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Quioshi Goto |
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Após 12 anos, existem apenas as estruturas em tijolos e concreto |
As obras começaram em 2003, com a expectativa de que essa seria a maior unidade de ensino de Bauru. Doze anos depois, existem apenas as estruturas em tijolos e concreto, depreciadas pelo tempo e pela ação de vândalos. Um dos maiores exemplos de ingerência do poder público, a escola municipal Vera Lúcia Pereira Arlindo, localizada no Núcleo Isaura Pitta Garms (Bauru 1), ganha, agora, nova chance para deixar de ser apenas uma antiga promessa.
Secretária municipal de Educação, Vera Casério garante que a conclusão da construção terá início no segundo semestre deste ano. Isso será possível graças à retomada do prédio pela prefeitura após litígio judicial com uma das empreiteiras que desistiu de erguer a escola e à elaboração de laudo técnico acerca das condições estruturais da obra inacabada.
A avaliação foi feita por técnicos das secretarias de Obras e Planejamento. Inicialmente, a expectativa era de que fossem demolidas todas as edificações, executadas entre 2003 e 2007, quando o serviço foi paralisado em definitivo.
“Agora, foi constatado que poderemos aproveitar a estrutura do piso térreo e demolir apenas o piso superior. O estudo mostrou que o que existe lá suportará o telhado e as demais intervenções necessárias. Não teremos que partir do zero. Isso é muito bom porque estamos falando de dinheiro público”, pontua Sidnei Rodrigues, titular da Obras.
CUSTO
Com a conclusão do laudo, ficou acordado entre a Educação e as demais pastas envolvidas que a escola será térrea. A partir disso, o projeto com outros detalhes para a futura obra deve ficar pronto em até 45 dias. Só depois dele, será possível estimar o custo total dos serviços.
Questionado se a recuperação de parte da estrutura já existente não sairá mais caro do que reiniciar toda a construção, Sidnei pondera: “O custo para a construção do metro quadrado é caro. A escola é de grande porte. Além disso, temos que considerar questões que envolvem a sustentabilidade. Imagine o grande volume de resíduos gerados e os transtornos que seriam causados pela demolição total”.
Histórico
A ordem de serviços para o início da construção da escola foi dada em dezembro de 2002, no governo Nilson Costa. Em setembro de 2004, no entanto, os trabalhos foram interrompidos, pela primeira vez, pela empreiteira Laudemar.
Em janeiro de 2006, a construtora Prudesan, já durante a gestão Tuga Angerami, retomou a obra, paralisada, definitivamente, no ano seguinte. “Eles fizeram a casa do caseiro, mas, quando passariam a se dedicar ao prédio principal, pediram rescisão porque entendiam que havia problemas estruturais”, explica Vera Casério.
Depois de oito anos de abandono, a secretária confia que o prefeito Rodrigo Agostinho conseguirá cumprir essa que foi uma de suas promessas de campanha. “Já reservamos o dinheiro necessário. Essa escola sempre foi prioridade, assim como a Emeii Pinóquio, que recuperamos depois de tanto tempo”, pontua.
Estrutura virou ponto de usuários de drogas e até mesmo pasto
Inicialmente planejada para ser uma escola de ensino fundamental, a unidade do Bauru 1, quando concluída, atenderá, em período integral, pelo menos 160 crianças de quatro meses a cinco anos de idade.
Entre o início e o abandono das obras, uma unidade estadual para ensino fundamental foi construída no bairro. Já as crianças menores precisam, até hoje, se deslocar para o Chapadão ou para o Gasparini.
‘Foi um desperdício’
“Essa escola foi um desperdício de dinheiro até agora. Espero mesmo que resolva porque não temos creches por aqui. Enquanto isso, o prédio é utilizado por algumas pessoas que fazem o que não devem”, diz a merendeira Taís Cristina Matos Sampaio, 30 anos.
A reportagem esteve no local e constatou o relato de alguns vizinhos. Toda a estrutura está pichada e impressiona o volume de lixo, inclusive preservativos usados e restos de comida, espalhado por alguns “cômodos” da obra.
A construção inacabada já serviu até como pasto para cavalos e ainda é utilizada para o uso de drogas.
A escola atualmente já conta com uma quadra poliesportiva coberta, que será preservada no projeto de retomada da obra.