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Divulgação |
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Luz de velas: de modo nada romântico, foi assim que milhares de bauruenses começaram a semana |
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Ricardo Ursulino/Divulgação |
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Árvore foi arrancada até com a raiz na quadra 4 da Domingos Plete, na Vila Frutuoso Dias |
Um dia após a chuva que assolou Bauru, milhares de moradores ainda permaneciam sem energia elétrica. O estrago ocorreu em várias cidades, porém, por aqui, foi avaliado pela própria CPFL Paulista como o pior em todo Estado. Nessa segunda-feira (11), equipes das sedes regionais de Campinas, Botucatu e Rio Preto da empresa foram acionadas e vieram ao município para reforçar a ajuda nos reparos da rede.
A previsão era de que as 4.387 residências, que correspondem a uma população de mais de 20 mil habitantes, e que ainda estavam no escuro no início da tarde de segunda, voltassem a receber energia até a noite. Por volta das 19h, contudo, 600 unidades ainda estavam no escuro.
Além disso, o engenheiro responsável pelos serviços de campo da empresa, Clauber Pazin, frisa que os reparos nas redes que abastecem a zona rural da cidade devem ter início apenas hoje. “As chuvas afetam as estradas de terra e os caminhões têm dificuldade de acesso”, diz Pazin.
Danos
Após ficar mais de 24 horas sem energia elétrica, a aposentada Alzira Lopes, de 82 anos, se desesperava com a situação dos mantimentos nas duas geladeiras da casa. “Iremos perder tudo”, reclama ela ao filho Antônio José Palhaci, de 60 anos.
Ex-funcionário da antiga Cesp – Companhia de Eletricidade do Estado -, Palhaci criticava a demora no reparo da rede. “Nunca vi isso acontecer desta forma. Eles (CPFL) tinham que trabalhar com estoques de transformadores e ter mais funcionários na ativa”, opina. A crítica ao sucateamento da CPFL também foi feita de forma dura pelo Sindicato dos Eletricitários.
Outra moradora da quadra 11 da Campos Salles, na Vila Falcão, reclamava dos danos em sua geladeira. “A energia voltou, mas ela não está mais funcionando direito. Não fabrica mais gelo, parece que deu uma pane na parte eletrônica”, comenta a mulher de 60 anos, que pediu para ter a identidade preservada.
Na quadra adiante, o comerciante Wagner Luiz Parra, de 47 anos, contabilizava prejuízos em sua loja. “A chuva destelhou e levou o forro todo”, mostra o comerciante.
Até o final da manhã dessa segunda, o Corpo de Bombeiros informou que 13 postes caíram. A CPFL não havia contabilizado as quedas.
Restabelecimento
Conforme o JC noticiou nessa segunda, a CPFL informou que 30 mil residências (estimativa de 120 mil pessoas) foram atingidas pelo problema. “Bauru foi a mais afetada em todo interior”, observa Pazin.
Ele explica que algumas regiões da cidade tiveram certa prioridade no abastecimento por estarem localizadas em rede primária, que recebe energia de alta tensão com capacidade para abastecer mais de 200 residências. “Essa rede atende os hospitais e escolas, por exemplo”, frisa o representante da CPFL, “os locais que possuem UTI (Unidade de Terapia Intensiva) domiciliar também foram os primeiros a receberem o atendimento, por entrarem como prioridade”.
Já os moradores de locais abastecidos pela chamada rede secundária, que depende de transformadores, ainda estavam no escuro. Isso porque, além da queda de árvores, que danificou fios de alta tensão, os nove transformadores da CPFL acabaram queimados durante a chuva. “Cada transformador abastece cerca de 40 clientes. Alguns foram danificados por descarga elétrica atmosférica”, detalha Pazin.
Entre os bairros de rede secundária que ainda registravam falta de energia estavam o Vânia Maria, Terra Branca, parte do Mary Dota, Bela Vista, Jardim Gaivota, Águas Virtuosas, entre outros.
Durante a manhã, o JC também recebeu reclamações de falta de energia no Vila Ipiranga, Jardim Guadalajara e em condo mínios como o Lago Sul e Villagio 3 e na região do cruzamento da avenida Duque de Caxias com a rua Rubens Arruda.
Também houve reclamação de residências que receberam meia fase de energia no Jardim Europa e imediações.
Danos X ressarcimento
Danos em equipamentos elétricos causados por instabilidade no fornecimento de energia devem ser ressarcidos pela CPFL. Em nota, a empresa diz analisará os pedidos realizados pelos consumidores, conforme determina a Resolução Normativa 414 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Para solicitar o ressarcimento, o consumidor deve entrar em contato com a CPFL Paulista até 90 dias depois da ocorrência que danificou o aparelho. Uma breve descrição do caso com provável data e horário do ocorrido, informações sobre sua unidade consumidora, relato dos problemas e detalhes de marca e modelo do aparelho devem ser fornecidos.
A empresa tem prazo de 15 dias, a partir do registro da reclamação, para analisar individualmente as solicitações e dar resposta aos clientes.
Se verificado o problema, a CPFL pode requerer que o cliente envie dois orçamentos sobre do equipamento danificado ou ainda solicitar um orçamento para reparo do dano ocorrido a uma empresa especializada. Com os orçamentos e laudos aceitos, o ressarcimento deve ocorrer em até 20 dias.
O dever da empresa de reparar os danos causados também está assegurado no artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Segundo a coordenadora do Procon em Bauru, Fernanda de Assis Martins Pegoraro, caso a empresa negar o ressarcimento ou não der resposta ao consumidor, o órgão deve ser acionado.
“O Procon irá instaurar um procedimento administrativo contra a concessionária de energia e poderá mediar uma conciliação entre as partes. Em último caso, irá encaminhar o caso para o Judiciário”, destaca.
Serviço
Canais de atendimento ao cliente da CPFL Paulista: 0800 010 1010 (ligação gratuita); https://www.cpfl.com.br; SMS: enviar para 27351 (em casos de falta de energia, o cliente envia seu código de consumidor para este número e recebe também via SMS a previsão de restabelecimento); e-mail: https://paulista@cpfl.com.br.
Recorde: 100 árvores e galhos caíram na chuva
Várias árvores caídas ainda tomavam ruas e calçadas nessa segunda. A Defesa Civil do município avalia que chuva do último domingo tenha provocado recorde de quedas.
“Entre galhos e árvores, caíram mais de 100. Acredito que tenha sido o recorde em uma chuva”, aponta Álvaro de Brito, coordenador do órgão no município.
Já o Corpo de Bombeiros contabilizou a queda de, pelo menos, 40 árvores. Para se ter ideia, segundo reportagem veiculada no JC em janeiro, no ano passado inteiro 63 árvores caíram, segundo registro da Secretaria do Meio Ambiente de Bauru (Semma).
Pontos
Na Vila Dutra, por exemplo, um galho de uma Sibiruna de aproximadamente quatro metros de extensão ainda fechava a passagem da calçada na quadra 3 da alameda Pirajuí. A cena se repetia em vários pontos da cidade.
“A Semma está com toda a equipe na rua e o Corpo de Bombeiros também”, comenta Brito.
A queda de uma árvore também provocou danos no telhado da Escola estadual Luiz Castanho de Almeida, na Vila Falcão. A Defesa Civil também recebeu chamado sobre a mesma situação na escola estadual Iracema de Castro Amarante, na Vila São João Batista.
Na rua Domingos Plete, Vila Frutuoso Dias (região do Altos da Cidade), outra queda: uma árvore foi arrancada com raiz e tudo no local.
Semáforos
A Emdurb conseguiu finalizar o reparo de todos os semáforos que apresentaram problemas apenas na tarde dessa segunda. Os equipamentos pararam de funcionar com a interrupção de energia. Assim que ela foi restabelecida, vários apresentaram problemas. Por conta da demanda de trabalho, a equipe que estava de plantão anteontem foi reforçada, informa a assessoria de imprensa da empresa.
Os servidores tiveram, por exemplo, de trocar fusível e módulos, além de alinhar alguns semáforos que entortaram por conta da força dos ventos. Dentre os 189 cruzamentos semaforizados, alguns provocam ‘apagão’ em sequência, quando apresentam problemas. Foi o que aconteceu, por exemplo, na esquina da rua Gerson França com a avenida Duque de Caxias.
Previsão
Segundo o IPMet, não há previsão de chuvas para esta terça-feira (12) e quarta-feira (13). O tempo deve permanecer nublado com curtos períodos de sol amanhã. A temperatura mínima é de 15 graus e a máxima, de 28 graus.