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Malavolta Jr./Arquivo |
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Júlia Keine de Souza foi morta em frente à sua casa por Claudemir da Luz Júnior (no detalhe) |
Júri realizado nessa quinta-feira (9) no Fórum de Bauru condenou Claudemir Teixeira da Luz Júnior por homicídio, com pena afixada em sete anos e seis meses. No dia 18 de janeiro de 2014, com disparo de arma de fogo, ele provocou a morte de Júlia Aparecida Keine de Souza, mãe de um ex-colega de prisão, a quem o condenado havia emprestado dinheiro.
O tempo da condenação foi majorado em um terço em razão da reincidência de Claudemir, que já respondeu por tráfico de drogas. Ainda assim, o advogado do réu, Carlito Dutra de Oliveira, afirmou que a defesa saiu vitoriosa do julgamento.
Isso porque a pena do condenado poderia ter chegado a 15 anos, caso o júri acatasse a acusação da Promotoria de Justiça de que o crime fora cometido por motivo torpe, no caso, uma dívida de drogas.
Segundo o promotor João Henrique Ferreira, o argumento foi afastado porque nem Claudemir nem o filho da vítima e beneficiado pelo suposto empréstimo confessaram o fator qualificador, que enquadraria crime na categoria de hediondo.
O réu também teve a pena reduzida em seis meses por ter admitido a autoria do homicídio.
RECLUSÃO
A sentença proferida pelo juiz Benedito Antônio Okuno prevê que, inicialmente, a pena de Claudemir seja cumprida em regime fechado. No entanto, a expectativa do advogado de defesa é de que, após o julgamento, seu cliente passe, em poucos dias, para o regime semiaberto, no qual poderá sair da penitenciária para trabalhar.
“A condenação por homicídio simples muda totalmente a vida dele. Se a sentença acolhesse a denúncia de qualificado, ele ficaria recluso por até nove anos para, só depois desse período, progredir para o semiaberto. Na situação que ficou, ele tem que cumprir, no fechado, um sexto de cada ano, o que equivale a 15 meses”, explica Carlito.
Como Claudemir já cumpre pena desde o dia 18 de janeiro de 2014 no Centro de Detenção Provisória (CDP), no próximo 18 de abril, ele adquire o direito da progressão. “Vai ter praticamente uma vida normal”, finaliza o advogado.
MOTIVAÇÃO
A dinâmica do julgamento se deu, em grande parte, na motivação do crime. O advogado de defesa diz que, em 2012, Claudemir emprestou R$ 2 mil para o filho da vítima comprar uma moto, tendo assinado dez notas promissórias de R$ 200,00 para parcelar a dívida. O compromisso, no entanto, não foi honrado e o autor do homicídio passou a cobrar o pagamento dos débitos.
Segundo o advogado, seu cliente só se valeu da arma de fogo utilizada no crime para impedir que o filho da vítima reagisse de forma agressiva à cobrança da dívida. “Por conta do histórico dele [filho da vítima], que é muito violento. O acusado [Claudemir] estava sendo ameaçado”, alega.
O CRIME
Júlia Aparecida Keine de Souza foi baleada na cabeça, em frente à sua residência, na quadra 20 da rua Santos Dumont, região do Jardim Bela Vista. A vítima foi socorrida em estado grave e conduzida ao Pronto-Socorro Central, mas não resistiu.
Ela estaria sentada no degrau da porta de casa, quando, por volta das 18h30 do dia 18 de janeiro do ano passado, foi atingida pelo disparo de Claudemir, que estava em um carro Golf preto, e fugiu em seguida.
Cerca de três horas após o crime, equipe da Força Tática da Polícia Militar (PM) conseguiu prender o autor do disparo.