Em São Paulo, apenas 3% dos jovens atendidos pela Fundação Casa cometeram crimes hediondos e violentos; 97% estão sendo ressocializados por razões mais leves e diversas, dizem dados oficiais. Reflitamos. Existem dois modos de se lidar com adolescentes. 1) O jeito mais fácil: punir, prender, excluir, torturar, enfim, marginalizá-los. 2) O jeito mais difícil: educar, ouvir, incluir, respeitar, enfim, humanizá-los. Ou seja, o atalho irresponsável é procurar jogá-los para sofrer nas nossas masmorras medievais (vulgo: cadeias). Este é o projeto de ?higienização social? de sempre, que se repete em diversos momentos históricos sob muitas máscaras, mas a finalidade intrínseca é sempre a mesma: matar o outro, fraco, que estiver dando algum problema.
Enfim, já o caminho mais estratégico, que é pela melhoria da educação básica e pela diminuição das desigualdades econômicas, é muito trabalhoso; este é um projeto de médio e longo prazos e, por isso mesmo, é sempre muito difícil de encontrar cidadãos com disposição e consciência para militar em sua defesa.
Wellington Martins