09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Deborah Maciel Cavalcanti Rosa  

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

Éder Azevedo

Deborah: “Quanto mais pessoas eu puder atingir para a melhoria da saúde, eu vou fazer; e sempre vou atender todo mundo com um sorriso no rosto”  

A entrevistada de hoje é exemplo de que é possível conciliar maternidade com carreira profissional. Mãe de três crianças, a pneumologista e assessora médica da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), Deborah Maciel Cavalcanti Rosa, tem 38 anos e acumula importantes cargos na área médica de Bauru. Entre eles, a direção executiva do Hospital Estadual assumida recentemente.

 

“A vida dos meus pais foi construída sobre muito trabalho e pouco tempo. Ou seja, cresci com esse modelo de que é possível administrar o seu tempo. E minha mãe sempre conversou muito comigo sobre isso. Ela sempre me disse que, quanto menos tempo a gente tem, mais tempo a gente arruma para fazer as coisas que quer”, grifa. 

 

Nascida em Vitória, Espírito Santo, Deborah cresceu profissionalmente em Bauru e construiu uma família. Pensou em voltar para sua terra natal, mas as oportunidades surgiram. “As coisas vêm acontecendo e a gente precisa abraçar os desafios. Quando passei para a área administrativa, fiquei um pouco abalada, porque gosto de atender. Mas ainda tenho alguns pacientes, fiz questão de não abrir mão disso. Também percebi que eu posso melhorar o fluxo de assistência e beneficiar muito mais pessoas”. 

 

Sempre com um sorriso no rosto e simplicidade nas palavras, a entrevistada de hoje também fala sobre maternidade e defende o parto natural. Leia mais a seguir. 

 

Jornal da Cidade - Você tem três filhos e uma de suas atividades é a direção executiva do Hospital Estadual. Como conciliar uma carreira promissora com a maternidade?  

Deborah Maciel Cavalcanti Rosa - Meu pai é um engenheiro mecânico que trabalhou a vida inteira em metalúrgica. Minha mãe é dentista. Quando eles se casaram não tinham praticamente nada, e logo eu, que sou a primeira filha de quatro, nasci. Então, toda a vida deles foi construída sobre muito trabalho e pouco tempo. Ou seja, cresci com esse modelo de que é possível administrar o tempo. E minha mãe sempre conversou muito comigo sobre isso. Ela sempre me disse que, quanto menos tempo a gente tem, mais tempo a gente arruma para fazer as coisas que quer. É claro que um ritmo mais agitado é estressante e nem todo mundo aguenta. Mas eu faço o que eu gosto, então eu consigo. 

 

JC - O artesanato ajuda a aliviar essa rotina agitada? 

Deborah - O artesanato me concentra e me desestressa. Gosto de mexer com madeira, com pintura... A cada hora invento e aprendo alguma coisa. Eu gosto de aprender coisas novas. O artesanato também é uma forma de ter contato com o simples. A vida da gente é tão complicada, que é preciso voltar para o básico, para perto da natureza. Hoje é mais difícil lidar com o artesanato por causa das crianças, não sobra muito tempo para eu fazer isso sozinha, mas estou inserindo eles aos poucos nessa atividade. Compro caixinhas para eles pintarem, compro tintas, pincéis, coloco avental... E eles gostam de fazer isso (risos). 

 

JC - A medicina e a maternidade sempre foram objetivos? 

Deborah - A maternidade, sim. Eu sempre quis ser mãe de muitos filhos. Perdi dois. Tive de fazer curetagem, o que é uma dor emocional muito grande. Foi muito traumático mesmo. Seis meses depois da última perda, engravidei da Giovanna e decidi ficar nos três. Meus três partos foram naturais e humanizados. Vejo que as mulheres são induzidas a acreditar que o parto dói muito, o que pode acontecer, já que cada pessoa sente de maneira diferente. Mas eu acredito que você precisa sentir antes de dizer que não aguenta. Duas horas depois dos partos eu estava em pé, trocando fraldas, tomando banho, amamentando... Sou uma defensora do parto natural. Também não restrinjo a amamentação. Minha filha está com 1 ano e dez meses e ainda mama. Precisamos nos voltar mais para a natureza humana. Somos pessoas. 

 

JC - Sobre ser médica.

Deborah - A vontade de fazer medicina surgiu no início da adolescência, quando minha avó faleceu. Eu ficava muito com ela porque meus pais trabalhavam, e foi uma perda difícil, mas me estimulou a querer cuidar das pessoas. Antes disso pensei em fazer arquitetura.

 

JC - Como teve início a sua trajetória profissional? 

Deborah - Fiz faculdade na Federal do Espírito Santo e residência e doutorado em Botucatu. Quando era residente, já dava plantões aqui, no Hospital Estadual. Em 2005, fui contratada como clínica geral e, depois, como pneumologista. Bauru e o Hospital Estadual são a minha base profissional e pessoal. Em 2009, quando voltei de uma licença-maternidade, decidimos voltar para Vitória. Meu marido também é de lá e nossas famílias estão lá. Entretanto, recebi a proposta de assumir a gerência médica e diretoria clínica do Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Aceitei porque acredito que devemos seguir os caminhos mostrados por Deus.   

 

JC - Quais foram os próximos desafios? 

Deborah - Bom, comecei no AME em 2009. Em 2013 fui convidada a ser diretora executiva adjunta do Hospital de Base. Ajudei a reestruturar o HB e saí de licença-maternidade outra vez. Quando voltei, fui convidada a fazer assistência técnica da área hospitalar na coordenadoria da Famesp para coordenar os hospitais de Bauru: Estadual, Base, Maternidade e Manoel de Abreu. Em março deste ano, assumi a diretoria executiva do Estadual. 

 

JC - Projetos para o futuro?

Deborah - Nunca planejei nada. As coisas vêm acontecendo e a gente precisa abraçar os desafios. Eu sempre trabalhei atendendo as pessoas, e agora estou aprendendo a administrar, algo bem diferente do meu trabalho até hoje. Meu projeto é melhorar a assistência médica. Tive uma crise existencial no meio do caminho, porque gosto de atender paciente, abraçar, beijar, ouvir as suas histórias, sofrer e rir junto. Quando passei para a área administrativa, fiquei um pouco abalada. Ainda atendo os meus pacientes, fiz questão de não abrir mão disso. Foi uma condição, inclusive. Mas eu percebi que eu posso melhorar o fluxo de assistência e beneficiar muito mais pessoas. Quanto mais pessoas eu puder atingir para a melhoria da saúde, eu vou fazer. 

 

JC - O otimismo, a simplicidade e a alegria parecem ser características marcantes em sua personalidade... 

Deborah -  Gosto de pensar da seguinte maneira: tira tudo da sua vida. Tira emprego, tira casa, tira tudo o que é material e pensa no que fica, nos valores, nas virtudes. Eu acho que as pessoas perderam isso. O poder da palavra, por exemplo. Alguém te fala uma coisa aqui, vira as costas e não cumpre. Eu defini três coisas que eu peço diariamente em minhas orações: boa vontade, bondade e bom senso. Eu gosto de dizer que sou católica de batismo, mas já frequentei outras igrejas. Digo que sou uma composição de tudo o que acredito. Você tem que se amar, amar o próximo e a Deus. Todo o resto que vem é natural e amor. E sempre vou atender todo mundo com um sorriso no rosto.  

 

Perfil

 

Nome: Deborah Maciel Cavalcanti Rosa  

Idade: 38 anos

Signo: Leão

Local de Nascimento: Vitória (Espírito Santo) 

Marido: Eric Pivari Rosa

Filhos: Lucas, Rafael e Giovanna 

Livro de cabeceira: “Médico de Homens e Almas” 

Hobby: Artesanato 

Filme preferido: Gosto de comédias

Estilo musical predileto: Rock 

Time de futebol: Flamengo 

Para quem dá nota 10: Para a caridade  

Para quem dá nota 0: Para o egoísmo