10 de julho de 2026
Articulistas

O renascer (?) do liberalismo econômico

Fernando José Martha de Pinho
| Tempo de leitura: 3 min

Foi quase inacreditável a notícia de que após 10 anos de "engavetamento" pelo Congresso Nacional, volta-se ao assunto da terceirização do trabalho no Brasil. Prática já adotada há décadas nas economias desenvolvidas, impulsionou enormemente os ganhos de produtividade das empresas e o progresso social, e começou finalmente a deixar os "porões da Idade Média" do já tradicional pensamento econômico obscurantista brasileiro. Ranço ideológico cultivado por alguns "iluminados" das Ciências Sociais no país.

Economistas, sociólogos, historiadores, clérigos e um infindável séquito de entusiastas do nefasto processo de fortalecimento das amarras governamentais, em todos os setores da vida humana. Quando quase toda a América Latina desmorona econômica e socialmente, vítima das sandices governamentais, não deixa de ser um alento à imensa e crescente multidão de cidadãos honrados e desesperançados.

A leitura atenta dos artigos de conceituados profissionais de Economia e Finanças, relatórios de análise macroeconômica elaborados por grandes consultorias e bancos, Cartas do IBRE, o comparecimento às assembleias de acionistas de grandes empresas de capital aberto e o contato com pessoas comuns e empresários de diversos portes, traz uma única mensagem: ninguém está acreditando nas promessas governamentais. Foram tantas as mentiras proferidas que o nível de confiança simplesmente acabou.

Para despertar o chamado "espírito animal" do empresariado bem sucedido, muitos anos ainda serão consumidos, até porque , na análise cuidadosa dos balanços de empresas altamente capitalizadas, nota-se que quem pouco investiu na atividade produtiva cortou custos trabalhistas e ficou com alta liquidez concentrada no mercado financeiro, remunerou muito bem o capital próprio, além de preservar o patrimônio, com risco desprezível. Hábeis executivos financeiros conseguem ganhos com operações de tesouraria em prazo curto de tal magnitude que seria praticamente impossível de obter através de atividades ditas produtivas (comércio, indústria etc).

Isso significa que empresários prudentes e capacitados, observadores atentos da conjuntura econômica nacional e internacional, são sempre bem sucedidos, pois permanecem quase imunes às consequências do chamado "efeito manada", assim denominado pela Psicologia Econômica.

Como já é sabido que a economia brasileira "vive aos tombos" a cada 4 ou 5 anos, já sabemos que, muito provavelmente, por volta de 2019/20, conseguiremos a proeza de autoproduzir uma nova depressão econômica. Afinal, o chamado jeitinho brasileiro é especialista invicto nesta triste modalidade. Nunca é demais relembrar que episódios de instabilidade econômica são muito propícios a quem busca aumentar e solidificar patrimônios. Por isso, ser bem sucedido é para poucos no Brasil.

Se nossas autoridades não entenderem, de uma vez por todas, que o empresariado tem que ser muito prestigiado, nunca seremos modelo para ninguém. Nenhum país pode ser forte se o setor privado estiver desmotivado e enfraquecido. Um país onde empreender, correr riscos, gerar empregos, enriquecer e ser respeitado, seja motivo de orgulho para todos. Nesse aspecto, há muitos anos, o inesquecível Tom Jobim concedeu entrevista a um famoso repórter brasileiro que perguntou-lhe: "Qual o motivo de você morar há tantos anos em New York ?". Resposta: "É muito simples, no Brasil sucesso é ofensa pessoal".

O autor é economista