09 de julho de 2026
Articulistas

Acabou a cervejinha

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Tirem as crianças da sala: um conhecido carrinho pequenininho de brinquedo, que a vida toda custou R$ 4,99, agora é vendido por R$ 7,99. Tirem os adultos do bar: mais de R$ 7,00 por um bom chope; R$ 8,25 numa cerveja nacional. Uma diarista, bem requisitada, contou que caiu a procura por seus serviços. Efeito em cadeia ? e não é cascata: uma faxina chega a custar R$ 100,00, R$ 150,00. Essas mulheres fortes e zelosas merecem cada centavo, mas muita gente já não suporta pagar.
Dias desses, um homem estendeu a mão e solicitou R$ 5,00. "Tem cinco reais, chefia?". Mas... não era "moedinha" que pediam até esses dias?
Errantes, prestadores de serviço, gente com e sem carteira assinada, todos com carteira mais esvaziada, empresários... Todos sentindo que a vida ficou muito cara. Quer dizer, nem todos. Alguns adolescentes não parecem lá muito afetados pela crise: têm outras preocupações da idade.
Um ovinho pequenininho com hominho de brinquedo dentro: R$ 9,90! Ainda bem que já temos nas nossas casas todos os básicos eletros dos quais necessitamos. Desejo especial sorte a quem está casando agora: parcelar, mobiliar, decorar, reformar... E pagar a festa, então? Acabou a "festinha". Durante a semana acertei 13 números na Lotofácil. "Ganhei" R$ 15,00. Um senhor na minha frente, em silenciosa fila da lotérica, chutou o balde: fez logo 40 apostas. Será que a crise apertou e ele já está na base do desespero ao entregar todo o dinheiro da carteira para a sorte? Ou seria ele detentor de extrema esperança, o que também é uma forma desesperadora de acreditar?
Faz um "churrasquinho" para ver. Não tem mais "inho". "Cervejinha"? Sei. O que não sei é para onde vamos, mas o clima é de travessia do deserto ? e de travessuras no planalto (central).
Tenho preguiça de aprender educação financeira ou qualquer coisa assim, mas vou rever minha falta de conceito. Precisamos voltar à era da ponta do lápis. O aperto geral pede eficiência de controle.
Mas, para não terminar o artigo de mal com o mundo, uma boa notícia: ouvi ontem que uma conhecida panificadora e confeitaria acaba de reduzir os preços de suas delícias. Por questões éticas, conto o milagre, não a santa. Não briguem comigo. Até porque, sobre essa inusitada redução de preços, eu também ainda vou pagar para ver.

O autor é editor executivo do JC