11 de julho de 2026
Articulistas

Economia: o entrave político

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 3 min

Que a economia e a política caminham juntas não é novidade, por sinal, a avaliação de um governo passa necessariamente pela condução econômica, mas o momento econômico delicado por que passa o país a questão política representa um verdadeiro entrave. Não há consenso sobre as medidas a serem adotadas, mas é certo que sem o ajuste fiscal o país não retomará o crescimento econômico. A leitura do momento atual da economia brasileira não é nada animadora: pressão sobre os preços, com inflação projetada para este ano bem acima da meta traçada de 6,5% ao ano (podendo atingir mais de 8%), queda do nível de atividade econômica, com previsão de um Produto Interno Bruto menor para este ano (queda acima de 1%), culminando com aumento do desemprego.

A classe média brasileira, aquela que a duras penas melhorou de vida nos últimos anos, já sente no bolso a carestia, a falta de emprego, e retoma antigos hábitos de consumo, reduzindo seu padrão de vida.

Não obstante a constatação de que há uma deterioração do ambiente econômico, alguns indicadores sinalizam que há uma melhora em curso. Um deles é a taxa de câmbio. De um dólar "muito nervoso", com projeções que apontam até para R$ 4,00, atualmente gira entre R$ 3,00 e R$ 3,10, operando em determinado momento até abaixo de R$ 3,00. De alguma maneira refletindo mais a valorização do dólar no mundo todo do que a nervosismo interno, cujo pico levou a cotação a quase R$ 3,50.


Outro indicador positivo é o comportamento do mercado acionário brasileiro. Obteve resultado acima de 9% em abril e muitas ações, notadamente as de empresas com maior participação no índice Bovespa (como Vale e Petrobrás), estão em franca recuperação, não estabeleceram tendência de alta, mas o desempenho atual é animador.

Em recente fórum comemorando aniversário de um importante jornal de economia, os convidados, em sua maioria importantes líderes empresariais, tendo ainda a presença do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, houve consenso que chegamos ao fundo do posso e agora é olhar para cima e retomar o crescimento do país. O pensamento de alguns agentes econômicos comunga com o pensamento das agências de riscos: o momento é delicado, os indicadores são ruins, mas a disposição em promover o ajuste fiscal reascende a confiança.

Mas o que falta, então? Resolver a nada fácil situação política. A base aliada está rachada e sem maioria no Congresso Nacional as coisas não andam na velocidade que a economia precisa. É evidente que não podemos ser superficiais e imaginar que somente com o ajuste fiscal tudo estará resolvido, afinal, há gargalos na economia que não foram e não serão equacionados, como a pouca disposição em investir tanto por parte do setor público, potencializado pelos problemas da Petrobrás (importante investidor no mercado brasileiro) como do setor privado, mas o ajuste fiscal pode, em última instância, resgatar parte da confiança dos agentes econômicos.

O pensamento isolado, voltado ao interesse da disputa de poder, gera a um preço elevado para o grosso da população. Falamos de fechamento de postos de trabalho, perda do poder aquisitivo, falamos em queda na qualidade de vida do cidadão brasileiro.

Na prática, os políticos prestam um desserviço à nação brasileira, notadamente quando seus interesses pessoais são colocados acima dos interesses coletivos. Se há algo a ser exigido pela sociedade brasileira é: políticos, eliminem os entraves e pensem no coletivo!

Insisto: o ajuste não pode ser a solução de todos os graves problemas que o país atravessa, muitos provocados pelo governo reeleito, mas é o primeiro passo para a retomada da confiança, o que por si só já geraria alívio da economia. O que menos a economia brasileira precisa neste momento é de entraves, principalmente políticos.

O autor é economista e articulista do JC