08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Deu zica


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Essa expressão "deu zica" é muito usada por adolescentes e jovens quando algo dá errado. Quando algo não sai como o esperado, a expressão emerge nos lábios: "deu zica". E não há de ver que "deu zica" na saúde pública do nosso país. Deu errada a forma de combate contra o mosquito Aedes Aegypt. Na realidade, nem sei se podemos dizer que deu errado, que "deu zica", porque o combate foi pequeno. Diante da quantidade de casos de pessoas sofrendo com os sintomas da dengue e de quantas mortes esse mosquito provocou, o combate deveria ser prioridade. As ações públicas só ficaram nas propagandas de como não acumular água parada e nada mais. Todos nós sabemos que pneus, caixas d?água descobertas e vasos de plantas acumulam água onde a fêmea do mosquito se reproduz.

O descaso da população também é grande. Há muito lixo nas ruas e algumas ruas das nossas cidades são lixões a céu aberto. Mas os nossos governantes não se preocupam diante da calamidade do nosso sistema de limpeza, da forma como cuidamos do lixo produzido, dos terrenos baldios sem cuidado, da quantidade de lixo acumulados nas esquinas. Não há programas de políticas públicas para uma coleta seletiva dos recicláveis, vistoria correta a imóveis abandonados, conscientização eficaz sobre os riscos e consequência das doenças provocadas pelo mosquito Aedes. Quando isso não acontece, só pode dar "zica" mesmo, e agora Zika. Zika Vírus é o mais novo vírus que o mosquito Aedes transmite. Além da dengue e da febre shikungunia, o Zika Vírus é transmitido pelo Aedes, e o esse mosquito só se prolifera e as autoridades quase nada fazem. Diante de tantos casos de dengue, já era para as autoridades criarem uma força tarefa de combate dão mosquito e não uma força tarefa para cuidar dos sintomas da dengue. Assim, com a febre shikungunia, o Zica Vírus é uma doença forte que pode levar a morte, assim como a dengue.

Esse mosquitinho, aparentemente inofensivo, tem dado zica na cabeça das nossas autoridades. Ele tem se proliferado nas cidades, que é o seu palco de atuação, e como as cidades não bem cuidadas, logo o mosquito vai se reproduzindo. O Aedes está se adaptando a água suja, e até mesmo no esgoto, que deveria ser todo canalizado. Enquanto nossas autoridades municipais, estaduais e federais não levarem a sério a limpeza urbana, a coleta seletiva do lixo reciclável, a limpeza de terrenos e de casas abandonadas, e a pulverização de veneno. Se nós não cuidarmos de vigiar os locais de água parada e mudarmos a nossa postura em relação ao lixo produzido, teremos notícias de familiares sofrendo por conta do Aedes. E se as autoridades não promoverem ações práticas de combate a esse mosquito, a população, que sempre paga o preço, continuará padecendo por conta da má gestão pública. Espero que os políticos se atentem para o combate contra o Aedes. Já sofremos com uma epidemia de dengue e não queremos ficar "zicados". Contra os mosquitos e contra o descaso das políticas públicas haja repelente.

Jeferson Rodolfo Cristianini - Pastor da PIB Bauru