzani quer ver na presidente Dilma Rousseff.
“Eu acho que ela deveria governar com sabedoria, colocando-se no lugar do povo”. E acha que a presidente tem condições de fazer isso. “Afinal, ela é uma lutadora, luta desde moça e sabe a dificuldade da vida do povo brasileiro”.
Inclusive, Dilma Alzani teme pela vida da presidente: “Ela não pode renunciar, é muito pressionada por um certo bando (diz, sem citar nomes), e acho que se ela pedir para sair essas pessoas do mal a matam, tamanho são os interesses que a cercam.”
Prece divina
Neste momento difícil de crise para o País, “se eu fosse ela, primeira coisa que faria era, ao acordar, ficar em silêncio e ouvir a voz de Deus”, sugere. E pediria com muita fé em Deus para guia-lá em todas as decisões.
Se pudesse, ela diria para a presidente Dilma falar com Deus e dizer assim “o que vamos fazer juntos hoje, meu Deus, para o nosso povo brasileiro tão sofredor?”, conta, na certeza de quem tem fé em que alguém cuida da gente. “Amo muito minha família, meus amigos, enfim, amo a vida. Eu, Dilma Paes Alzani, sei que lá em cima tem um Deus que cuida de mim”.
78% de desaprovação
A aprovação da presidente, segundo a pesquisa, caiu em comparação com o último levantamento de dados promovido pela CNI.
“O percentual da população que considera o governo ótimo ou bom diminuiu de 40% para 12%. Dentre os entrevistados, 78% desaprovam sua maneira de governar e 74% não confiam na presidente”, informa.
De acordo com a CNI, foram entrevistadas 2.002 pessoas, em 142 municípios, entre os dias 21 e 25 de março. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.