09 de julho de 2026
Política

Laudo constata iluminação pública deficiente em Bauru

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

João Rosan

Secretário Sidnei Rodrigues, Evandro da Silva Pinto, Igor Fournier, Carlos Augusto Ramos Kirchner e Luiz Bataglini

O laudo com a avaliação da manutenção do parque de iluminação pública de Bauru chegou na tarde dessa quarta-feira (6) às mãos do secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues. O levantamento foi realizado pela Kirchner Consultoria em Energia, vencedora da licitação, por R$ 68 mil, e apontou diversas falhas na iluminação da cidade.


A zona urbana de Bauru foi dividida em 30 regiões diferentes, chamadas de polígonos no laudo, contemplando todos os setores da cidade. De um universo de 41.649 pontos, foram analisados 1.604, com índice de confiabilidade de 90% e margem de erro de 2%. Quatro pontos foram analisados: lâmpadas apagadas durante a noite, luminárias com sujeira (o que reduz a eficiência), luminárias danificadas ou faltando componentes, e lâmpadas acesas durante o dia.


Apenas neste último item Bauru cumpre as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que tolera até 2% de lâmpadas acesas, sendo que apenas 0,44% estão nesta situação, de acordo com o levantamento. Já as lâmpadas apagadas à noite são quase o dobro do recomendável: 5,36%, enquanto o ideal é 3%.


No caso de luminárias sujas, o que reduz a eficiência da iluminação, o índice é de 28,68%, sendo que a Aneel recomenda um limite de 6%. Finalmente, as luminárias danificadas ou com falta de componentes somam 24,19% do universo analisado, porém o máximo recomendado é de apenas 2%, ou seja, Bauru tem 12 vezes mais luminárias danificadas ou com falta de componentes do que o padrão estabelecido como ideal.


Necessidade


O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, salienta que o estudo era necessário para encaminhar as ações que serão tomadas, pois a prefeitura conseguiu liminar para não assumir os ativos de iluminação pública sem que a atual concessionária (CPFL) faça os reparos necessários.


“Certamente o investimento é na ordem dos milhões de reais, pois estamos falando de quase 42 mil pontos de iluminação. O estudo foi bem completo na análise destes quesitos, e até sexta-feira entregaremos este material à Justiça, que pediu este laudo dentro da ação que o município move para assumir os ativos dentro da situação considerada aceitável pelas normas técnicas”, afirma.


Atualmente, Bauru paga cerca de R$ 600 mil mensais apenas para o custeio da iluminação pública (o valor da energia em si), mas com os sucessivos reajustes da eletricidade, este valor pode chegar em breve a quase R$ 1 milhão, o que levaria o município a desembolsar de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões anuais.

Tipos de iluminação


Total de 41.649 pontos

70W de sódio - 3.294 pontos

80W de mercúrio - 76

100W de sódio - 21.568

125W de mercúrio - 243

150W de sódio - 4.189

150W de vapor metálico - 174

250W de sódio - 10.023

250W de vapor metálico - 2.082

Já a despesa de energia com prédios públicos soma mais de R$ 7 milhões por ano. No caso da liminar, a prefeitura conseguiu que se adiasse até o fim de junho a transferência dos ativos, ou até que se julgue o mérito da ação.

Por outro lado, a Câmara dos Deputados derrubou na semana passada esta resolução da Aneel, porém a prefeitura garante que vai manter a mobilização dentro da Secretaria de Obras para atender a resolução, caso isso seja necessário. Duas equipes da pasta estão em treinamento, e, no futuro, pode haver Parceria Público Privada (PPP) para gerir o setor, como já ocorre em cidades como São Paulo e Porto Alegre.


Hoje, o laudo deve ser encaminhado à Secretaria de Negócios Jurídicos – justamente por conta da liminar adiando a transferência dos ativos da iluminação pública – e também à CPFL, que acompanhou a elaboração do estudo.


Fizeram parte do levantamento técnico da Kirchner Engenharia Luiz Antonio Bataglini, João Fernandes Lima e Nelson Kobayashi, da CPFL Carlos Eduardo Mady, Marcelo Oliveira e Luciano de Oliveira; e da prefeitura, através da Secretaria Municipal de Obras, Igor Fournier e Evandro da Silva Pinto.


Crítico


De maneira geral, constatou-se que em bairros periféricos a condição da iluminação pública é mais precária, inclusive com atos de vandalismo. A área da cidade que teve piores índices foi a região noroeste, em bairros como Fortunato Rocha Lima, Jaraguá, Santa Edwirges, Roosevelt e Vânia Maria.


No Fortunato Rocha Lima, foram constatados os piores índices. De um total de 52 pontos analisados no bairro, 16 estavam apagados à noite, 13 sem refrator, 10 com refrator quebrado e 26 com o refrator sujo. Nas regiões central e sul, o estudo obteve os melhores índices. No Centro, por exemplo, de 53 lâmpadas analisadas, apenas uma estava queimada à noite, oito sem refrator e 27 com o refrator sujo.


O gerente de negócios da CPFL em Bauru, Luiz Antônio de Campos, salienta que a empresa está aberta ao diálogo com a prefeitura. “Ainda não recebemos o laudo, mas queremos fazer uma transição pacífica com o município. Vamos sentar com eles (prefeitura) e conversar para definir o que pode ser feito”, reitera.

Situação da iluminação em Bauru


Luminárias com sujeira: 28,68% (limite é até 6%)

Luminárias danificadas/falta de componentes: 24,19% (ideal é até 2%)

Lâmpadas apagadas à noite: 5,38% (ideal é até 3%)

Lâmpadas acesas durante o dia: 0,44% (ideal é até 2%)


Fonte: Laudo da Kirchner Consultoria

O laudo aponta ainda divergência sobre a classificação apontada no cadastro da CPFL e parte do que foi encontrado nas ruas. Foram encontradas ainda lâmpadas a vapor de mercúrio, considerada ultrapassada, e tipos de braço que já estão em desuso.

Recomendações


Ao final do relatório, há apontamentos de como as melhorias podem ser feitas. A principal sugestão é dividir a cidade em regiões. “O ideal é que se faça todas ações por setor. Pode-se dividir a área urbana em 12 regiões e atacar uma por vez”, destaca o engenheiro Carlos Kirchner. “Outro aspecto é que sempre que uma lâmpada for trocada, por exemplo, o certo é a manutenção já ser feita em tudo, ou seja, limpeza da luminária e troca de equipamentos que estejam inadequados. Isso melhoraria muito”, argumenta.