11 de julho de 2026
Cultura

10 mil pessoas participaram da festa em homenagem ao Dia do Trabalho

Tisa Moraes com Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 6 min

A sétima festa em homenagem ao Dia do Trabalho se estendeu por todo o feriado de ontem e atraiu 10 mil pessoas ao Parque Vitória Régia. O evento só acabou por volta das 22h, após o show em tributo a Tim Maia, com a Banda Black Rio e a cantora paulistana Paula Lima. A data, no entanto, foi marcada também pela luta e pelas pautas de reivindicação da classe trabalhadora de Bauru.

 

Quioshi Goto

O momento de maior concentração de público no Vitória Régia foi quando Paula Lima subiu ao palco

 

No período da manhã, cerca de 200 pessoas se reuniram para o ato político, cujos discursos focaram nas críticas ao do projeto de lei que regulamenta as contratações terceirizadas e autoriza a extensão desse modelo de relação trabalhista para as atividades-fim das empresas.

 

Hoje, as terceirizações são restritas às atividades-meio. Por exemplo: um hospital pode contratar empresas especializadas para recrutar profissionais para os serviços de limpeza e segurança, mas não para os setores de enfermagem.

 

O empresariado garante que as mudanças, já aprovadas pela Câmara Federal e que dependem da apreciação no Senado e da sanção da presidente Dilma Rousseff (PT), ampliarão as vagas e modernizarão as relações de trabalho. Já os contrários apostam que a terceirização culminará na precarização, na perda de direitos e na redução de salários.

 

Coordenador regional da CUT, Francisco Wagner Monteiro – o Chicão – diz que, além de todos os prejuízos aos trabalhadores, a validação do projeto de lei (PL 4330) abrirá portas para a corrupção. 

 

“Estão fazendo cortina de fumaça contra a corrupção, mas querem aprovar essa aberração, que vai financiar essa prática. O dinheiro da corrupção sai do Caixa 2, que vem também da terceirização na educação, na saúde, nos presídios, na indústria; e é utilizado pelas empreiteiras para comprar políticos”, pontuou.

 

Chicão, em entrevista, garantiu que a data foi celebrada de forma mais intensa em 2015. “Os trabalhadores estão mais conscientes de que precisam se organizar e lutar”.

 

Durante o ato, José Ricardo Mesiano, do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), afirmou que o projeto da terceirização é um “bolo de estrume coberto por açúcar” que o empresariado quer vender como pão de mel para a classe trabalhadora. 

 

Já o representante do acampamento Sonho Meu, Ricardo Pereira, pontuou que o PL 4330  retira direitos e, consequentemente, fere a Constituição Federal. “Haverá intermediários entre os patrões e os empregados”.

 

Claudinei Basso Pinheiro, vice-presidente do Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação do Estado de São Paulo (Afuse), criticou os deputados federais representantes da grande região, que votaram a favor das terceirizações irrestritas: Milton Monti (PR – São Manuel), Walter Ioshi (PSD - Marília) e Capitão Augusto (PR - Ourinhos). “São traidores”, disse.

 

Já o vereador Roque Ferreira (PT), que representou a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTT), pregou que a classe trabalhadora deve deflagrar greve geral caso o Senado aprove o PL e a presidente Dilma sancione a lei. 

 

O parlamentar disse ainda que a votação do projeto faz parte da estratégia reacionária do PMDB, “que controla o Congresso Nacional”.

 

Tributo a Tim

 

O 1 de Maio no Parque Vitória Régia também contou com várias apresentações musicais e foi encerrado com o show em tributo a Tim Maia, com a Banda Black Rio e a cantora paulistana Paula Lima. Ela já esteve em Bauru em apresentações anteriores, mas, pela primeira vez, cantou em homenagem ao “síndico do Brasil”, morto em 1998.

 

“Sinto-me privilegiada e completamente feliz por retornar a uma cidade que sempre me recebeu muito bem e, desta vez, para fazer um tributo a um artista tão fenomenal como Tim Maia, que é uma das minhas inspirações. Um cara totalmente soul, assim como eu e a Black Rio”, afirmou a cantora, em entrevista concedida ao Jornal da Cidade momentos antes do show.

 

Na plateia, estavam cerca de 6 mil pessoas, entre elas a estudante Natália Sabino Ortêncio, 23 anos, que foi ao Vitória om um grupo de amigos. “Acredito que eventos como este, gratuitos, são muito importantes para levar cultura às pessoas. Tim Maia é bem legal e, certamente, foi a oportunidade para muita gente ter contato com o repertório dele pela primeira vez”, analisa.

 

Segundo a PM, não houve ocorrências de gravidade durante todo o dia. O evento foi uma realização da subsede Bauru  da CUT e Prefeitura de Bauru com apoio do Sesc e do Jornal da Cidade. A promoção é da subsede Bauru da CUT-SP, Sinergia/CUT,  Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil e Mobiliário de Bauru e Região, Sindicato dos Frentistas de Bauru e Região, Sindicato dos Ferroviários de Bauru e Região, Base de Apoio da CUT em Jaú, Sifuspesp, Sindicato dos Jornalistas do Estado de SP, Apeoesp, Afuse, Fetec/SP, Sindsaúde e Sipetrol. 

 

Professores

 

O ato também foi marcado pro críticas aos governos de São Paulo – por não negociar com os professores da rede estadual, em greve há 50 dias – e do Paraná, em função da reação truculenta da Polícia Militar nesta semana aos protestos da categoria, que está paralisada.

 

Suzy da Silva, conselheira do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo

 (Apeoesp), lamenta a dificuldade da entidade em mobilizar a categoria. “São muitas pressões. Afinal, 50 dias em greve são 50 dias sem receber. O nosso salário é baixo, mas a falta dele é ainda pior. Também temos 50% dos professores contratados [e não concursados] que sofrem ameaças, inclusive, de demissão”.

A luta pela qualidade da educação, contra as salas super lotadas e outras deficiências estruturais da rede estadual de ensino, também integra as pautas de reivindicação dos professores. Críticas à proposta de redução da maioridade penal e às condições dos trabalhadores da Ajax, de Bauru, também foram destacadas durante o ato de ontem.

 

Causa indígena

 

A Associação Renascer o Apoio à Cultura Indígena (Araci), formalizada há cerca de um ano, também participou do evento do 1 de Maio, no Parque Vitória Régia. Irineu Nje’a Sebastião, Aline Maffi e Meiriane Jordão recorreram a cruzes de madeira para simbolizar e protestar contra os cinco séculos de genocídio indígena no Brasil. Eles são contrários à aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC-215), que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a competência de demarcação de terras indígenas. A medida preocupa em razão da força da ala ruralista na Câmara Federal e no Senado.

 

Criançada se divertiu no Vitória Régia com programação especial

 

Pela primeira vez, o evento do Dia do Trabalho ofereceu programação direcionada ao público infantil, com o Primeiro de Maio Criança, resultado da parceria da Central Única dos Trabalhadores (CUT) com a Prefeitura de Bauru. Oficinas de desenho, teatro, jogos, esportes e até de técnicas circenses foram realizadas sob uma lona de circo.

 

Marina Vasconcelos, de 2 anos, vive no assentamento Sem Limites e, depois de pintar e ter contato com alguns livros infantis, assistiu ao espetáculo Salve Terra, do grupo Cia Giralua de Artes.

 

“Foi muito bom ter vindo pela primeira vez com a minha filha. Vim participar do ato, mas ela também aproveitou as atividades de recreação”, cona a mãe Sabrina Vasconcelos, 36.

 

Até os adultos mais distantes das causas defendidas pela CUT no 1 de Maio levaram suas crianças ao Vitória Régia em função da programação infantil oferecida entre a manhã e a tarde de ontem. É o caso da pequena Maria Clara Balderramos, 4 anos, e de sua mãe, a secretária executiva Andréia Balderramos, 37, que defende a aprovação e sanção do PL da Terceirização.