09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A realidade do futebol


| Tempo de leitura: 2 min

Morando aqui em Araraquara há 33 anos, achei que esqueceria meu Norusca. Ledo engano; muito pelo contrário, continuo o mesmo apaixonado com saudades da minha terra. O que me entristece é ver a evolução de certos times e a involução de outros. Times como Guarani que foi até campeão brasileiro, Portuguesa, vice- campeã do Brasileiro, fora isso, Inter de Limeira, América de Rio Preto, União de Araras, XV de Jaú, Comercial de Ribeirão, Paulista de Jundiaí e mais alguns times de cidades com população que vai de 350 mil a 1 milhão de habitantes que hoje chafurdam nas divisões inferiores causando vergonha para seus torcedores.

Em compensação, times de cidades modestas, modestíssimas, como é por exemplo o Oeste, de Itápolis, cidade com um pouco mais de 40 mil habitantes, que nesse momento estou escrevendo está ascendendo à primeira divisão do maior campeonato regional do país. Um estádio que mais parece um pasto cercado por um puleiro, mas que tem time competitivo e é administrado por uma equipe que sabe o que fazer. Fora isso, Audax e Red Bull, times sem torcida, mas organizados estruturalmente falando, estão aí desfilando na Série A.

Noroeste e Ferroviária fazem parte dessa história com pitadas de tristezas e alegrias. Noroeste, pela sua torcida apaixonada, era para estar com certeza na Série A-1, mas em compensação, pela gestão, merece estar no lugar onde está. Infelizmente Bauru não tem indústrias como Cutrale, Nestlé, Lupo, Iesa, Nigro, Sachs e mais algumas que sempre estão patrocinando a AFE. Araraquara, uma cidade rica que ao verem a AFE no buraco transformaram-na em Sociedade Anônima e hoje está aí a resposta.

Campeã por antecipação da A2 e com um estádio considerado o 3º mais bonito do Estado, gerenciada por um grupo de pessoas que realmente sabem como gerir uma equipe de futebol. O Bauru Paschoalotto é o verdadeiro exemplo de gerência no esporte. A falta de indústrias em Bauru é um dos motivos para o Norusca estar nessa situação. De que adianta ter boas faculdades e universidades numa cidade se os estudantes que nela estudam vêm de fora e pra lá voltam.

Industrias são, pelo contrário, a alavanca de uma cidade, pois geram impostos, seus funcionários gastam o que ganham na própria cidade, investem nos filhos gerando renda e um possível patrocínio para o time da cidade. Se ainda dá tempo, não sei, mas que do jeito que está vai chegar um dia que essa equipe vai acabar no fundo do poço, se é que já não está.

Juarez Malaquias Gomes- Araraquara-SP