Um dos temas mais caros para os estados é a questão da sua soberania, e em nome deste conceito milhares morreram, múltiplas guerras foram feitas.
A soberania de um país, em linhas gerais, diz respeito à sua autonomia, ao poder político e de decisão dentro de seu respectivo território nacional, principalmente no tocante à defesa dos interesses nacionais. Nesse sentido, cabe ao Estado Nacional (ao governo, propriamente dito) o direito de sua autodeterminação em nome de uma nação, de um povo.
No Brasil já sofremos muito devido a este princípio, primeiro com nossa origem elitista de subserviência à Coroa e depois sua subalternidade aos "impérios" sempre foi uma questão de disputas fratricidas em nosso território. O complexo de vira-latas começou a ser combatido com a Revolução de 30, onde Getúlio Vargas enfrentou de forma inconteste a questão da Soberania Nacional.
O desenvolvimento industrial implementado pela Era Vargas, juntamente com o reconhecimento de direitos aos trabalhadores, foi um ato ousado que afrontou interesses anti-nação. O estopim desta jornada foi a criação da Petrobras, inaceitável para os que sempre quiseram nossa submissão. Nunca foi plausível para as potências hegemônicas, em especial para os EUA, que o Brasil se tornasse uma nação soberana.
Cabe ao Brasil apenas a fabricação de manufaturados de baixo valor agregado e não deveria arriscar-se a sermos uma nação de alta-tecnologia e autossuficiente energeticamente.
Aliados à mais retrógrada e reacionária direita, levaram Vargas ao suicídio numa campanha criminosa de ataques e calúnias contra seu governo.
João Goulart também sofreu por sua visão soberana - as reformas de base, o controle das remessas de lucros para o Exterior não foram bem aceitas pelos ?irmãos do norte?.
A derrubada de Jango teve todas as digitais do "Tio Sam" patrocinando campanhas de opositores, apoiando conspiradores, aliando-se à direita.
Caluniado, difamado, derrubado, Jango sofreu as piores perseguições que um presidente poderia sofrer e morreu no exílio sem nada dever.
Esse é um dos mecanismos utilizados por potências que buscam o hegemonismo para manutenção de seu poderio industrial, político e econômico.
A descoberta do Pré-Sal no Brasil, da mesma forma, se torna uma ameaça ao hegemonismo continental.
Não é tolerável um país com as dimensões do Brasil com sua diversidade econômica ter tanto petróleo. É preciso destruir a Petrobras e o sonho de sermos livres, soberanos, donos de nosso destino.
Não é permitido emancipar milhares de brasileiros ao mundo do consumo de bens que só é permitido para elites. É preciso combater aspirações de independência, liberdade.
Não é permitido sermos um país soberano. Estamos condenados a vivermos na periferia do mundo e sermos meros coadjuvantes da historia.
Henrique Matthiesen