11 de julho de 2026
Geral

Transtornos provocados por obras na Nuno de Assis vão até setembro

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

Malavolta Jr.

Interdição de meia pista para a instalação de interceptores deixa tráfego lento na avenida

Essencial para a despoluição do trecho urbano do Rio Bauru, a instalação dos interceptores de esgoto na Nuno de Assis tem gerado transtornos a motoristas e a estabelecimentos comerciais e de serviços que funcionam na via. Os serviços começaram em agosto de 2014, com a expectativa de que fossem concluídos até abril. A obra, no entanto, está atrasada e as interdições devem se prolongar até o mês de setembro.


O Departamento de Água e Esgoto (DAE) é responsável pelo contrato de R$ 16,7 milhões. Diretora de Planejamento do órgão, Nucimar Paes diz que a Stemag Engenharia e Construções reivindicou aditivo de tempo de cinco meses.


O pedido ainda está sob análise da Divisão Jurídica da autarquia, mas a prorrogação do tempo previsto para as obras é inevitável. “A diferença é que, se for com a autorização do DAE, não incidirá multa. Se não for concedido o aditivo, a empresa será penalizada”, pontua.


Nucimar elenca vários fatores que teriam motivado o atraso na instalação dos interceptores. Um deles seriam problemas enfrentados para a execução dos serviços em função das condições do solo. “Isso aconteceu, principalmente, no início das obras. Os estudos prévios não constataram que a umidade fosse tanta, talvez pelo período em que foram realizados. Isso fez com que o andamento fosse mais lento”.

Quioshi Goto

Se alguns trabalhos precisam ser refeitos, isso interfere no cronograma’, diz Nucimar Paes - Diretora do DAE

ERROS


Segundo a engenheira do DAE, a Stemag, mesmo dispondo de até 10 frentes de trabalho na obra, demonstrou falhas de logística. Os que mais preocupam, contudo, são os erros de execução da empreiteira, constatados pela autarquia. “Se alguns trabalhos precisam ser refeitos, com certeza, isso interfere no cronograma. Tivemos problemas de topografia em alguns pontos. O projeto apontava determinada declividade para a instalação dos interceptores e a empresa errou”, explica Nucimar.


Na última semana, por exemplo, 13 tubos já instalados a mais de dois metros de profundidade foram arrancados do solo para serem reimplantados.  Isso equivale a mais de 30 metros de extensão de tubulações.


“Falhas semelhantes foram constatadas nas obras do Córrego Água Comprida [de responsabilidade da Stemag, referentes ao mesmo contrato das intervenções da Nuno. A gente está mandando refazer. Quatro funcionários do DAE estão acompanhando tudo de perto”, ressalta Nucimar.

Malavolta Jr.

Ao chegar no ponto das obras, motoristas precisam desviar

Recape


Desde meados de abril, uma das duas pistas da margem esquerda do Rio Bauru passou a sofrer interdições. Elas devem se estender até o final de julho, quando a etapa de instalação de interceptores deverá ser concluída.


“Mas a ideia é que isso ande e as primeiras quadras sejam liberadas para que as próximas recebam os serviços. A do cruzamento da Nações Unidas, inclusive, deve estar pronta até o final dessa semana para que o asfalto provisório seja reposto”, avisa Nucimar Paes.


No lado direito do rio, já foram instalados os quase dois quilômetros previstos de tubos que recolherão o esgoto doméstico da cidade, da avenida Nações Unidas até o pátio ferroviário. No lado esquerdo, da Nações até área próxima à antiga Bunge, serão mais de três quilômetros.


Só após o término desses serviços, é que os dois lados da avenida Nuno de Assis serão recapeados. O asfalto já implantando – alvo de muitas reclamações de motoristas, comerciantes e vizinhos – é provisório.


‘Movimento teve queda de 10%’, diz proprietário de loja na avenida


Classificada como via de fluxo rápido, a avenida Nuno de Assis perdeu essa característica, ao menos nos trechos interditados para as obras de interceptores. Com apenas uma das duas pistas do lado esquerdo da margem do Rio Bauru liberada para os veículos, o tráfego é lento, especialmente nos horários de pico.


No cruzamento com a avenida Nações Unidas, a situação é ainda mais crítica. Em alguns momentos, os motoristas que vêm pela Nuno bloqueiam o trânsito da transversal, apesar dos semáforos. Estatísticas da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), aliás, revelam que este foi o ponto da cidade com o maior número de acidentes no primeiro trimestre de 2015, com 16 ocorrências.

Malavolta Jr.

Reinaldo reclama que acesso a seu comércio foi prejudicado

Os empresários dos setores de comércio e serviços também têm sofrido com os transtornos provocados pela obra. Reinaldo Lima, dono de uma autopeças na quadra 10 da Nuno, diz que o acesso a seu estabelecimento foi bastante prejudicado. “O movimento caiu 10%. Já é a quinta semana que estou com a obra aqui na frente”.


Proprietário de uma madeireira, Tiago Nunes de Almeida confirma a existência de transtornos, especialmente para a manobra dos caminhões que entram e saem da sede da empresa para carregar e descarregar os produtos.


Ambos, no entanto, entendem a relevância ambiental da obra, bem como elogiam o fato de servidores do DAE terem os procurado para esclarecer sobre as intervenções que seriam executadas em frente às fachadas de suas empresas.


EFEITOS MINIMIZADOS


Reinaldo e Tiago também comemoram o fato de só ter sido fechada metade da pista do lado da avenida em que seus estabelecimentos estão instalados. “Quando soube que a obra viria para cá, fiquei assustado porque o pessoal do outro lado foi bastante prejudicado. Eles ficaram sem acesso algum”, explica o proprietário do comércio de madeiras.


As reclamações durante a primeira etapa da instalação de interceptores, segundo Nucimar Paes, motivaram a exigência por parte do poder público para que a pista da margem esquerda não fosse integralmente interditada, como ocorreu na margem direita. “A empresa não queria, mas essa determinação partiu diretamente do prefeito Rodrigo Agostinho”.


Segundo a engenheira do DAE, inicialmente, cogitou-se a utilização de método não destrutivo – no qual a abertura das ruas é dispensável - para a execução dos serviços. A tecnologia foi adotada nesse mesmo contrato nos trechos de tubos sob a linha férrea.


“Mas não deu para fazer tudo por conta da existência de bocas de lobo praticamente a cada 20 metros ao longo das margens do rio. Havia também obstáculos das galerias que vêm do Jardim Bela Vista”, explica.