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Éder Azevedo |
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Professor doutor Paulo Eduardo Miamoto Dias com o busto de Santo Antônio que foi recriado a partir de fotos do crânio |
O trabalho de reconstrução da imagem facial por peritos criminais é realizado em diversos países e auxilia na solução de crimes. Contudo, estudiosos afirmam que ainda é pouco utilizado no Brasil. Porém, há um ano, uma nova técnica foi desenvolvida por um brasileiro especialista em odontologia legal. Trata-se do uso de softwares de código aberto, gratuitos, aliadoa a tecnologias de impressão em 3D e escaneamento. Uma simples foto feita a partir de um smartphone permite dar início a todo processo.
A técnica foi apresentada em palestra ministrada nesta semana no 28.º Congresso Odontológico de Bauru (COB), na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP), pelo professor doutor Paulo Eduardo Miamoto Dias.
Ele, inclusive, mostrou uma face reconstruída de Santo Antônio (leia mais ao lado), a partir de fotos do crânio do santo enterrado na Basílica de Pádua, na Itália.
De acordo com Miamoto, o ideal é que o trabalho tenha a orientação de um odontólogo ou antropólogo forense. “A partir do formato do crânio e características do tecido, além de outras informações obtidas na ossada, é possível reconstruir a face da pessoa, até mesmo com a cor da pele, com o auxílio de especialistas”.
Um treinamento para os interessados em desenvolver esse tipo de trabalho é oferecido pela Organização Não Governamental (ONG) Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia Legal (Ebrafol), com o objetivo de disseminar essa técnica. Além disso, um computador com Internet e dispositivos para tirar foto e escanear são necessários.
“Como qualquer técnica, é necessário um treinamento. As ferramentas utilizadas são um computador, Internet, aplicativos código aberto de malha tridimensional e algo para tirar foto – como um celular, por exemplo – e um escâner, quando tiver que utilizar uma imagem impressa”, orienta.
Desaparecidos
O Brasil tem um grande número de desaparecidos. E muitos desses casos, infelizmente, culminam em finais infelizes. Parte dos desaparecimentos, na verdade, são homicídios.
Para Paulo Eduardo Miamoto Dias, dar uma identificação para as famílias é algo essencial. Assim, além de pleitear os direitos, podem fazer um enterro e, principalmente, colocar um fim na angustiante dúvida.
Evento
O COB Prof. Dr. Clóvis Monteiro Bramante começou na FOB/USP (que, inclusive, completa 53 anos neste domingo) na última quarta e termina neste sábado (16). Segundo o professor Heitor Marques Honório, coordenador comercial do evento, participaram 1,2 mil congressistas procedentes de várias regiões do Brasil e de países da América do Sul.
Santo Antônio
Sem saber quem seria o “personagem” a ter a face reconstruída, a ONG Ebrafol, em parceria com instituições brasileiras e italianas, recebeu imagens de um crânio. Eram de Fernando Bulhões, um homem que viveu há cerca de oito séculos, de origem portuguesa, de Lisboa, e faleceu em Pádua, na Itália. O frade da ordem franciscana posteriormente foi canonizado e, hoje, é conhecido como Santo Antônio.
As fotos foram transformadas em 3D por meio de aplicativos de código aberto, sem nenhuma diferença técnica para os trabalhos de fins periciais, ou seja, exatamente como seria em caso de um crânio não identificado, sem quaisquer dados. O resultado impressiona.