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Quioshi Goto |
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A estratégia adotada pelas lideranças de sindicatos e a CUT foi distribuir panfletos à população |
Trabalhadores e sindicatos de Bauru participaram nessa quarta-feira (15) do ato nacional contra o Projeto de Lei 4330, que flexibiliza a terceirização em praticamente todas as categorias profissionais no País. O projeto tramita na Câmara Federal e desde a semana passada vem sendo discutido no plenário, com intenso debate entre deputados favoráveis e contrários.
Os parlamentares ainda discutem emendas ao texto, que se aprovado e depois de sancionado pela presidente Dilma Rousseff, vai permitir que as chamadas atividades fim de uma empresa também sejam terceirizadas. Hoje, apenas as atividades meio, ou seja, não diretamente ligadas ao setor daquela empresa, podem ser repassadas a terceiros, como limpeza e segurança.
As centrais sindicais do Brasil passaram a protestar de forma incisiva contra o PL 4330 na semana passada e durante todo o dia de ontem atos conjuntos foram desencadeados por todo o País, principalmente nas capitais e cidades de médio e grande porte.
Em Bauru, a manifestação foi pacífica e ocorreu em frente à Câmara Municipal, no fim da tarde, sem necessidade de interditar a Avenida Getúlio Vargas. A ação se concentrou na distribuição de panfletos e materiais explicativos à população, que passava pelo local ou esperava nos pontos de ônibus próximos. Uma caixa de som também foi usada, com líderes sindicais se revezando no discurso.
Um deles era Natanael da Costa, diretor regional em Bauru do Sindicato dos Enfermeiros. “A gente vê que praticamente todas as categorias serão afetadas. No nosso caso, saúde é uma atividade fim, seja com médicos, enfermeiros, auxiliares. Em Bauru e região são aproximadamente 300 enfermeiros filiados. A saúde já sofre com um processo de terceirização, que vai se acelerar ainda mais”, analisa Costa.
Mobilização
Entre os presentes, havia ainda representantes do Sindicato dos Ferroviários, dos Jornalistas, Sindicop, Sinergia, Afuse, Sindsaúde, dos Enfermeiros e do Sinserm (Servidores Municipais). Este último lembrou que a categoria segue em campanha salarial, com nova rodada de negociação em 8 de maio, quando sentarão novamente para dialogar com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “A exemplo do governo federal, a prefeitura também quer ver uma lei como esta aprovada, para terceirizar e precarizar ainda mais o serviço público”, disparou Valdecir Rosa, diretor do Sinserm, durante discurso na rua.
O único vereador que acompanhou o ato foi Roque Ferreira (PT). Ele já havia se posicionado de maneira contrária ao projeto de lei, durante o uso da tribuna da Câmara Municipal, na sessão ordinária da última segunda-feira. Ontem, Roque ajudou na panfletagem e reiterou o discurso. “Esse ato acontece em todo o Brasil e todas as centrais sindicais se mobilizaram, inclusive com paralisações, com o objetivo de barrar esse projeto. Temos hoje 12 milhões de trabalhadores terceirizados no País, que recebem 27% menos do que um trabalhador direto, e o objetivo desse projeto é que os outros 33 milhões de trabalhadores registrados de forma regular (direta) também possam ser terceirizados. É um frontal ataque à classe trabalhadora”, frisou o parlamentar bauruense.
Roque disse ainda que os sindicatos exigirão o veto da presidente da República se o projeto for aprovado no Congresso Nacional. “É importante frisar que, se passar, a classe trabalhadora vai exigir que a presidente Dilma vete, e caso o Congresso queira derrubar o veto, os trabalhadores do Brasil terão todos os motivos para ir às ruas, independentemente da categoria, e com uma greve geral por tempo indeterminado, pois é um projeto que vai totalmente contra os trabalhadores”, reiterou.
Entre os trabalhadores que passavam pelo Centro, muitos ainda não conheciam com profundidade o projeto de lei. Vânia do Vale, 29 anos, já trabalha de forma terceirizada como garçonete. “Eu não sei muito bem como funciona essa situação. A empresa onde eu trabalho já não está bem, estou procurando outro emprego. Estou lendo melhor agora sobre como funciona o projeto”, comentou.
Mais
Na manhã dessa quarta, o Sindicato dos Ferroviários já havia se mobilizado, a exemplo do Sindicato dos Bancários, no Centro da cidade. Estudantes também fizeram um ato na manhã desta quarta-feira, em frente à sede da Diretoria Regional de Ensino, na Vila Falcão, em apoio a greve dos professores estaduais, que completou um mês na segunda-feira – teve início em 13 de março (leia mais abaixo).
Palco
A Praça Dom Pedro II, mais precisamente na parte frontal da Câmara, na avenida Rodrigues Alves, consolida-se como um dos principais pontos de manifestação da cidade – mesmo que não tenham um vínculo direto com o Legislativo bauruense. Em junho de 2013, por exemplo, o Movimento ‘Vem pra Rua’ colocou milhares de pessoas no local, fechando as duas pistas da avenida.
Neste ano, vários movimentos já usaram o local com a finalidade de ganhar voz. Os estudantes da rede estadual se manifestaram em frente à Câmara em março, durante audiência pública sobre o assunto, repetindo a ação ontem, e os servidores municipais fecharam uma das pistas da Rodrigues Alves em meio à greve da categoria, no mês passado. A ‘Marcha das Vadias’ também foi realizada por lá. O Calçadão e a Praça Rui Barbosa seguem como outros locais de manifestações populares, sobretudo aos sábados.
Em ato também em frente ao Legislativo, estudantes reivindicam educação melhor
Jovens queriam fechar a Rodrigues, mas como não havia liderança, a polícia não permitiu
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Éder Azevedo |
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Alunos de cinco escolas manifestaram no Centro de Bauru |
Cerca de 70 estudantes do ensino médio de cinco escolas estaduais reivindicaram melhorias na qualidade da educação pública, na manhã dessa quarta-feira (15), durante ato realizado no Centro de Bauru. De uma assembleia em frente ao prédio da Câmara Municipal, os jovens fizeram passeata pelo Calçadão da rua Batista de Carvalho e terminaram em outra manifestação, essa promovida pelo Sindicato dos Bancários, na quadra 7 da rua Gustavo Maciel.
Desta vez, os manifestantes agiram sozinhos. Eles mantêm apoio à greve dos professores da rede pública de ensino e reclamam das aulas vagas e má qualidade de material de apoio didático.
A concentração e assembleia foram em frente ao prédio do Poder Legislativo bauruense para chamar a atenção da comunidade. “Pelo centro circulam pessoas de todos os cantos da cidade, diferente da região onde fica a Diretoria Regional de Ensino (Vila Falcão)”, justifica uma apoiadora que não quis se identificar.
Havia ainda a intenção de bloquear o trecho da avenida Rodrigues Alves, mas a Polícia Militar (PM) não permitiu. O motivo, segundo a polícia, seria a ausência de liderança e planejamento. “Estivemos aqui para garantir a liberdade de manifestação e a segurança desses jovens, mas como não houve solicitação antecipada e tampouco alguém que fale em nome deles, não foi permitido o bloqueio desse trecho da avenida”, disse cabo Wagner.
Ao fim da assembleia, os estudantes percorreram o Calçadão da rua Batista de Carvalho e se encontraram com manifestantes do Sindicato dos Bancários, a quem também declararam apoio.
Os manifestantes são alunos matriculados nas Escolas Estaduais ‘Stela Machado’, ‘Luiz Castanho de Almeida’, ‘Ayrton Busch’, ‘Ferreira de Menezes’ e ‘Irmã Arminda Sbrissia’, de Bauru.
Outro lado
Em nota, a DRE de Bauru informou que permanece à disposição para dialogar com alunos interessados. Nas escolas mencionadas pela reportagem, havia 77 professores em sala de aula durante o horário do protesto.
A Diretoria reitera ainda que “as atividades escolares transcorrem regularmente na região e que os estudantes devem comparecer normalmente às escolas estaduais. A Diretoria conta com um cadastro cerca de 1 mil profissionais para substituição em caso de eventual falta do docente”.
Umesb
A União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Bauru (Umesb), que promoveu grandes atos até a década passada, encontra-se inativa.
A entidade era atuante tanto no movimento estudantil quanto em outros movimentos de base, participando ativamente da política local.