11 de julho de 2026
Cultura

Viviane Mendes tira parte de suas obras das quatro paredes e ganha apoio


| Tempo de leitura: 3 min

Renan Casal

Com seu cachorro de porcelana ao lado, Viviane Mendes sorri ao divulgar proposta de expor quadros seus na frente de casa

Quem quiser pode chegar bem perto, admirar as obras, fotografar e, se tiver vontade, tocar a campainha da artista plástica Viviane Mendes. É que ela decidiu  colocar três de seus quadros na calçada, na frente de casa, na quadra 19 da alameda Octávio Pinheiro Brisolla, ao lado do Aeroclube.


A intenção vai além de vender seus trabalhos. “É preciso tornar a arte mais acessível. Muita gente só quer olhar e se sente inibida de entrar no ateliê. Até quem estava no ponto de ônibus atravessou a rua para ver”, comemora a artista bauruense.


Além de desfrutar da beleza das obras, quem as visita é recebido com tapete vermelho e flores. “É um carinho, uma forma de dizer que me importo com quem está ali admirando os quadros”, conta Viviane.


Para compartilhar


De acordo com a artista plástica, para entrar no mercado da arte é necessário um currículo extenso, um curador, um crítico de arte, um marchand, uma galeria...


“Há todo um glamour e a dificuldade de fazer parte desse mundo. Precisamos diminuir o espaço entre o artista e o público e ter coragem de levar a arte de forma mais democrática” , avalia. As redes sociais também desempenham um papel importante nessa missão.


Desde que Viviane postou uma foto da “Arte na rua” em sua página no Facebook foram centenas de curtidas, compartilhamentos e comentários elogiando a iniciativa.


“Fiquei bem impressionada com a repercussão! Esse apoio me encorajou a continuar. A duração do projeto vai depender desse retorno das pessoas”, destaca a artista.


Ela acredita que o sucesso está no interesse do público, que terá acesso mais descomprometido ao seu trabalho, e também no apoio de outros artistas, que se solidarizam e se identificam com a proposta.


Mostra dinâmica


Viviane estima que irá expor na calçada 17 de suas obras. A cada dia serão três quadros diferentes, sem horário definido. “Enquanto trabalho no ateliê, tem ‘Arte na rua’. Se chover, recolho tudo. Dá trabalho montar e desmontar, mas vale a pena”, garante. à noite, claro, as obras são recolhidas.


Mas não dá medo de deixar os quadros ali “sozinhos”? “Ah, não! O medo trava a gente e não combina com arte. Na verdade, estou dando o meu melhor, dando amor... As pessoas vão sentir dessa forma e também respeitar isso”, acredita a artista.


Relaxar


Aproveitando o bate-papo, Viviane Mendes comentou uma das manias do momento: os livros de colorir para adultos, indicados, principalmente, para aliviar o estresse.


“Ainda é cedo para saber os resultados, mas sou super a favor. Isso tem um potencial de cura enorme! Nesse momento, a pessoa sai do virtual, do celular ou do computador, não pensa nas preocupações do que passou nem com o que virá no futuro. Ela está ali no momento presente e pode entrar em um estado meditativo”, comenta a artista.


Surpresa


Uma obra aberta, chamada “Todos somos um” foi um dos destaques da sua mostra que, por seis meses, permaneceu no Villaggio Mall Center, sendo a mais longa de sua carreira. “Esse foi um quadro feito a 90 mãos. Eu registrei o momento em que cada um trabalhou”, lembra. “As pessoas valorizaram ainda mais a arte, porque sentiram como dá trabalho!”, completa.