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Gabriel Hune é grafiteiro e professor; na foto, um exemplo da sua arte em muros |
Ser artista é um dom particular. E a arte chegou em duas vertentes para o bauruense Gabriel Hune, 22 anos: na forma de ensinar e no grafite, uma forma de protesto pacífico através das cores. Nesta quinta-feira (16), o professor de geografia e grafiteiro inaugura sua primeira exposição, que traz 17 telas com contextos de sentimentos da sociedade atual.
“Presságio” é o nome da mostra, que abre às 20h, na galeria Starbox, localizada na quadra 10 da avenida Nuno de Assis, em Bauru. E para conseguir transcrever os sentimentos que encontrou atualmente na população em geral em todas essas telas, o trabalho se estendeu por um ano.
“Foi um processo um pouco demorado, pois precisei de tempo para fazer com calma e também me dedicar totalmente em meus trabalhos. Quando fazemos algo com total carinho e amor as coisas passam a funcionar de um modo diferente. Algumas telas abordam sentimentos de amor, lembranças da minha infância, outras de carinho, umas o romantismo e outras de tristeza. Algumas são inspiradas também em poemas que eu leio e gosto”, contou Gabriel.
Quem passar pela exposição encontrará telas de diversos tamanhos: desde 30 por 30 centímetros a até 2 metros de comprimento. “Pintar é um momento só meu, parece mágico. Eu fico horas e horas pintando e pintando no meu quarto. E quando faço isso esqueço de tudo o que está em minha volta e até mesmo do tempo. É como se eu estivesse me desligado do mundo material e me deportasse para um lugar muito distante”, complementou.
Desde a infância
A arte já nasceu com Gabriel. Ele nunca chegou a fazer aulas técnicas. É autodidata. Ele contou ao JC que ficar desenhando era uma de suas brincadeiras favoritas na infância. Também era apaixonado pelas aulas de educação artística.
“Eu desenhava apenas na escola. Depois que eu comecei a fazer faculdade, deixei meio de lado as ilustrações. E eu não sabia que aqui tinham artistas plásticos e grafiteiros muito bem conceituados. Passei a conhecê-los em um encontro de arte urbana que teve aqui no ano de 2011, entre Brasil e Chile, e quando eu vi os artistas pintando me apaixonei logo de cara”.
Este foi o seu primeiro contato com o grafite, mas o artista preferiu primeiro se aventurar nas telas e em pedaços de madeira que achava na rua. Foram aproximadamente dois anos de treinos até se arriscar pela primeira vez em um muro da cidade.
“Eu não poderia sair e pintar qualquer desenho na rua, eu tinha que criar algo que fosse agradável a mim e a quem visse o trabalho nos muros. Logo em seguida, quando comecei a pintar na rua passei a abrir um pouco mais a minha cabeça sobre o que realmente é a arte, e também pintar na rua não é só você intervir naquele local, mas sim tudo em que está á sua volta”, expressou.
Serviço
Exposição “Presságio”, de Gabriel Hune, começa hoje, às 20h, na galeria Starbox, localizada na avenida Nuno de Assis, quadra 10, em Bauru.