09 de julho de 2026
Articulistas

Coisas erradas que precisam mudar

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Não são só Brasília e palácios do poder os celeiros das coisas erradas. Nem é só o meu Corinthians o único ao errar com a contratação de Vágner Love. Esqueçamos erros distantes. É preciso editar novas normas para o cotidiano. Seria um erro não sugerir.

1. Expediente na sexta-feira passa a acabar ao meio-dia. E dá-lhe multa por descumprimento. Com a nova lei, toda sexta terá clima de jogo do Brasil ? daqueles disputados em outras terras, e que começam às 12h30. Que bonito ver o dono de loja com ferrinho na mão, apressado, fechando as portas. No mercado, fila com gente de bermuda e cestinhas com cerveja. Não a cada quatro anos, mas em toda santa sexta rumo ao lar.

2. Cachorro-quente passa a ser... quente. Acaba esse negócio de hot dog morno. O mesmo vale para pratos... quentes. Que precisam ser... quentes, não frios, inclusive nos práticos restaurantes por quilo.

3. Por falar nisso, fica proibida aquela vagareza toda na fila da comida. Já reclamei disso nesse espaço nobre (e olha que sou lerdinho também). A pessoa na fila fica escolhendo qual brócolis vai pegar; qual pequena fatia de beterraba é merecedora de ganhar lugar no prato... Na carne, então, uma indecisão tremenda. Quase um "sofrer" diante do cupim ou do medalhão. Tanta demora, às vezes, para optar pela fraldinha.

4. Fica vedada qualquer nova composição musical com versos do tipo "Eu tô carente desse olhar que mata"; "Eu quero mexer, eu quero mexer"; "Larga tudo e vem correndo pra eu mergulhar no teu sorriso"; "Fui feito pra você, você nasceu pra mim" ? e outros jogos de palavras jogadas. Será o fim da era das rimas de "flor com amor". As já gravadas a gente tolera, vai.

5. Casamento ao ar livre, em jardim florido, no último capítulo de novela... Já deu, não é? Ainda piora na "melosidade" quando alguns dos sorridentes convidados trocam olhares e engatam um novo flerte ali mesmo, no branco banco das testemunhas. Com a palavra, os diretores. Com a escrita, os roteiristas.

6, 7 e 8 (está acabando a coluna). Todo beijo, molhado. Todo bebê, sequinho. Toda praia, com sol. E tudo por encanto. Muda já e pela força da natureza, inclusive a humana.

9 e 10. Ninguém mais briga, ninguém mais sofre. São coisas erradas da vida: brigar e sofrer. Morrer está mantido. Porque é preciso. Com serenidade, tudo deve passar. Até lá, bem que merecemos dias de menor sufoco e maior satisfação. E, mesmo que novelas, letras e expedientes não mudem, vale seguir errando por aí. É tanta coisa errada que é melhor relaxar: um dia, a gente até se diverte com isso.

O autor é editor executivo do JC