08 de julho de 2026
Geral

Aniversariante serve feijoada a moradores de rua

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 2 min

Malavolta Jr.

Feijoada foi oferecida aos moradores de rua em frente da estação ferroviária desativada como ação social de um grupo de amigos

“A ideia não é dar esmola e, sim dar um almoço digno para as pessoas que quase não têm acesso a refeições boas e fartas”, disse nesse sábado (18) Fabiano Laperuta, funcionário dos Correios ao  realizar com amigos, uma ação social entre os mendigos “moradores” da marquise da Estação Ferroviária de Bauru, no centro, na Praça Machado de Melo.


Os amigos formam o que chamam de Clube dos Treze e, volta e meia, gostam de realizar ações sociais. Desta vez o pretexto foi o aniversário de Fabiano, ocorrido no último dia 4. A ideia de dar um almoço digno aos moradores da região, vingou.


Nesse sábado, precisamente ao meio-dia Laperuta, mais conhecido como “Fininho”, chegou com o feijão, arroz, feijoada, a couve e até um litro de pimenta no azeite.  Outros dois integrantes do clube, Carlos Paulin e João Paulo de Campos Mello, o JP ajudam.  Para servir,  descartáveis. Para beber, água, refrigerantes e a tradicional caipirinha.


Uma dezena de pedintes já esperava. Havia mesas e cadeiras, conseguidas a título de empréstimo em estabelecimentos da região.  Mas muitos como se não fossem dignos de ocupar as cadeiras, se serviam e iam para os cantos. Quem passa sempre ali notou que as calçadas haviam sido lavadas.  O cheiro de urina desaparecera.  Os moradores de rua estavam asseados. Todos fizeram questão de exibir a sua melhor roupa limpa.


Ao preço de R$ 5,00 muitos conseguem tomar um banho em hotéis das imediações. A outra opção é uma bica de água às margens da ferrovia,  perto da favela.


A sobremesa também já estava pronta. Aparecida de Fátima Arcanjo, 44 anos, a “Magal”, havia conseguido comprar na padaria um bolinho de chocolate (pelo qual pagou um pouco mais de R$ 5,00). Outros trouxeram mangas e tangerinas.


“Sou pingaiada”


Ao lado dos seis ou sete cachorros que acompanham o grupo (e são muito bem cuidados, aqui ninguém maltrata eles não”) Magal sorri. Foi servindo um a um, contando sua história, falando que tem “família, filhos, até netos espalhada por toda a Bauru, no Ouro Verde, na Pousada e até no Ferradura Mirim. Já fiz de tudo nesta vida, trabalhei com reciclado, em obra, fiz faxina, até cadeia eu já peguei por roubo, mas agora parei, sosseguei. Mas o que me estraga eu confesso, é que sou pingaiada”. Ela já foi internada e não consegue se livrar do vício. “Não vou dizer que gosto desta vida, não gosto não, mas não tem jeito”.


Os demais são mais arredios. Não fazem questão de conversa, não. Um ou outro concorda em  dizer nome e idade, a maioria é bem jovem...mal passa dos 30 anos. Mas uma coisa é certa, todos adoraram a feijoada. Deveria ter mais. E quem gostou também foi o aniversariante “Fininho”, com direito a desejo e tudo: que o ano que vem tenha mais e melhor.