11 de julho de 2026
Política

Reunião de prefeitos na Câmara de Bauru discutirá futuro do Rio Batalha

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Os prefeitos de Bauru, Piratininga e Agudos finalmente vão se encontrar para discutir o futuro do Rio Batalha, manancial que abastece 40% da população bauruense, e nasce na Serra da Jacutinga, em Agudos, percorrendo trecho deste município e de Piratininga até chegar a Bauru, onde o Departamento de Água e Esgoto (DAE) possui lagoa de captação. O rio é ainda limite natural em parte da divisa entre Bauru e Piratininga.


O encontro será na próxima sexta-feira (8), às 11h, na Câmara Municipal de Bauru, e foi articulado pelo vereador Markinho da Diversidade (PMDB), líder do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) no Legislativo. “Já havia manifestado essa intenção aos prefeitos de Piratininga e Agudos em outra ocasião, depois conversei com o Rodrigo e ele deu carta branca para agendarmos uma reunião como esta. Não adianta cada município ter ações isoladas se o rio passa pelo território das três até chegar à lagoa de captação de Bauru, que retira a água para a Estação de Tratamento (ETA)”, pontua Markinho.


Das três cidades, apenas Bauru capta água do Batalha para consumo da população. Em Piratininga e Agudos, a água tem utilização apenas rural. Após passar por Bauru, o rio banha ainda os municípios de Avaí, Reginópolis e Uru, com sua foz no Rio Tietê, percorrendo trajeto total de 167 quilômetros. A lagoa de captação de Bauru fica distante 22 quilômetros da nascente.


Por parte da Prefeitura de Bauru, participarão da reunião ainda a secretária de Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, e o secretário de Agricultura e Abastecimento, Chico Maia. O diretor do Fórum Pró-Batalha, Gabriel Motta, também foi convidado.


O prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), lembra que o último grande encontro para debater o tema foi há 20 anos. “Aconteceu na época que foi fundado o Fórum Pró-Batalha foi fundado, e é de suma importância que a gente discuta o assunto e faça ações em conjunto para recuperar o rio. Agudos e Piratininga não dependem diretamente da água do Batalha para consumo das cidades, mas a utilizam na agropecuária, que são a base econômica dos dois municípios, e em Piratininga há ainda loteamentos na área de abrangência do rio, onde é preciso haver ações permanentes”, comenta.


Preservação


Ao longo do Século XX, o Rio Batalha sofreu com o desmatamento de suas matas ciliares e o uso irracional da água. Ações de reflorestamento começaram a ganhar corpo a partir dos anos 1990, mas ainda há muitos trechos do manancial que precisam de recuperação. Em 2014, Bauru sofreu com rodízio de água por duas vezes, justamente devido ao baixo nível da represa de captação, que tem como profundidade ideal 2,60 metros, mas chegou a ter menos de um metro entre setembro e novembro do último ano.


Para evitar novos racionamentos, a prefeitura e o DAE sabem que investimentos terão de ser feitos para reduzir o desperdício – a começar na própria ETA – além de preservar o Rio Batalha, que possui apenas sete quilômetros de margem antes da Estação sob responsabilidade de Bauru. São 44 quilômetros se somadas as duas margens (Áreas de Proteção Permanente), nos 22 quilômetros da nascente, na Fazenda São Benedito, em Agudos, até a lagoa de captação. Os outros 37 quilômetros pertencem a Agudos e Piratininga, cidades que têm todo o abastecimento proveniente de águas subterrâneas, através de poços.


O prefeito de Agudos, Everton Octaviani (PMDB), destaca que mesmo sem usar diretamente a água do Batalha, pretende intensificar a preservação. “Temos algumas ações em andamento, como o plantio frequente de mudas na área da nascente e na mata ciliar. Sabemos da importância do rio para toda a região, e com a nascente em nosso município, temos esta parcela de responsabilidade. É necessário ações conjuntas com as demais cidades também”, explica.


Já o prefeito de Piratininga, Sandro Bola (PSDB), acredita que também pode colaborar. “Tratamos 100% do nosso esgoto, e o aterro sanitário fica longe do rio, pois a gente envia a um aterro privado da CGS, em outro local do município. Fazemos ações constantes junto à Sabesp para conscientização ambiental e recolhimento de óleo também. Estamos abertos a novas propostas para melhorar a preservação”, aponta.


Mudas


A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, por meio do titular, Chico Maia, conseguiu no ano passado R$ 700 mil junto à Agência Nacional de Águas (ANA) para recuperação de mil hectares da Bacia do Rio Batalha. A secretária de Meio Ambiente, Lázara Gazzetta, reitera que 100 mil mudas serão plantadas em breve nos sete quilômetros de margem do rio que estão no município de Bauru.


“Por meio de parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura é que vamos ter estas mudas, mas só na APP de Bauru. Por isso a necessidade de ações integradas com Piratininga e Agudos, pois não podemos fazer projetos em áreas de outros municípios, e se houver esta integração, é possível conseguir recursos para melhorar a nascente e as margens que estão nas outras cidades”, salienta Lázara.


Em Bauru, uma das situações que preocupa a prefeitura é o Águas Virtuosas, que fica próximo à vertente do Batalha e que pode tornar-se foco de contaminação. A Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) vai participar da reunião desta sexta-feira para desenvolver ações sócio-ambientais junto aos moradores do Águas Virtuosas, na tentativa de conscientizá-los sobre a destinação adequada de resíduos.


Filetes de água


O Plano Diretor de Águas, concluído no segundo semestre do ano passado, encomendado pelo DAE, mostrou uma situação preocupante. Erosões, falta de mata ciliar, entre outros, refletem a situação degradante do manancial que abastece quase 40% da população bauruense. Em alguns trechos, o Rio Batalha tem apenas ‘filetes’ de água, bem como seus 17 afluentes entre a nascente e a lagoa de captação do DAE.


A maior parte da jurisdição do rio entre a nascente a captação é do município de Agudos, que apesar de não ter ocupação de loteamentos, possui áreas desmatadas para agricultura e pecuária, com assoreamento de nascentes. Já em Piratininga, a ocupação das margens, inclusive com loteamentos residenciais, foi apontado como fator de risco ao Rio Batalha.