09 de julho de 2026
Regional

Cidades sem maternidades veem seus bebês nascerem longe de casa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Pode parecer diferente, até charmoso, depende da maneira que cada um de nós encara a situação. O fato é que muitas pessoas que moram em cidades de pequeno porte, especialmente aquelas que não comportam uma maternidade, estão nascendo em outro município. Isso significa que a cidade natal de fato não será a mesma do registro.

Com isso, cidades como Borebi (45 quilômetros) não têm nascimento desde a década de 70, quando as parteiras ‘saíram de cena’. Os moradores da cidade nascem em Agudos, Lençóis Paulista ou Bauru. Embora o registro desse morador seja de Borebi, o local de nascimento será outro. É bem verdade que nem todos nascem e ficam em sua cidade natal. Mas é curioso que nesses municípios não tenham nascidos em mais de 40 anos.

A palavra natal, segundo o dicionário, diz respeito ao nascimento. É ela que determina a origem do indivíduo, a procedência. É geralmente o local onde os pais ou responsáveis vivem. Pode ser o local de onde o indivíduo guarda as melhores lembranças, onde passa a infância. Porém, para os nascidos nessas cidades onde não têm maternidade, a cidade natal terá outro significado.

É assim em Borebi, Torrinha, Arealva e Reginópolis dentre outras. Em Arealva, os dois filhos da auxiliar administrativo, Flávia Carraro são bauruenses, nasceram em um hospital particular de Bauru. Já o filho da cuidadora, Miriam Vieira e ela nasceram na cidade, no tempo que o médico ainda atendia na Santa Casa.

A escrevente do cartório de registro civil de Arealva, Denise Veridiana Marasatto confirma que não dá para ser diferente. “O local de nascimento não tem como mudar. Até a dois anos os nascidos aqui tinham como cidade natal aqui. Agora não tem mais partos na rede de saúde e nem parteiras.”

Em Reginópolis, as gestantes dão a luz em Pirajuí ou Bauru. Em Torrinha, as parturientes viajam até a cidade referência para parto que é Jaú e se tornam jauenses, logo ao nascer. No país nascem 321 bebês a cada hora, muitos deles vão ter como terra natal, um município vizinho aquele onde vão passar a viver com seus familiares.

Os meses que mais nascem bebês no Brasil são abril e novembro, no mínimo curioso. A explicação é simples, aqueles que nascem em abril foram gerados no inverno, mais precisamente em julho. Já os nascidos em novembro, são dos romances ocorridos durante o carnaval.

O mesmo não acontece na Europa. O mês que mais nascem bebês por lá é setembro e o que menos nascem é dezembro. Não há explicação científica para isso. O país onde nascem menos bebês no mundo é o Japão. No ano de 2012, nasceram 18 mil crianças a menos que em 2011. A tendência está relacionada à baixa taxa de fertilidade das japonesas.

Em Reginópolis, este ano nove gestantes deram à luz, até o início do mês de abril. Nos meses de fevereiro e março foram três e em janeiro, só dois. Todos os nascidos são bauruenses. Na cidade de Torrinha, em janeiro, três gestantes deram à luz, em fevereiro e março, foram nove, todos jauenses..

Bebês não nascem mais em Arealva

As moradoras da cidade de Arealva dão à luz em Bauru, a 45 quilômetros ou em Iacanga a 20 quilômetros. Isso acontece há poucos anos, segundo a escrevente do Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas da cidade, Denise Veridiana Marasatto.

“Há dois anos os nascimentos eram na cidade. Atualmente, o município não tem parteira e nem médico para fazer os partos. Os bebês nascem em Bauru e no registro deles constam o local de nascimento, embora sejam moradores de Arealva. O registro pode ser feito em qualquer cartório, só não pode mudar o local de nascimento. Vai constar que o bebê nasceu em Bauru e foi registrado em Arealva. Não tem como mudar isso. Não pode registrar como a criança tenha nascido em Arealva. É contra a lei.”

Ela não descarta a possibilidade de ocorrer algum nascimento na cidade. “Aqui não tem mais médico e nem parteira. Isso não quer dizer que não possa ter nascimento aqui. Pode ocorrer que nasça alguma criança de parto normal, uma emergência. Ultimamente não tem ocorrido.”

Moradores de Borebi nascem em Agudos, Lençóis Paulista e Bauru

Na pequena Borebi não nasce mais crianças desde a década de 70. Isso porque, a cidade tem pouco mais de dois mil habitantes e não possui maternidade. As antigas parteiras morreram e os nascimentos acontecem na cidade de Agudos, cerca de 12 quilômetros, em Lençóis Paulista, a aproximadamente 15 quilômetros ou em Bauru, a 45 quilômetros.

O cartorário Henrique Carani Coubb explica que embora as crianças não nasçam em Borebi, podem ser registradas lá. “O registro pode ser feito em um cartório de qualquer cidade. O que não pode mudar é o local de nascimento. Se a criança nasce em Agudos o local de nascimento tem que ser lá, embora ela more em Borebi.”

O cartório existe desde 1923 e Coubb lembra que naquela época os filhos dos moradores nasciam na cidade. “Na época as crianças nasciam em domicílio e tinham no registro de nascimento a cidade de Borebi. Os partos eram feitos por parteiras. Atualmente não temos feito registros com nascimento em domicílio, uma vez que a figura da parteira não existe na cidade.”

Segundo ele, os registros onde figuram o nascimento em Borebi aconteceram até a década de 70. “Fazemos de cinco a seis registros/mês. Na maioria deles consta o local de nascimento como Agudos. Outra parte, Lençóis Paulista e uma pequena parte, Bauru, especialmente aqueles moradores que têm convênio.”

Na opinião dele, a maioria nasce em Agudos por conta da proximidade. “Agudos fica a 12 quilômetros, muito perto. Há crianças que nasceram em Macatuba que fica a 20 quilômetros daqui, também.”