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Douglas Reis |
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O cadeirante Luís ganhou triciclo motorizado feito pelas mãos do amigo Paulo, o Coxa |
Criatividade, amizade e a vontade de ajudar o próximo foram as peças usadas pelo mecânico Paulo Ferreira Leita, o Coxa, 34 anos, para presentear o amigo Luís Aparecido da Silva, 55 anos. Das mãos habilidosas e da experiência do profissional com motocicletas, surgiu um triciclo motorizado e adaptado às necessidades de Luisinho, como é conhecido na Vila Ipiranga, região da Castelo Branco, onde a dupla nasceu, cresceu e viu a amizade se fortalecer ao longo de uma década.
“E veja só. No dia 4 [de abril] foi meu aniversário de 55 anos. Teria presente melhor?”, comemora o aniversariante. Luís nasceu com uma série de problemas de saúde que o levaram para a mesa de cirurgia algumas vezes e o deixaram na cadeira de rodas.
“Mas, graças a Deus, eu só tenho a agradecer. Tenho saúde e sorte. Muita sorte por ter uma família que sempre me apoiou e por ter amigos. Muitos amigos. Isso é o que me sustenta”, afirma, mostrando que não há dificuldades que o faça perder o otimismo.
Popular (basta perguntar pelo Luisinho da Vila Ipiranga que todos dizem conhecê-lo na região), o cadeirante garante que seu trabalho foi o responsável por suas amizades desde a infância, já que a deficiência física nunca o impediu de realizar ações comuns, como o trabalho ou os estudos. Aos 10 anos de idade, Luisinho já tinha sua própria quitanda, montada com a ajuda do pai.
“Eu nem conhecia dinheiro. Os clientes contavam, faziam o troco”. Além de vender títulos de capitalização, Luisinho também trabalha com coleta de recicláveis. “Eu nunca tive renda fixa. Recentemente, consegui me aposentar, mas vou precisar de muitos bicos para abastecer minha cadeira nova com combustível”, diz, bem humorado.
Ainda emocionado com o presente, o cadeirante revela que nunca pensou em ter um veículo motorizado por suas condições financeiras. “Foi quando eu decidi fazer para ele um com minhas próprias mãos. Já tinha gostado de um exemplo que vi nas ruas em uma viagem que fiz a Santa Catarina há uns quatro anos. E fui juntando as peças. Fazendo uma adaptação aqui, outra ali. Sempre chamando o Luís para ver a evolução do trabalho e para adaptar tudo de acordo com o que ele precisa”, comenta o amigo Coxa.
Gratidão
Coxa usou peças de diversos modelos de motocicletas, entre elas uma Honda Biz, além de um banco de cobrador de ônibus. O triciclo pode chegar a 12 quilômetros por hora e andar 80 quilômetros com o tanque de 1,5 litro cheio.
Com freios nas rodas e toda a adaptação necessária, o veículo levou aproximadamente dois anos para ser fabricado manualmente. “Este foi o primeiro que eu fiz. Fiz por amizade, mas também por gratidão à vida”, enfatiza Coxa.
O mecânico lembra que teve paralisia infantil e passou quatro meses mexendo apenas a cabeça. “Esta é uma forma de ajudar um amigo querido e agradecer à vida por tudo o que tenho”, finaliza, emocionado.