Amanhã, dia primeiro de maio, comemora-se o Dia do Trabalho. A história nos remete principalmente ao início da luta dos trabalhadores com manifestações sobre condições desumanas a que eram submetidos (isso em 1886, em Chicago ? EUA), culminando com uma greve que paralisou os Estados Unidos e três anos depois em Paris, com manifestações da central sindical denominada de Segunda Internacional, gerando perspectivas melhores aos trabalhadores. Anos depois, em 1919, o senado francês ratifica a instituição da jornada de 8 horas de trabalho (antes chegava a 13 horas). O dia primeiro de maio passou a ser feriado na França, depois na Rússia e em outros países. Aqui no Brasil, em 1924 foi estabelecida a data como feriado nacional e data comemorativa ao Dia do Trabalho.
Não obstante esta história de luta, o momento atual exige reflexões sobre o mercado de trabalho, notadamente o brasileiro. Nesta perspectiva é preciso separar a questão do emprego em si, como função, das questões conjunturais, que afetam o mercado de trabalho. Neste contexto, a ideia é ir além da relação histórica capital-trabalho.
O emprego tradicional vem mudando de feição. No setor privado está posto que tratar o trabalhador como "recurso" humano já não tem mais espaço. Empresas modernas e de sucesso mudaram o status deste trabalhador: um associado. A questão é simples e de sobrevivência: é o trabalhador o principal elo com o mercado consumidor, alguns diretamente, outros indiretamente. Gestão holística, anjos da guarda, células de trabalho, produtividade, proatividade, são expressões cada vez mais incorporadas ao cotidiano do mundo dos negócios.
É certo que a impiedosa "dispensa sem justa causa" amedronta e até oferece um "poder" adicional aos empresários, mas também é certo que não há espaço para tratar o trabalhador como se fosse uma mera peça da engrenagem. Evidentemente que em setores que utilizam mão de obra menos qualificada as coisas não acontecem desta maneira, mas também é certo que será questão de sobrevivência mudar a perspectiva sobre o trabalhador. O sucesso empresarial passa necessariamente pelo sucesso de todos envolvidos, os denominados fatores de produção.
O setor público enfrenta problemas nesta relação dado o engessamento a que é submetido. Se de um lado a estabilidade oferece garantias aos servidores públicos, de outro, sem generalizar, gera acomodação. A produtividade é baixa e a motivação pífia.
Na segunda vertente há as questões conjunturais. O nível de emprego cai, o desemprego cresce (só para ilustrar, em março deste ano a desocupação atingiu 6,2% o maior nível desde maio de 2011) e a renda média do trabalhador cai (menor nível em 12 anos). Este ano as conquistas nos acordos coletivos serão menores. A ameaça da dispensa pela queda no nível atividade econômica dará o tom nos reajustes salariais e nas conquistas de benefícios.
Mesmo com perspectiva ruim no curto prazo, os avanços no mercado de trabalho não podem parar. O tema terceirização está na pauta, e com ela, como já coloquei em outro artigo veiculado aqui no JC, é preciso revisitar a legislação trabalhista e pensar em discutir a reforma trabalhista. Não há questões prontas, mas não podemos nos furtar em discutir, afinal, o novo vem e a única certeza que temos atualmente é que as coisas mudarão. No dia primeiro de maio, precisamos ir além do feriado no dia do trabalho.
O autor é economista, articulista do JC