08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

?O jeito do Brasil é esse??


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Muitas vezes achamos que não dizer a verdade é mais simples. A experiência mostra que a verdade é o caminho mais simples, com menos chance de cair e quebrar a cara. Hoje perguntamos? Que país é este? Perguntamos assustados. O que fazer agora quando as pessoas não são mais aquelas, a gente não sabe o que esperar, e a cada dia há uma novidade pior? Pessoas em quem confiávamos revelam falhas de caráter impensáveis, empresas respeitáveis que nos orgulhavam eram fachadas para falcatruas gigantescas que escapam a nossa capacidade de calcular. Bilhões agora são padrão, milhões mais parecem ninharia.

Os atuais fatos ocorridos com o PT e os partidos que apoiam o atual governo desnudam o caráter destes dirigentes e jogam por terra uma antiga falácia, a de que o PT é um templo de virtudes e uma masmorra aos vícios. A fortuna acumulada pelos ex-chefes da Casa Civil da Presidência da República não deixa dúvidas de que a postura comuno-socialista do passado era, na verdade, um trampolim para a possibilidade de alguns se tornarem milionários em detrimento dos outros. No PT do tesoureiro João Vaccari e do ex-deputado André Vargas, o problema é a polícia, não a política. Na física, o momento da virada é considerado um ponto de acumulação a partir do qual ocorre uma ruptura. Estamos próximos desse momento. O mal-estar está nas ruas. As pessoas passaram a ter senso de urgência.

A presidente Dilma Rousseff reduziu ainda mais a influência do PT em seu governo, o partido derreteu, o PT enfrenta o pior momento de seus 35 anos de existência e desta vez nem Lula escapou, segundo pesquisas que mostram que a sua popularidade foi ao chão. O PT sempre devotou um desprezo vegetariano à partilha do campo ideológico com seus aliados. Seu apetite carnívoro pela hegemonia fez com que a ideologia fosse sempre a que o partido quisesse. O dado dramático da falência do sistema é que os partidos se arrebentaram e o PT liderou a implosão. Todos os partidos de alguma relevância nacional, sem uma única exceção, estiveram envolvidos em escândalos de corrupção nestes primeiros quinze anos do milênio.
Agora com o vice-presidente Temer à frente, mas acossado por Eduardo Cunha e Renan Calheiros, o PMDB ocupa o vácuo de poder deixado por Dilma e pelo PT, que, desmoralizado nas ruas, teve que deixar para o PMDB a coordenação política do governo. Este é o impeachment parcial da presidente e do petismo. A segunda área mais sensível do governo também sai das mãos da mandatária e do PT, já que a primeira, a economia, já saiu - ou Joaquim Levy representa o sonho de consumo dos companheiros? Momento difícil, mas o chamado das ruas está bem claro, com espontaneidade, responsabilidade e extraordinária energia cívica, ficou bem claro que a pressão deve ser feita no governo, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal. Olho neles!

Antonio Carlos Azevedo dos Santos