09 de julho de 2026
Regional

PF convoca peritos de Brasília para reconstituir crime

Marcus Liborio e Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Polícia Federal/Divulgação

Reprodução da troca de tiros em Bocaina, quando um agente morreu baleado no peito por criminosos

A Polícia Federal (PF) de Bauru convocou três peritos criminais federais de Brasília para reconstituição da ação que culminou na morte do agente Fábio Ricardo Paiva Luciano, durante operação contra o tráfico de drogas realizada em setembro de 2013, em Bocaina (69 quilômetros de Bauru). Na ocasião houve troca de tiros e uma aeronave utilizada pelos bandidos foi derrubada com 500 quilos de droga.


O objetivo da remontagem dos fatos, segundo o delegado da PF Ênio Bianospino, é reproduzir a dinâmica do crime para facilitar a compreensão da Justiça, uma vez que o caso deve ser levado a júri, para acrescentar pena de homicídio aos quatro acusados que já estão presos por associação criminosa. “É necessário que haja uma ilustração para facilitar a compreensão do júri popular”, explicou Bianospino.


A reprodução, que começou na quarta-feira (8) às 15h e terminou às 20h30, foi feita no local exato onde ocorreu o tiroteio em 2013, na fazenda Santa Emília, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255).


Participaram da ação policiais da Delegacia Federal de Bauru, que serviram como figurantes, e os dois agentes que estavam presentes no momento do confronto. “Tudo foi feito com base na versão deles: o que estava ao lado do policial que morreu e o outro que chegou primeiro para o socorro”, acrescentou o delegado.


A reconstituição ainda contou com o veículo utilizado por Paiva no dia da operação e mais dois: um representando o dos bandidos e outro que seria a primeira viatura que chegou em apoio. Será confeccionado um laudo pericial em Brasília e, quando terminado, anexado ao inquérito. No material vai constar uma representação em formato de quadros, tipo revista em quadrinhos, e um vídeo com narração. “Essa é a última peça que falta para concluir o inquérito”, disse o delegado.


Relembre o caso


No dia 25 de setembro de 2013, por volta das 21h30, policiais federais interceptaram monomotor Cessna, modelo 210, que iria pousar às margens da SP-255, no quilômetro 136, em Bocaina.  O avião, que estava carregado com cerca de 500 quilos de droga, provavelmente pasta base de cocaína, caiu e pegou fogo.


A PF confirmou que o entorpecente foi retirado da aeronave pelos traficantes antes da queda da aeronave. A quadrilha, que aguardava a chegada da droga, trocou tiros com os agentes e Fábio Paiva, 38 anos, levou um tiro no peito, provavelmente de fuzil, foi socorrido, mas morreu no Pronto-Socorro de Jaú.

Prisões


Poucas horas depois da ação, a Polícia Federal (PF) prendeu Adriano Martins Castro, 35 anos; Marcos da Silva Soares, 36 anos; o piloto da aeronave Evandro dos Santos (que estava ferido), 36 anos; e uma mulher. Na manhã seguinte, o acusado Natalin de Freitas Junior, 34 anos, foi preso quando tentava pegar carona na rodovia.


A mulher conseguiu liberdade provisória. “Ela estava no mesmo carro usado pelos criminosos para fugir. O juiz entendeu que não havia provas suficientes para prendê-la”, explicou o delegado Ênio Bianospino.


Os demais tiveram pedidos de liminar em habeas corpus negados pelo Tribunal Regional Federal e permanecem presos. Em novembro, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia à Justiça Federal de Jaú contra os envolvidos pelos crimes de tráfico internacional, posse e porte de arma de uso restrito e organização criminosa.


Agora, a PF tenta adicionar a eles pena de homicídio, em razão da morte do agente Fábio Ricardo Paiva Luciano. “Acredito que a reconstituição vai surtir resultado positivo durante o julgamento”, declarou o delegado.


‘Paiva Luz’


Após seis meses de investigações e 12 mandados expedidos, que tiveram origem a partir da morte do agente Fábio Ricardo Paiva , a Polícia Federal (PF) conseguiu identificar integrantes de organização criminosa que tinha ramificações em vários estados do País e no Paraguai. No total, 24 pessoas foram presas na Operação “Paiva Luz” e outras seis estão sendo procuradas. Entre os detidos estão advogados, médicos e empresários.


O paraguaio José Luis Bogado Quevedo, fornecedor da droga e proprietário do avião incendiado em Bocaina, ainda permanece foragido. No entanto, o líder do grupo, Adriano Aparecido Mena Lugo, acabou preso, assim como o “braço direito” dele, Vágner Maidana.