Compartilhar significa participar, dividir responsabilidades, conviver, porém, para que se torne um benefício em prol do desenvolvimento infantil, deve primar pelo respeito à infância. Casais separados, em sua maioria, demonstram dificuldades quanto ao relacionamento amigável e na competição pela guarda do filho o transforma em mero troféu de disputa. Crime maior é obrigar a criança a compartilhar momentos com um desconhecido que visa resgatar a consciência perdida.
A guarda compartilhada gera polêmica quanto ao bem-estar do menor e quanto ao direito de viver em tranquilidade e segurança, sem duplicidade, garantindo o direito da criança em não ser usada apenas para saciar a vingança dos genitores, forçando uma convivência de aparências, que gera conflitos emocionais na alma infantil. Quando se priorizou o direito dos genitores, esqueceram do direito da criança. Esqueceram do ambiente pacífico tão necessário à formação de um adulto equilibrado, do direito de viver com segurança, aspecto deveras importante para a infância saudável. Injusto para a criança viver dividida, tal e qual um objeto, apenas para que os pais resgatem a dívida gerada pelo abandono de anos, quiçá décadas. Muitas vezes com doridas feridas emocionais, o filho é forçado a conviver com um estranho que doravante exige ser chamado de pai ou mãe.
Cabe aos especialistas em desenvolvimento infantil, professores, pediatras, psicólogos, psiquiatras, pedagogos e psicopedagogos elevarem a voz e destacarem o que é imperativo para o coração infantil a fim de colhermos na fase adulta pessoas equilibradas, felizes, amorosas e de bom senso. Quem ama não abandona, não doa, tampouco se ausenta para realizar atividades de somenos importância. A verdadeira guarda compartilhada é aquela que independe de imposição legal, mas sim a que nasce da responsabilidade e do amor verdadeiro, a que tece dia-a-dia elos de carinho no deambular da vida. Compartilhar é demonstrar interesse e dedicação em tempo integral, desde o nascimento e para sempre, o que independe de lei, mas carece de responsabilidade e nobreza de caráter.
O problema maior não está para com quem fica a guarda, pois não basta apenas o direito adquirido, mas, e principalmente, o respeito ao coração infantil, para que a lei não se transforme em mera moeda de troca e a criança em troféu a ser conquistado pela força cogente. Compartilhar é bom para quem ama e quem ama não abandona!
A autora é professora, pedagoga, psicopedagoga e advogada. Autora de Quintal de Sonhos