09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Sessenta dias sem rádio


| Tempo de leitura: 2 min

O meu velho rádio AM está parado agora, virou relíquia do passado. Ele não toca mais moda caipira, não ri, não chora, não me emociona e não me acorda mais. Sou do tempo da troca de transmissores e nasci em Duartina, sou um brincante teatral que ouvia a Rádio Jovem Auri Verde desde 1983.
Aprendi a gostar de rádio com o meu avô e o meu pai, ouvindo a Parada Sertaneja e o Lá no Meu Sertão (ambos programas da Auri Verde) e também a Linha Sertaneja Classe A (da rádio Record de São Paulo). Que saudade do Netão, do Walter Neto e recentemente do Jorge Bongiovani e de programas como o Musicultura, o Musimingo, o Desfile de Sucessos, o Vanguardão, o Flávio Pedroso das tardes alegres e tantos outros nomes que fizeram uma história de sessenta anos.
Agora o meu rádio AM nem vinheta tem mais, simplesmente não dá para ouvir a nova programação da rádio Auri Verde. Está cansativa, repetitiva, sem dinâmica, sem criatividade e muitas pessoas com quem converso e pergunto se ainda ouvem a Auri Verde, estão migrando para as emissoras FM.
Até eu estou ouvindo mais FM agora, embora eu ouça muita AM de São Paulo à noite. Eu não tenho computador em casa para ouvir rádio online e, mesmo se tivesse, não seria a mesma coisa e o pior: entrar em site da rádio para ouvir música, para mim, não tem graça e nem interatividade. O gostoso é falar ao vivo com o radialista. Rádio é isso, vida, alegria, hábito saudável que faz a gente imaginar algo mágico, é teatro que emociona. Um abraço ao João Costa e ao Barbosa Júnior, que ainda existem na programação. Nem tudo está perdido, mas sei que num país em que as emissoras AM são obrigadas a alugar os seus horários para igrejas, não me causa espanto o que estão fazendo na programação da rádio mais antiga de Bauru. Quando se falou na nova programação, achei que teríamos no ar programas infantis com palhaço e circo, música erudita no AM, debates culturais e até rádio novelas ou rádio contos. Mas tudo isso é utopia para a modernidade e, pelo que vejo, ouvinte antigo não tem mais vez e nem voz ativa. Aí eu pergunto: quem são verdadeiramente os novos ouvintes da AM? As gerações mais novas é que não são. Alguém ainda quer ser radialista?
Tomara que sim porque rádio toca de uma forma totalmente diferente o ser humano. Deixo aqui registrado também aqueles horários da Auri Verde que estão sem programação. É preciso fazer algo de concreto com a comunidade bauruense que ainda ouve a Auri Verde. Sei também que tem gente competente e experiente nessa nova direção. Espero que o meu apelo seja ouvido. Sou apenas um brincante amante da Auri Verde e que ainda gosta de ouvir Sessenta Dias Apaixonado, com Chitãozinho e Xororó, nas ondas do rádio.

Manoel Fernandes