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João Rosan |
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A professora Daniela Melaré abriu o 5.º Sile na Universidade Sagrado Coração na noite dessa quinta-feira (14) |
A tecnologia precisa ser compreendida como concepção de ensino, não mais como simples ferramenta. É o que defende a professora doutora da Universidade Aberta de Portugal, Daniela Melaré Vieira Barros, que esteve nessa quinta-feira (14) em Bauru para ministrar a conferência de abertura do 5.º Simpósio Internacional de Linguagens Educativas (Sile) da Universidade Sagrado Coração (USC) e Sagrado - Rede de Educação.
Para a especialista, os professores ainda enfrentam dificuldades em assimilar os recursos digitais como aliados, capazes, segundo ela, de provocar um “grande ‘boom’ na educação”. A conferência “Novos cenários para as práticas educativas: tecnologia e inovação”, realizada na noite de ontem, tratou de assuntos que Daniela antecipou em entrevista concedida ao JC momentos antes do evento.
JC - Quais são os principais desafios para inserir as novas tecnologias no ambiente escolar?
Daniela - Os cursos de pedagogia ainda são deficientes na forma de lidar com a tecnologia, que é entendida apenas como ferramenta e não como concepção metodológica. Sem esta formação, os professores, na sala de aula, têm muita dificuldade em adaptar o conteúdo pedagógico a estas tecnologias.
JC - Até porque não as utilizam no seu dia a dia com a mesma frequência que os alunos.
Daniela - São os chamados imigrantes digitais, enquanto a nova geração são nativos digitais. Há uma forma diferente de pensar o mundo. Estes nativos têm uma lógica mais volátil de vida, de consumir informação. É uma realidade complexa para estes imigrantes.
JC - E como lidar com esta dificuldade?
Daniela - Os alunos utilizam estas tecnologias principalmente como entretenimento. O grande “boom” da educação irá ocorrer quando os docentes perceberem que este entretenimento pode ser pedagógico. Mas muito professor ainda não sabe o que fazer com o equipamento e nem mesmo enxerga a tecnologia como aliada. É preciso entender que ela não substitui o docente, mas potencializa seu trabalho.
JC - Hoje, a tecnologia é essencial na educação?
Daniela - A tecnologia digital e virtual não pode ser ignorada porque faz parte da forma como os alunos constroem conhecimento. E ela potencializa a inteligência do ser humano, expande as informações. E é papel do professor ensinar a filtrar, interpretar e estabelecer um olhar crítico sobre elas.
JC - Existe um esforço para universalizar o acesso, mas a utilização ainda se dá de forma esporádica. Isso é um equívoco?
Daniela - Este esforço representou um grande salto. Mas o virtual tem uma concepção que muda toda a lógica de ensinar e aprender. O ideal seria que os alunos pudessem ter contato com estas tecnologias o tempo todo, de forma integrada.
JC - É responsabilidade exclusiva do professor buscar capacitação?
Daniela - A falha começa na graduação. Para os já formados, há muitos problemas nos programas de capacitação federais e estaduais para oferecer uma formação contínua e sustentável. Eles são muito pontuais e não ensinam a explorar as tecnologias como estratégia de ensino.
JC - A forma rápida como os equipamentos se tornam obsoletos também é um obstáculo?
Daniela - A atualização da tecnologia não é essencial para a educação, mas sim a forma como o professor a utiliza. Quando ele consegue compreender o sentido que aquele equipamento deve ter no processo, poderá explorá-lo em todas as suas potencialidades.
5º Sile
Sob o tema “Linguagens Educativas”, o 5.º Sile segue até amanhã na USC com o objetivo de fomentar reflexões em torno das relações existentes entre educação e tecnologias, contemplando desde a educação básica até o ensino superior.
O evento conta com duas conferências internacionais, nove palestras nacionais, 15 oficinas, além de discussões pertinentes em sete eixos temáticos com apresentações de trabalhos. A USC fica na rua Irmã Arminda, 10-50, no Jardim Brasil. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 2107-7000.