Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal, Mauro Cunha, disse nesta terça-feira (28) não ter condições de dizer se haveria mais pessoas envolvidas nos atos de corrupção na companhia, mas admitiu que os canais de controle da empresa não funcionaram adequadamente.
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O ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal Mauro Cunha disse nesta terça (28) não ter condições de dizer se haveria mais pessoas envolvidas nos atos de corrupção |
Segundo ele, a ouvidoria da Petrobras - que hoje passa por reformulação - não chegou a receber nenhuma denúncia antes da Operação Lava Jato porque funcionários não teriam "tranquilidade para fazer denúncia".
Membro do Conselho de Administração da Petrobras até esta quarta-feira (29) (ele decidiu não concorrer a novo mandato), Cunha afirmou que não poderia dizer se o colegiado teve conhecimento prévio dos atos descobertos pela Polícia Federal.
Ele criticou o domínio do acionista controlador na estatal (o governo) e a falta de liberdade do conselho em fazer a escolha da diretoria, como ocorreu com a escolha do novo presidente, Aldemir Bendine. O conselheiro também apontou a política de preços dos combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da empresa.
Cunha disse que não aprovou o último balanço da empresa porque foram entregues dezenas de páginas e que não pode avaliar os dados com profundidade de forma "intempestiva". O lançamento dos dados de prejuízo com corrupção, na avaliação dele, foi "inoportuno e adequado".
Para ele, tal lançamento foi colocado para ser utilizado como base para cálculo de ressarcimento e acordos de leniência e, eventual fraude, deveria ser lançada no momento da comprovação e não agora. "O prejuízo à Petrobras não é 3% dos valores dos contratos", estimou.
Lava Jato "é remédio amargo"
Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal, Mauro Cunha, disse que concorda com a afirmação da ex-presidente Graça Foster de que a Operação Lava Jato será positiva para a empresa no futuro. "É um remédio amargo, mas sem dúvida fará bem a Petrobras a longo prazo", comentou.
Cunha voltou a falar aos parlamentares da defasagem dos preços de combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da companhia e disse que foram feitos alertas ao Conselho sobre a política, mas que não houve resultado. "Acabou sendo uma 'pedalada', porque a Petrobras estava subsidiando os preços e isso trouxe prejuízo de R$ 100 bilhões", disse Cunha, que ainda é conselheiro da estatal. Ele também criticou o crédito de R$ 5 bilhões à Eletrobras.
O conselheiro, que votou contra os dois últimos balanços da companhia, repetiu que o reconhecimento contábil dos prejuízos com corrupção, como foi feito, não lhe parece adequado, principalmente porque tem como objetivo ser base para acordo de leniência ou futuro pedido de ressarcimento. "Não é pouco nem é muito, é incerto", declarou.