08 de julho de 2026
Regional

Unesp terá curso inédito no Brasil

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 2 min

Éder Azevedo

Curso será oferecido pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu 

A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Fmvz) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) terá curso de pós-graduação em animais selvagens, nos níveis mestrado e doutorado. As aulas da primeira turma podem começar já a partir do segundo semestre deste ano.


O programa é o primeiro a ser criado no Brasil e já nasce com o conceito institucional 4 (de um máximo de 5) atribuído pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a partir da avaliação de critérios como a produtividade científica do corpo docente, a estrutura disponível e o ineditismo da proposta.  


O Programa de Pós-Graduação em Animais Selvagens tem perfil multidisciplinar e reunirá pesquisadores de áreas e de instituições diversas, com corpo docente integrado por professores vinculados a três das unidades da Unesp em Botucatu:  Faculdade de Medicina e Instituto de Biociências e Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP).


Responsável pela proposta do programa, a professora Sheila Canevese Rahal conta que o objetivo do curso é proporcionar uma formação mais ampla e sólida aos alunos e, acima de tudo, reforçar o trabalho realizado na cidade e região pelo Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas).


“Observamos que as teses e dissertações relacionadas com animais selvagens eram, de certa forma, perdidas em outros programas sem um núcleo único. Agora, com infraestrutura e um grupo de docentes de diferentes áreas, temos a possibilidade de abordar esses animais em vários aspectos”, aponta Sheila.


Saúde


A professora ressalta a importância do curso no aspecto da saúde em geral. “Por ser multidisciplinar, o programa visa não só a preservação do animal selvagem, mas também a importância dele para a saúde humana. Os macacos, por exemplo, podem ter diversas doenças similares à nossa e contribui para facilitar o entendimento de infecções no paciente humano”.


Outra proposta do trabalho é em torno da melhoraria e preservação das espécies em extinção. “O Cempas sempre recebe animais atropelados ou decorrentes de apreensão. No entanto, eles são ótimas fontes de pesquisa”, observa Sheila. “A longo prazo, vamos conseguir publicações melhores e já tem até alguns convênios de fora”, acrescenta, sobre o projeto.


O curso está sendo regularizado pela reitoria da faculdade e tem previsão de início para o segundo semestre. “Antes da gente mandar o programa já tinha grande procura”, comemora Sheila.


Educação básica


A possibilidade de promover a divulgação científica junto a crianças e adolescentes também está prevista no cronograma do programa sobre animais selvagens em Botucatu. Para tal finalidade, foi criada uma disciplina específica com o nome “a ciência por trás das jaulas e gaiolas: interação entre a pós-graduação e a educação básica”.