No final da prova, no rodapé da página, costumava deixar algumas palavras, visando à repartição sibálica, à ordem cronológica como preceitua os dicionários (ordem alfabética) até que um dia me surpreendi: nenhum aluno separou corretamente a palavra "substantivo". Encontraram cinco sílabas... Erraram?! Não! Apenas não aprenderam. Quando tal fato ocorre, ou o professor está errado ou a lição não está certa. Sabe-se: só há aprendizagem quando o professor ensina e o aluno aprende. No caso, erro do professor! Erro meu! Mostrar que "soante" é o que "soa"; consoante é o que "soa" "com". Daí... é só contar as vogais, tendo presente o conhecimento de "ditongos" e "tritongos". Fácil?! Nem pensar... Cumprimento, agora, o colega maior Roberto Magalhães, cujas cãs o aproximam mais de mim.
Sua caminhada foi, por certo, longa. E será ainda maior... O mestre falou para 27 advogados. Do outro lado, Rádio e Mídia, mais de 27 milhões de assíduos ouvintes fartam-se com os absurdos dos locutores. Senão vejamos: um jornalista afirma que o criminoso "era de menor", outra dirigentes de programa diz que "entre eu e..." sem saber que sujeito oracional não aceita preposição. Outro repórter, falando sobre um incêndio, diz que foi um "curto-circuíto". Sabemos: Não foi! Circuito, gratuito, fluido, o ditongo "ui" tem o mesmo som de "fui". Nossa presidenta, num dos Estados do Nordeste, diz: "Hoje "viemos" aqui...". Imperceptível?! É tão grave quanto: "ainda ontem estou com todos vocês"... Verdade é que muitos poderão asseverar: "fala errado mas ganha títulos de "doutor honoris causa" até da Universidade Coimbra...
Ainda não ouvi ninguém dizer "feche (fêche) a janela. Com exceção de fechar e mechar todos os verbos terminados em "echar" possuem o "ê" fechado.
Outro absurdo: meu dicionário "Michaelis", com 2267 páginas registra, na página 1605: "per-so-na-gem s m+f. Ora, a não ser a palavra "selvagem", comum de dois, todas as palavras terminadas em "gem" e "dem" são femininas. Quer se refira a homem quanto a mulher usa-se personagem". Como vemos não é apenas meritória, mas extremamente difícil a missão do ilustre gramático. Isso não nos impede de dizer-lhe: Parabéns, Professor Roberto Magalhães!
Álvaro Baptista Pontes