08 de julho de 2026
Geral

Maio: casar é sonho só da mulher?

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 7 min

A conhecida convenção popular de que “maio é o Mês das Noivas” também aguça pensamento com ingrediente simbólico emocional e de comportamento social na cabeça de pais, tios, irmãos, primos e parentes... afinal, há ou não homens compromissados com o matrimônio, com vontade de casar, na “praça”?

 

Sociológico ou não, psicológico ou não, o fato é que basta um casal anunciar a decisão pelo casamento que a notícia se espalha com a “velocidade da luz”. Dizem por aí, por sinal, que as mulheres recebem com tamanha gana a informação sobre o casório que esta costuma chegar a todos os cantos à frente até da Internet, mais rápido que o homem de aço, mais veloz que o raio e de forma muito mais eficiente que o WhatsApp...

 

O motivo de tal empenho, porém, estaria, segundo as candinhas e “encalhadas de plantão”, não na “felicidade em si, propriamente dita, pela boa nova do matrimônio”, mas na “inveja”. Diz também que isso não é “nem pecado e nem querer o mal do outro”. Segundo elas, a questão aqui é de “ritual de sobrevivência”.  

 

“Falta do que fazer”, espalham as sogras da noiva. “Conversa fiada”, espalham os futuros sogros. “Sinal dos tempos”, diz a avó ainda com esperança de ver a netinha de 35 anos subindo ao altar...

 

Bom, para tirar qualquer mau olhado e qualquer tentativa de transformar texto sobre casamento em sarro ou insulto, aqui falam somente os homens. Sim, as “vítimas” do mais belo dos sacramentos. E, desde já, fique registrado que não se trata de machismo. Apenas uma singela homenagem, sob o olhar masculino, da data que, via de regra, estimula o imaginário mais delas do que deles. Será? Os depoimentos a seguir contam com elementos de entusiasmo que podem fazer você pode mudar de ideia sobre esse conceito.

 

Ele já está preparado para subir no altar...

 

Humberto Rodrigues Júnior, músico, 31 anos, está experimentando uma situação nova antes mesmo de casar: receber a atenção da sogra – e na casa dela. É que ele ficou doente e foi para a casa da mãe da noiva se cuidar. Juliana Fernandes Alvares, 25 anos, está contando os dias para o casório, marcado para o próximo dia 30 de maio. Aliás, ela também comemora o aniversário neste dia.

 

“Conheci minha noiva no trabalho. Minha sogra trabalhava no mesmo lugar. No primeiro dia em que vi a Juliana, já balancei. De lá pra cá, já são três anos e meio de namoro. Está na hora de casar, queremos isso porque fomos buscando o fortalecimento da relação nesse tempo. Estou me recuperando aqui na casa da sogra”, afirma.

 

O noivo confirma certa angústia de amigas dele e da noiva em casar. “A mulher é mais pressionada pelo tempo, em razão do desejo de ser mãe. Ouço amigas de minha noiva comentando que muitos homens da faixa de 30 anos não estão dispostos a casar. Mas é uma questão de estar aberto a se apaixonar e para isso demonstrar segurança, respeito chama tanto a atenção como a beleza”, opina. 

 

No casório, uma música de autoria do noivo será executada para a amanada. A despedida de solteiro foi transformada em um chá bar, segundo ele, uma adaptação ao antigo formato da “última farra”. “Vira uma confraternização, um encontro com brincadeiras e uma troca de emoções entre amigos do noivo e da noiva. É bem interessante. Em nosso chá bar, o pessoal se empolgou tanto que, em determinado momento, homens se vestiram de mulher e vice-versa. Bem legal”, recomenda.

 

Humberto e Juliana, conta o noivo, também já decidiram concluir os estudos (mestrado) e, em cinco anos, pensar no primeiro filho. “Conversamos sobre a necessidade da gente se estruturar primeiro e isso passa pela conclusão dos estudos. Com a vida mais organizada, então podemos aumentar a família”, aponta.

 

Do namoro ao casório!

 

Vinícius Camolez Soria, 32 anos, designer, está pronto para formalizar sua união com a fisioterapeuta Lilian Cristina Munhoz, 33 anos. O namoro de oito anos começou após conhecer a futura esposa em uma festa de uma prima.

 

Entre os amigos, eles confirmam que esta é uma estratégia que funciona. Nesses ambientes, a pesquisa é facilitada pela oportunidade de saber, na hora, qual é a “ficha” do “alvo”. Portanto, diferentemente da escuridão da balada, o (a) interessado (a) tem a vantagem de obter informações básicas antes de partir para o “ataque”.

 

Na história do casal, o comparecimento na festa fez toda diferença. O roteiro deu tão certo que, recentemente, Vinícius e Lilian foram realizar o álbum trash the dress em Brotas (SP). “Eu não conhecia essa possibilidade. O fotógrafo que me apresentou isso, que já é moda entre os casais. Fica um registro de fotos bem diferente do tradicional. Estamos com uma relação amadurecida, prontos para ir para o altar”, conta. 

 

A história de fotografar (antes ou depois do casamento) com o vestido de noiva surgiu nos Estados Unidos. No Brasil, os casais utilizam um vestido mais simples para o registro das fotos em ambiente bem diferente do ritual tradicional do casamento, como em uma cachoeira. 

 

Sobre a vida em casal, para Vinícius, a parceria está sendo exercitada desde os preparativos para o casamento. “Quando você se apaixona naturalmente, você já começa a fazer planos com a outra pessoa. Conosco não está sendo diferente. Quanto aos preparativos para o casamento, nós fomos discutindo e decidindo juntos. Alguns detalhes deixei pra ela ter o prazer de escolher, claro, como a cor das flores, dos arranjos. Mas escolher o fornecedor e o que fazer na festa decidimos juntos”, acrescenta.

 

Formalizar

 

Marcos Antonio Rossetto, 34 anos, de Mineiros do Tietê, onde atua como assessor do prefeito, também não acredita nessa história de “síndrome contra o casamento”.

 

Por sinal, na prática, ele já assumiu seu relacionamento com a comerciante Fabiana, 33 anos, há quatros anos, período em que moram juntos. “Mas, agora, vamos realizar o ápice do relacionamento, a confirmação para nossas famílias de que nossa união deu certo”, diz o noivo-marido que já tem um filho de três anos com a noiva-esposa.

 

A “despedida de solteiro” foi um churrasco com amigos, evento realizado para “manter a tradição, mas sem exageros”, garante. “Há sobre a despedida de solteiro essa história de liberdade suprema, o dia da última bagunça. Mas, na verdade, é uma confraternização. E o fato de ser só entre conhecidos, na casa de um primo, ajudou a tornar o dia mais uma oportunidade para a gente comemorar a amizade e claro minha felicidade”, diz.

 

Olhar pela frente

 

 Para o fotógrafo profissional, empresário Miguel Angelo Vieira Filho, a informação de história explica a maior demanda no calendário da agenda de trabalho para casamentos. “O mês de maio foi adotado no Brasil como o mês das noivas de forma cultural, em razão de na Europa ser adotado este mês como tradição para as uniões tendo como parâmetro o início da primavera. Ocorre que no Brasil, apesar da marca do mês de maio, de fato a agenda mais escolhida para casamentos é a partir da segunda quinzena de setembro, até outubro. É o início de nossa primavera, coincidentemente”, comenta.

 

Sobre o que passa na cabeça dos homens nos preparativos para o casamento, o profissional relata que o noivo, em geral, se preocupa em especial com o conteúdo e a estrutura para a contratação das imagens em áudio e vídeo, em sua área. “Eles querem saber se a equipe de fotografia e vídeo será exclusiva para o grande dia, quanto tempo a equipe vai trabalhar, qual o roteiro de trabalho e que material será oferecido depois. É claro que o noivo costuma se preocupar com custos mais que a noiva, mas em relação a fotos e vídeos ele quer garantir exclusividade durante o evento”, diz.

 

Para Miguel Filho, a preocupação com o detalhamento do serviço profissional vai evitar que o futuro casal receba “gato por lebre depois que a cerimônia de suas vidas já foi realizada. E todo mundo pensa em casamento para vida toda, então é bom não arriscar no registro do evento”, recomenda, com humor.