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Aceituno Jr. |
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Elza com os filhos Gabriel e Raphael: uma relação de carinho e muita gratidão |
Manhã de quinta-feira, véspera de feriado. Se fosse há mais de uma década, a psicóloga Elza Cruz Dias Guerche, de 51 anos, se prepararia para mais um dia de trabalho na pizzaria da família, no bairro Vista Alegre, em Bauru. Mas o futuro que ela sonhava para seus dois filhos, de 3 e 6 anos na época, não era compatível com a vida urbana. Desde então, o industrializado deu lugar ao cultivado, ordenhado e produzido pelas próprias mãos em uma propriedade na zona rural de Bauru, de 2,5 hectares.
Filha de lavradores, criada em sítio de Quatá e de Barra Bonita até aos 14 anos, a mulher voltou às origens em nome da unidade familiar, qualidade de vida e liberdade de crescimento de Raphael Dias Guerche, hoje com 18 anos, e Gabriel Dias Guerche, de 16.
Ambos estudam na Escola Técnica Agrícola de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru) e voltam para a casa aos finais de semana e feriados. O primogênito cursa informática. Já o irmão, técnico agrícola e química.
Antes de a família ter o estabelecimento comercial, Elza já havia feito outra renúncia. Formada em psicologia logo após o nascimento do primeiro filho, deixou de exercer a profissão para poder se dedicar exclusivamente à família.
Próprias mãos
Na propriedade onde mora, nada de tecnologia de ponta ou luxo. Uma construção rústica, feita pelo próprio casal. A recepção é feita por Nane e Neguinho, dois cães sem raça definida que vivem em perfeita harmonia com os outros animais: aves, suínos, um bezerro e a Estrela, uma vaca que diariamente, bem cedinho, ‘fornece’ cerca de 50 litros de leite que viram queijo nas mãos de dona Elza.
Antes de os filhos viajarem para estudar, havia ainda uma grande horta com frutas, legumes e verduras. Desde criancinhas, Raphael e Gabriel ajudavam nos afazeres, em especial na plantação e na colheita. “Assim eles aprenderam a dar um outro valor a tudo na vida. Na cidade, você compra as coisas, paga por elas e esse se torna seu valor. No campo é diferente. Meus meninos valorizam tudo que ganham e conquistam com um outro significado”.
Mas, com a partida dos filhos para os estudos, manter essa produção não foi possível. “Antes, tinha uma infinidade de coisas plantadas, era tudo orgânico, sem qualquer tipo de agrotóxico. Dá um trabalho grande e apenas o Sérgio (Elízio Guerche, marido, de 49 anos) e eu não conseguimos ‘dar conta’”, lamenta.
RESPEITO
A horta deixou de ser cultivada, os valores não. Mesmo distantes durante a semana, os herdeiros não rompem os laços com a matriarca. “Eles me ligam todos os dias, tem um lugar lá em Cabrália (Paulista) que o celular pega sinal e vão lá. Qualquer passo que vão dar, atitude que vão tomar, ou até mesmo antes de combinar com os amigos um cinema no fim de semana em Bauru, eles partilham comigo. É um respeito e um amor sem fim que, graças a Deus, conseguimos estabelecer entre todos”.
Atualmente, a família vive da venda de leite, queijo, ovos, carne de porco e de frango. E, claro, vive de muito amor.
Eterna gratidão
Além do amor incondicional pela mãe, Raphael e Gabriel cultivam um sentimento de eterna gratidão.
“Eu a amo desde meu nascimento, por tudo o que ela fez e pela coragem de deixar tudo pelo meu irmão e por mim”, disse Gabriel.
Raphael segue a mesma linha. “Agradeço minha mãe pelas renúncias feitas e tenho certeza que a escolha pelo campo foi correta. Eu a amo por tudo que ela é, fez e faz”.
Além de estarem juntos em casa e na escola, os irmãos também estavam juntos em uma festa de família, na noite do Dia do Trabalho.