08 de julho de 2026
Articulistas

Deus e a física quântica

Paulo Cesar Razuk
| Tempo de leitura: 3 min

Pergunte a um indivíduo qualquer se ele acredita em Deus e ele provavelmente responderá: "claro!". No entanto, é pouco provável que esse mesmo indivíduo se pergunte o que exatamente ele entende por Deus. Quando pressionado, vai usar um dos velhos clichês sobre o "Cara lá em cima". Tentar definir Deus é obviamente impossível. Deus não é estático, da mesma forma que a luz e a eletricidade não são estáticas. Deus existe além do mundo físico da matéria, dos corpos e das formas. Ele preenche o cosmo, satura a realidade e supera o tempo e o espaço. É onisciente, perfeito e felizmente está em qualquer lugar em que Você queira procurar.
Deus não precisa de nada e não nos pede nada. Não faz nenhuma exigência. Ele não gosta mais do papa Francisco do que de qualquer um de nós, seres humanos mal informados, lutando desesperadamente para que as nossas vidas façam sentido. Quando nos livramos das superstições, das nuvens escuras dos boatos e meias verdades que encobrem a nossa consciência, descobrimos que Ele se comunica com tanta clareza quanto nosso apresentador de TV favorito. O "Cara lá em cima" está disponível vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana e tudo o que temos que fazer é focar nossa atenção Nele e ouvi-Lo.
Deus rege o universo, é a fonte de energia que faz as flores crescerem, que forma cicatrizes nos joelhos esfolados e que constantemente nos impulsiona a viver. Deus é uma Presença que está dentro de nós, um Princípio que nos dá vida. Essa é uma das primeiras lições que Cristo nos ensinou: Você é parte de Deus. Portanto, pelas nossas palavras, pensamentos e ações, somos participes do contínuo processo de criação deste mundo físico. Aliás, a física quântica nos diz que para trazer alguma coisa para o mundo físico temos que prestar atenção não no que estamos vendo, mas no que queremos ver. Na maioria das vezes, empregamos essa energia de forma descuidada, nos esquecendo do fato de que o que pensamos faz diferença, sim.
Muitos físicos de ponta dizem que nossa realidade não é lá grande coisa e que a vida não é nem um pouco como ela parece ser. Justamente agora, o planeta que Você chama de seu está girando a quase 1.500 km/h e orbitando ao redor do sol a impressionante velocidade de 107.000 km/h. Mas, a menos que tenha bebido algumas taças de vinho, Você provavelmente não tem consciência desse movimento. Esse é apenas um pequeno exemplo de como distorcemos a realidade. Nós vemos, sentimos, provamos, tocamos e cheiramos não o mundo real, mas uma versão dramaticamente condensada do mundo, uma versão que, literalmente, nossos cérebros inventam. A vida é multidimensional, mas a maioria de nós está presa à realidade restrita ao que podemos experimentar com os cinco sentidos, no entanto, o que vemos, experimentamos e sentimos com os nossos cinco sentidos sempre vem depois da decisão de ver, experimentar e sentir.
Viver de forma limitada é conhecer apenas um lado da moeda, mas é importante se dar conta de que o outro lado é tão real quanto o que Você está vendo. Os opostos são ambos verdadeiros. A falta é o outro lado da abundância; a doença é o outro lado da saúde; ambos são verdadeiros. Ao escolher ver apenas um dos lados, o outro aspecto, igualmente provável, fica escondido. É Deus priorizando nosso livre arbítrio.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru