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João Rosan/Arquivo |
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Para Cafeo, governo deveria reduzir gastos na estrutura antes de aumentar tributos e repassar preço da crise às empresas |
Pela primeira vez, desde o início da ondas de atos contra a presidente Dilma Rousseff (PT), uma entidade do município endossa os protestos antigoverno. A Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) divulgou manifesto formal sobre a condução da economia do País, apontando os prejuízos ao setor produtivo em consequência aos ajustes anunciados recentemente pelo Palácio do Planalto.
Na manifestação do último domingo (12), na avenida Getúlio Vargas, cerca de 20 pessoas, entre diretores e associados, foram às ruas com cartazes que expunham reivindicações do setor empresarial. “De maneira ordeira, decidimos externar nosso repúdio ao que vem acontecendo”, esclarece o vice-presidente da entidade, Reinaldo Cafeo.
Economista, ele explica que o comando da Acib avaliou que, nos últimos quatro anos, muita coisa que poderia ser feita deixou de ser executada, mesmo diante de tantos alertas que o governo parece não ter tido vontade de entender.
“Estava claro que uma hora a conta chegaria. É como nas nossas casas: se gastamos mais do que ganhamos, a coisa sai fora do controle. Precisou haver uma troca da equipe econômica para que a confiança fosse retomada”, diz Cafeo.
FOCO
Diante do atual cenário, a Acib compreende a necessidade e apoia o ajuste na economia. Cafeo observa, no entanto, que o governo não pode onerar demasiadamente as organizações empresariais existentes.
“O ajuste precisa sair do papel rapidamente. Quanto mais demorar, mais tempo vai levar para o Brasil se recuperar. A presidente, no entanto, deveria focar na redução de gastos da própria estrutura do governo. São 40 ministérios e o País já funcionou com 13. Existem, hoje, 70 mil cargos em comissão. Havia muita gordura para ser queimada antes de recorrerem à vala comum do aumento tributário”, analisa o vice-presidente da entidade.
O combate efetivo à corrupção e, em longo prazo, a promoção de reformas estruturais – política, administrativa, tributária e trabalhista – também são reivindicações da associação.
PREJUÍZOS
Medidas do governo, como a eliminação de desonerações nas folhas de pagamento e o aumento do Imposto sobre Produtos Importados (IPI) nas importações e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), estão “cortando na carne” do setor comercial, segundo Reinaldo Cafeo.
Ele observa ainda que a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina e os aumentos dos combustíveis e da energia prejudicaram toda a sociedade. “O consumidor final acaba pagando o preço”.
A Acib também é contrária às mudanças no auxílio-enfermidade. Antes, quando um trabalhador se licenciava por motivos de saúde, era bancado pela empresa contratante durante os primeiros 15 dias do respectivo afastamento.
“Agora, esse prazo aumento para 30 dias. Não vamos conseguir sobreviver. Está muito caro contratar. Em Bauru, já vemos postos de trabalho sendo fechados e as empresas enfrentando grandes dificuldades”, finaliza Reinaldo Cafeo.
Impeachment?
Apesar das críticas à política econômica e aos rumos do governo Dilma Rousseff, a Acib esclarece que não enxerga amparo legal para reivindicar o afastamento da presidente da República de seu cargo, para o qual foi reeleita democraticamente no ano passado.
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João Rosan/Arquivo |
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Domingos Malandrino, do Ciesp, cumprimenta atitude da Acib |
“A única coisa que queremos é que o ciclo de recessão acabe o quanto antes para que tenha início um novo ciclo, marcado pela retomada do crescimento”, complementa Reinaldo Cafeo.
Indústria se reunirá para firmar posição
Diretor regional de Bauru do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino cumprimentou, ontem, a iniciativa da Acib e diz que, internamente, defende que a entidade da qual faz parte assuma posição oficial no mesmo sentido.
“Particularmente, eu endosso todas as reivindicações desses protestos. Na quarta-feira [amanhã], vamos nos reunir em São Paulo para discutir justamente isso. A situação está insustentável”, declarou.