|
Alex Mita |
|
|
|
Célio Bucceroni, Marcos Garcia, Rodrigo e Arnaldo Ribeiro apresentaram números ao Sinserm |
A reunião entre o primeiro escalão da prefeitura e os diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm), realizada nessa sexta-feira (9) à tarde no auditório do gabinete do Palácio das Cerejeiras, terminou sem acordo, e mais do que isso, com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) sendo enfático ao afirmar que não pode conceder mais nenhum aumento, pois o caixa do município não suporta. “Não posso conceder um reajuste agora e não ter dinheiro para pagar salários no fim do ano ou o 13º. Mas se a economia melhorar, certamente vamos sentar com os servidores e negociar um reajuste”, disse.
O encontro durou pouco mais de uma hora e teve a participação do prefeito, do chefe de Gabinete, Arnaldo Ribeiro, e dos secretários de Finanças, Marcos Garcia, e Administração, Célio Bucceroni. Os quatro expuseram o quadro financeiro atual da prefeitura, com aumento de arrecadação abaixo da inflação no primeiro quadrimestre de 2015, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Apenas o IPTU e o IPVA tiveram crescimento acima da inflação, respectivamente 10,37% (R$ 39 milhões neste ano) e 7,9% (R$ 19,8 milhões em 2015). Outros tributos importantes, como FPM, ISS e ICMS, cresceram abaixo da inflação acumulada no período, que foi 7,8%.
O secretário de Finanças, Marcos Garcia, apontou que o orçamento no primeiro quadrimestre cresceu apenas 1,2% em comparação ao mesmo período do ano passado – a pasta refez os cálculos apresentados na quinta-feira, pois não havia contabilizado a receita com a outorga da folha de pagamento, ou seja, R$ 12,8 milhões, o que não acontecerá neste ano. Com isso, a variação foi pequena entre os dois exercícios, saindo de R$ 239,4 milhões de janeiro a abril de 2014 para R$ 242,3 milhões em 2015.
A previsão para o ano inteiro é de crescimento nominal de 4,26%. Ainda assim, abaixo da expectativa de inflação, que é de quase 8%, ou seja, haverá na prática queda real de quase 4%.
O secretário de Administração, Célio Bucceroni, mostrou o impacto que os abonos concedidos em março tiveram sobre a folha de abril: 7,2% na comparação com o mês anterior, ainda sem o reajuste. A transformação do vale-refeição em abono pesou e a folha de pagamento subiu de R$ 20,9 milhões para R$ 22,4 milhões.
Houve ainda ligeira queda no número total de servidores ativos, pois a prefeitura está contingenciando a contratação de novos servidores para repor aposentadorias e exonerações, excetuando-se Saúde e Educação. Bucceroni destacou que a prefeitura conseguiu atender cerca de mil inativos com a extensão do abono para quem recebe até R$ 2.300,00, para compensar a extinção do vale-compra aos aposentados e pensionistas.
Há dois meses, o Executivo passa por economia de gastos, após decreto do prefeito, e promete monitorar ainda mais gastos como energia elétrica e horas extras, que já caíram 50% entre março e abril.
Problemas
No abono concedido em março, servidores que ganham mais de R$ 2.300,00 ficaram sem direito ao abono do antigo vale-refeição, mesmo que trabalhem mais de 8 horas. Os que estão na jornada de 12 por 36 horas também. O prefeito Rodrigo Agostinho se comprometeu a analisar a situação, o mesmo valendo para a reposição de horas da greve por servidores do DAE, que foi apontada ontem pelo Sinserm, e que ocorreria neste fim de semana. Situações relativas à Emdurb também foram apresentadas, mas o presidente Nico Mondelli, ao JC, considerou positivo o acordo feito com a empresa – mas que ainda não foi assinado, segundo o sindicato.
O prefeito apontou ainda que pode flexibilizar o tempo para incorporações (de 10 para 7 anos), e aumentar de 30 para 35 anos o prazo para progressão da carreira (biênios), além de estudar a antecipação da data-base de março para abril. Nenhuma das propostas agradou o sindicato.
“São propostas a médio prazo. A curto prazo não houve evolução em relação ao que já estava desde o fim de março, e na quinta-feira levaremos isso para assembleia. Pode haver a volta da greve, que na verdade não acabou, mas foi suspensa”, apontou Moisés Cristo, diretor do Sinserm.
Na quinta-feira, às 10h, o Sinserm voltará a se reunir com o prefeito Rodrigo Agostinho para sanar os pontos pendentes, como a questão do vale-refeição não extensivo a trabalhadores com mais de R$ 2.300,00 e mais de oito horas de jornada, ou jornada de 12 por 36 horas, e reposição da greve. No mesmo dia, a partir das 18h, ocorre assembleia na sede do Sinserm, para avaliação, podendo ser deflagrada a volta da greve dos servidores.