09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Que país do futuro é este Brasil?


| Tempo de leitura: 3 min

Começo meu texto afirmando que, desde muito jovem, em meados dos anos 70, ouço falar que o nosso Brasil é o "País do Futuro". Após 53 anos de vida, em dezembro de 2008, continuando a acreditar nesta previsão e nas previsões otimistas do mercado financeiro quanto ao crescimento que se vislumbrava para o nosso país para os próximos anos, fiz o meu papel de cidadão empreendedor, montei uma franquia com a certeza de que, com muito trabalho e perseverança, conseguiria alguma tranquilidade financeira complementar. Começando com zero cliente, tive uma média de crescimento de 1.000 clientes por ano, estando neste momento fechando o empreendimento com mais de 6.000 clientes cadastrados.
Muitos podem estar perguntando: por que o fechamento de uma loja que é sucesso e com esse número de clientes? Fecho a minha loja após 6 anos pois depois de gastos bem acima dos previstos, inicialmente pela franquia, bem como total erro na previsão do período quanto ao retorno financeiro, vejo um governo que não respeita, não dá valor, explora financeiramente e, às vezes, penso que nossos governantes veem o pequeno empresário como um inimigo que, gerando empregos e procurando trabalhar com qualidade, produtividade e preço justo, não traz benefícios ao País. Porém, também fecho a minha loja pelo principal motivo que é: "excesso de clientes" com "falta de mão de obra".
Nos últimos 2 anos de atividade, fizemos o possível e o impossível para aumentar o nosso quadro de funcionárias para que pudéssemos ter a produtividade , o prazo e a qualidade exigida pelos nossos clientes, porém vimos uma mão de obra que não se interessa em sair de casa e vir para a frente de trabalho, talvez por auxílios dados pelo governo que estimulam esta situação.
Ressalto que neste momento que estou fechando a loja, passa um filme pela minha cabeça, filme este, em que vemos dentro do trem que percorremos neste trilho da vida, muita garra, horas de sono perdidas com satisfação, muitas alegrias, muito apoio das funcionárias, muitos clientes satisfeitos com o atendimento, muitos novos amigos, qualidade dos serviços prestados, relacionamentos empresa, funcionários e clientes quase que familiares, muito apoio dos verdadeiros amigos e família, mas também vimos muito dinheiro gasto para pagamentos de todas as taxas e impostos quer sejam federais, estaduais e principalmente municipais, onde quando conseguíamos uma pequena porcentagem no aumento do faturamento em um mês, tudo vinha sendo cobrado em cima deste faturamento positivo derrubando qualquer motivação de investimento no futuro.
Infelizmente chegamos no nosso limite patriótico e empreendedor, e quando se ouvem brincadeiras de que o melhor seria ir vender caipirinha na praia, com o estímulo e perspectiva que o "País do Futuro" nos apresenta, começamos a pensar que estas gozações talvez sejam interessantes. E agora não tão jovem, vejo no "País do Futuro" que sempre tive a esperança e acreditei existir, empresas dispensando funcionários por falta de clientes em função de custos fixos altos que não se consegue reduzir com esses custos sendo repassados para o mercado e também empresas como a minha, que fecha devido a "Falta de Mão de Obra"
Finalizando gostaria de deixar o meu agradecimento aos mais de 6.000 clientes da loja, agradecer a grande quantidade de clientes que se tornaram nossos amigos, as minhas funcionárias Adélia, Andrea, Shirley e Raquel que ficaram comigo até o final, a minha família e em especial ao Grande Arquiteto do Universo que, com certeza, nos abençoou nesta caminhada que muito me fez crescer como ser humano, como profissional e como cidadão.
Que o Brasil não seja eternamente o país do futuro e, portanto, que se comece a viver este país logo, enquanto estamos vivos!

Engenheiro Afonso Fábio - microempresário brasileiro