|
Quioshi Goto/Arquivo |
|
|
|
Kleber Granja: áreas menos urbanizadas favorecem ‘desovas’ |
Se o seu carro for roubado ou furtado em Bauru, provavelmente, será abandonado nas regiões Oeste e Noroeste da cidade. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) mostram que, entre janeiro e fevereiro, quase metade dos veículos recuperados pela polícia estava em um dos bairros desta região.
Durante o primeiro bimestre de 2015, 143 automóveis foram devolvidos a seus proprietários: 70 estavam na região em questão; 34 no Sudeste do município; 22 no Leste; e 17 no Centro-Sul.
O Oeste e o Noroeste de Bauru, segundo a Defesa Civil, consistem na região mais adensada da área urbana, mas não abrigam 50% do total de habitantes do município. Dessa forma, refuta-se a hipótese de que haja proporcionalidade entre a demografia e o índice de recuperação de veículos.
A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) da Central de Polícia Judiciária (CPJ) atua nos inquéritos envolvendo roubos e furtos dessa natureza, cujas ocorrências na cidade despencaram de 201 para 148 ao longo dos dois primeiros meses do ano em comparação do o mesmo período de 2014.
Kleber Granja, delegado responsável por esses casos, afirma que, em tese, não há razões que expliquem a concentração das recuperações de automóveis no Noroeste e no Oeste de Bauru. Segundo ele, os bairros dessa área não configuram como polos de estabelecimentos de desmanches de veículos.
“Acho que é circunstancial. Geograficamente, não posso falar em predileções por essa área para desovas”.
Cauteloso, a fim de não reiterar o estigma que vincula ações criminosas à população de bairros carentes, Granja pontua que autores de furtos de automóveis, em muitos casos, preferem abandonar os produtos de seus crimes em pontos próximos de seu destino final ou, até mesmo, de suas residências.
URBANIZAÇÃO
O delegado aposta ainda em outra hipótese que possa explicar a maior incidência de recuperação de veículos nas regiões Oeste e Noroeste de Bauru. Ele argumenta que bairros como a Pousada da Esperança e Fortunato Rocha Lima, por exemplo, possuem maior número de áreas ermas e/ou não urbanizadas.
“Isso pode favorecer. O baixo número de veículos encontrados nas regiões Sul e Central, onde há maior concentração urbana, reforçam essa possibilidade”, avalia Kleber Granja.
Perfil
Titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja revela que, na maioria dos casos, os veículos alvo de furto e roubo que são recuperados pela polícia são encontrados intactos.
“Essa, sim, é uma tendência. Isso demonstra que, na realidade, não ocorre o furto do veículo, mas sim, o furto de uso do automóvel. Isso ocorre, principalmente, com adolescentes: pegam o carro, dão uma volta e abandonam. Ou então, cometem o furto para subtrair o que está no interior do veículo”, explica.
Já os automóveis furtados para desmonte ou para serem “clonados” são, em sua maioria, levados para fora do Estado de São Paulo, segundo o delegado.
|
João Rosan/Arquivo |
|
|
|
Coronel Flávio Kitazume aponta reincidência por impunidade |
E os crimes?
Dentre os casos de roubo e furto de veículos registrados em janeiro e fevereiro, as regiões Oeste e Noroeste também concentram o maior número de ocorrências: 57. A quantidade, porém, representa menor percentual em relação ao total de casos: 38%.
Na região Sudeste, foram 35 casos; ante 32 na Leste; e 28 no Centro e no Sul de Bauru, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. (SSP-SP).
Reincidência
Comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), Flávio Jun Kitazume afirma que, muitas vezes, os autores de furtos abandonam os veículos em regiões próximas a suas residências. Isso não significa, porém, que haja um grande número de criminosos com esse perfil nos bairros do Noroeste e do Oeste de Bauru.
O que ocorre, segundo ele, é que as mesmas pessoas repetem o modo de ação e, apesar do reforço do patrulhamento dessas áreas e até da identificação dos autores, não há solução definitiva para o problema.
“A gente até prende em flagrante, mas esses autores ficam muito pouco tempo na cadeia. Alguns são ‘menores’ [adolescentes, com menos de 18 anos]. Nesses casos, eles sequer são apreendidos por se tratar de crime sem uso de violência”, explica Kitazume.
Furtos de veículos caem 31% em relação a 2014
Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram registrados 135 furtos de veículos em Bauru. O número de ocorrências no mesmo período de 2014 foi de 192. A redução de casos chegou a 31,25%.
Em conjunto com o trabalho ostensivo e investigativo realizado pelas polícias Militar e Civil, as operações Desmanche, desencadeadas a partir de setembro do ano passado, com o emparedamento de lojas irregulares de revendas de autopeças, têm sido apontadas como responsáveis pela queda dos índices em todo o Estado.
A lei estadual nº 15.276, conhecida como Lei dos Desmanches, foi sancionada no dia 2 de janeiro de 2014 e entrou em vigor no dia 2 de julho. Os estabelecimentos tiveram seis meses para se adequar.
Entre as exigências, está a apresentação de um inventário que comprove a origem de todas as peças comercializadas, além de um controle permanente de entrada e saída de estoque. De acordo com a norma, as principais peças dos veículos desmontados devem receber uma etiqueta de identificação, com código numérico.
Cada número será inserido em sistema informatizado do Detran, permitindo que a peça seja rastreada. O controle também se dá por meio de notas fiscais emitidas pelas empresas. Todas as informações constarão de um sistema informatizado, onde é possível verificar a origem das peças identificadas no veículo, o nome do estabelecimento no qual elas foram compradas, o veículo ao qual essas peças pertenciam originalmente e a pessoa que as comprou.
PENALIDADES
Entre as penalidades previstas para as empresas irregulares, estão a interdição do estabelecimento, perda das mercadorias, multa de até R$ 30 mil e a cassação da inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS.
Os estabelecimentos interditados responderão a processo administrativo e poderão ser reabertos, de acordo com o resultado do processo. Após a reabertura, o funcionamento das empresas estará condicionado ao cumprimento das normas da nova lei (veja o quadro abaixo).
|
|