Calcula-se uma cifra de 700 mil a um milhão de pessoas a população portuguesa em 1500. Para o Brasil daquela época, os historiadores consideram 1 milhão e 500 mil índios pertencentes a 1.000 etnias. A tripulação de Cabral era composta de 1.350 homens. O mundo girou e hoje, ao lado de nossos 202 milhoes de habitantes, os portugueses mostram uma população de 10 milhões e 500 mil habitantes.
Ou seja, em Portugal vivem menos pessoas que em S.Paulo, que hoje conta com 11 milhões de habitantes. Estatísticas européias mostram hoje, para nossa tristeza, que em 37 cidades europeias analisadas sobre o aspecto de poluição, Lisboa está em penúltimo. Só ganha de Luxemburgo.
Nesta análise, considera-se inclusive o dióxido de azoto existente no ar que se respira, e que está em quantidade maior que o máximo permitido pela legislação européia. Pertencente a uma geração que adora Portugal, com professores que exigiam o conhecimento dos Lusíadas e dos sonetos de Camões, alem das lições filosóficas que residem nos poemas de Álvaro de Campos, nome venerado pelos aficcionados do ?indisciplinador de almas?, como o chamou Jorge de Sena. Caso vocês, caro leitor e cara leitora, andarem pela rua da Prata ou dos Douradores ou dos Fanqueiros, em Lisboa, ou entrarem no Bar Martinho ou dos Irmãos Unidos e perguntarem sobre Pessoa, não se assustem se alguém lhes responder sobre Álvaro de Campos, cognome de Fernando Pessoa.
O poeta é uma espécie de religião portuguesa e Álvaro de Campos uma espécie de missa desse poeta. Um está geneticamente ligado ao outro. Antes da despedida, me desculpem, caros leitores, aai aqui uma amostra do querido ídolo. ?Brincava a criança com um carro de boi. Sentiu-se brincando, e disse, eu sou dois?. Das Inéditas, de Pessoa, de1919 a 1935.
Rui Bertoti