08 de julho de 2026
Regional

Lençóis tem ópera amanhã


| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo apresenta mais um espetáculo da Companhia de Ópera Curta La Traviata – a ópera contada e cantada, do Programa de Circulação de Óperas, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo. A apresentação acontece na cidade de Lençóis Paulista, amanhã, às 20h, na Casa Four. A entrada é franca.

 

A temporada 2015 contemplará apresentações em mais de 30 cidades do Estado de São Paulo. Os municípios receberão adaptações especialmente elaboradas pela Companhia de Ópera Curta de títulos mundialmente conhecidos: O Barbeiro de Sevilla, Madame Butterfly e La Traviata. Desde sua criação, estima-se que os espetáculos do Programa já tenham atingido mais de 40 mil espectadores, em mais de 130 apresentações pelo Estado de São Paulo. A interiorização do projeto permite o fomento, a formação e a difusão da cultura, ampliando o acesso a atividades artísticas de excelência.

 

La Traviata – a ópera contada e cantada, foi elaborada com referência à novela “A Dama das Camélias”, de Alexandre Dumas Filho e a ópera La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi e do libretista Francesco Maria Piave. Violetta Valèry, uma cortesã parisiense, apaixona-se por Alfredo e deixa tudo para trás para morar com ele no interior. O pai do jovem, Giorgio Germont, a convence a abandoná-lo para preservar a honra de sua família e, com isto, garantir um bom casamento para a irmã de Alfredo.

 

 O casal se separa e, ao final, consumida pela tuberculose, Violetta morre nos braços de Alfredo recém-retornado a Paris. A questão central passa a ser a reciprocidade do amor de Violetta e Alfredo sob o ponto de vista do pai do rapaz e sua rejeição preconceituosa à vida de Violetta. O Amor e o preconceito andam juntos e são temas permanentes ainda hoje. Além disso, uma visão objetiva da relação entre os personagens que provoca a reflexão de seus próprios sentimentos e a maneira como a prostituição é vista. 

 

O espetáculo conta a história, preservando as principais árias e duetos da ópera, e os detalhes da novela original e da imaginação do autor. Assim apresentada, esquece-se completamente dos motivos que levaram à censura da ópera na época da sua estreia. Com diversas menções a pintores como Balthus, Vermeer, Van Gogh e Velazquez a ópera curta reafirma a importância da arte como um espelho da realidade.

 

Sobre La Traviata

 

“O espetáculo foi construído tendo como referência a novela ‘A Dama das Camélias’, de Alexandre Dumas Filho e a ópera La Traviata, do compositor italiano Giuseppe Verdi e do libretista Francesco Maria Piave”, comenta Rosana Caramaschi, diretora artística de produção da Casa da Ópera. 

 

Na ópera, Violetta Valèry, uma cortesã parisiense, apaixona-se por Alfredo e deixa tudo indo morar com ele no interior. O pai do jovem, Giorgio Germont, a convence a abandoná-lo para preservar a honra de sua família e, com isto, garantir um bom casamento para a irmã de Alfredo. O casal se separa e, ao final, consumida pela tuberculose, Violetta morre nos braços de Alfredo recém retornado a Paris. Com estes elementos, criou-se um espetáculo que conta esta história, preservando as principais árias e duetos da ópera, os detalhes da novela original e um pouco da imaginação do autor. “Este foi um trabalho muito interessante”, pontua Cleber Papa, diretor do espetáculo e autor do texto. “Desde o início, tínhamos a visão de que durante o século 20, houve um afastamento dos conceitos criativos da origem da ópera e o título foi aos poucos mascarado, passando a ser enxergado como uma linda e dramática história de amor entre uma jovem cortesã, rica, linda e inteligente e um jovem herdeiro de uma família tradicional, aristocrática. Assim apresentado, esquece-se completamente dos motivos que levaram à censura da ópera à época, obrigando seus criadores a mudar o período, a promover alterações do texto. As elites do século 19 não queriam ser o modelo para aquele retrato de uma sociedade promíscua. Transformar esta história num romance entre dois jovens, separados pela família do rapaz e a morte da garota por conta da tuberculose – doença comum no período – não foi uma coisa difícil nos anos seguintes”.

 

Para Papa, a estratégia conceitual propõe-se oferecer à plateia uma visão objetiva das relações entre os personagens, provocando nos espectadores a reflexão dos seus próprios sentimentos e a maneira complexa como a prostituição é vista ainda hoje.