09 de julho de 2026
Nacional

Funcionários não tinham 'tranquilidade' para denunciar, diz ex-Petrobras

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal, Mauro Cunha, disse nesta terça-feira (28) não ter condições de dizer se haveria mais pessoas envolvidas nos atos de corrupção na companhia, mas admitiu que os canais de controle da empresa não funcionaram adequadamente.

 

Divulgação 

O ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal Mauro Cunha disse nesta terça (28) não ter condições de dizer se haveria mais pessoas envolvidas nos atos de corrupção 

Segundo ele, a ouvidoria da Petrobras - que hoje passa por reformulação - não chegou a receber nenhuma denúncia antes da Operação Lava Jato porque funcionários não teriam "tranquilidade para fazer denúncia".

 

Membro do Conselho de Administração da Petrobras até esta quarta-feira (29) (ele decidiu não concorrer a novo mandato), Cunha afirmou que não poderia dizer se o colegiado teve conhecimento prévio dos atos descobertos pela Polícia Federal.

 

Ele criticou o domínio do acionista controlador na estatal (o governo) e a falta de liberdade do conselho em fazer a escolha da diretoria, como ocorreu com a escolha do novo presidente, Aldemir Bendine. O conselheiro também apontou a política de preços dos combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da empresa.

 

Cunha disse que não aprovou o último balanço da empresa porque foram entregues dezenas de páginas e que não pode avaliar os dados com profundidade de forma "intempestiva". O lançamento dos dados de prejuízo com corrupção, na avaliação dele, foi "inoportuno e adequado".

 

Para ele, tal lançamento foi colocado para ser utilizado como base para cálculo de ressarcimento e acordos de leniência e, eventual fraude, deveria ser lançada no momento da comprovação e não agora. "O prejuízo à Petrobras não é 3% dos valores dos contratos", estimou.

 

 Lava Jato "é remédio amargo"

 

Em depoimento à CPI da Petrobras, o ex-integrante do Comitê de Auditoria da estatal, Mauro Cunha, disse que concorda com a afirmação da ex-presidente Graça Foster de que a Operação Lava Jato será positiva para a empresa no futuro. "É um remédio amargo, mas sem dúvida fará bem a Petrobras a longo prazo", comentou. 

 

Cunha voltou a falar aos parlamentares da defasagem dos preços de combustíveis como uma das responsáveis pela crise financeira da companhia e disse que foram feitos alertas ao Conselho sobre a política, mas que não houve resultado. "Acabou sendo uma 'pedalada', porque a Petrobras estava subsidiando os preços e isso trouxe prejuízo de R$ 100 bilhões", disse Cunha, que ainda é conselheiro da estatal. Ele também criticou o crédito de R$ 5 bilhões à Eletrobras.

 

O conselheiro, que votou contra os dois últimos balanços da companhia, repetiu que o reconhecimento contábil dos prejuízos com corrupção, como foi feito, não lhe parece adequado, principalmente porque tem como objetivo ser base para acordo de leniência ou futuro pedido de ressarcimento. "Não é pouco nem é muito, é incerto", declarou.